domingo, 25 de janeiro de 2026

Anvisa proíbe venda de algumas marcas de azeite e suspende doce de leite e sal grosso


Por Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a comercialização, distribuição, fabricação e consumo do azeite de oliva extravirgem da marca Terra das Oliveiras. De acordo com a Anvisa, o produto foi proibido por ter origem desconhecida, sendo vendido pela loja online Shopee. Além disso, explicou a agência, a empresa JJ-Comercial de Alimentos, que aparece no rótulo do produto como sua importadora, foi extinta. A medida foi publicada no Diário Oficial da União (DOU).

A empresa responsável pela marca Terra das Oliveiras não foi encontrada para posicionamento.
Sal grosso e doce de leite

A agência impôs restrições de comercializações do sal grosso da marca Marfim e do doce de leite da São Benedito.

Fabricado pela empresa M Gomes Praxedes, o lote 901124 do sal grosso Marfim foi suspenso por ter reprovado no teste de teor de iodo, que foi considerado insatisfatório. De acordo com a Anvisa, o lote deve ser recolhido. A determinação foi publicada no Diário Oficial da União.

Procurada pela Agência Brasil, a empresa M. Gomes Praxedes, responsável pela fabricação do sal Marfim, ressaltou que a determinação da Anvisa se refere especificamente a um lote, o 901124, que foi produzido no ano de 2024 e que já foi "devidamente rastreado, com medidas adotadas para segregação e recolhimento, conforme orientações dos órgãos competentes".

"Não se trata de uma suspensão generalizada de todos os produtos da marca", informou a empresa, em nota.

Ainda, segundo a empresa, após ter sido notificada pela Anvisa, iniciou o acompanhamento técnico e jurídico do caso e revisão e reforço dos procedimentos de iodação. Ela também informou ter feito uma verificação interna e complementar para identificação da causa do problema e implementação de melhorias.

"A empresa orienta distribuidores, parceiros comerciais e consumidores que, em caso de posse do lote 901124, entrem em contato pelos canais oficias para receberem as orientações adequadas (troca, recolhimento e ou direcionamento conforme aplicável", escreveu a empresa responsável pela marca Marfim.

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Já o doce de leite em pedaços da marca São Benedito, da empresa JF Indústria Comercio de Doces e Laticínios, com data de fabricação de 25 de junho de 2025, não poderá ser comercializado, distribuído e nem consumido. De acordo com a Anvisa, o lote desse produto não estava identificado. Além disso, foi reprovado no teste de ácido sórbico, conforme publicado no DOU. O ácido sórbico é um conservante que tem o propósito de evitar que microrganismos causem deterioração dos alimentos.

Procurada pela Agência Brasil, a São Benedito informou que, assim que foi notificada, colaborou com os órgãos competentes e ajustou processos internos "para garantir que cada pote que chegue à sua mesa esteja 100% dentro dos padrões", afirmou em nota.

A empresa disse ainda que "preza pela tradição" e destacou que "o uso do conservante serve justamente para evitar microrganismos e garantir um alimento seguro".

*texto ampliado às 15h08 para incluir posicionamento da São Benedito e às 15h50 do dia 25 de janeiro para acréscimo do posicionamento da empresa M. Gomes Praxedes.

Fkbte: EBC

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

SINPROESEMMA intensifica luta pela valorização dos trabalhadores em educação com novo piso e pauta da Campanha Salarial 2026


Após forte mobilização dos educadores, em especial da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação e os sindicatos associados, como o Sinproesemma, que estavam insatisfeitos com o percentual de reajuste do Piso Salarial 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma Medida Provisória nesta quarta-feira (21) que atualiza os critérios de cálculo do piso nacional. A nova regra garante que o reajuste anual nunca seja inferior à inflação medida pelo INPC e passa a incorporar parte do crescimento real das receitas do Fundeb, assegurando aumento real de forma permanente.

Com o novo percentual, fixado em 5,4%, o valor mínimo do piso fica em R$ 5.130,63, referente à jornada de até 40 horas semanais, representando um avanço concreto na política de valorização dos profissionais da educação pública.



Com a fixação do piso pelo Governo Federal, o Sinproesemma entra em um novo momento de intensificação da luta pela valorização dos trabalhadores em educação do Maranhão. Em dezembro de 2025, a Direção Geral do sindicato se reuniu e definiu os principais pontos da pauta de reivindicação da Campanha Salarial 2026, tendo o reajuste do Piso Salarial do Magistério como uma das prioridades centrais.

Com a pauta fechada, o primeiro ponto da agenda de negociação é a correção salarial, ao lado de outros eixos estratégicos, como a correção da tabela salarial Professor III, respeitando o interstício de 5% entre as referências conforme reza o Artigo 30 do Estatuto do Educador, o estabelecimento do critério de reajuste para o auxílio alimentação dos educadores, sendo 30% do vencimento do Professor III, 20h, Classe A, referência 1, o fortalecimento dos Planos de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR), a garantia de direitos, a melhoria das condições de trabalho e o respeito à carreira dos profissionais da educação.

O Sinproesemma destaca que a unidade da categoria será fundamental para o sucesso da Campanha Salarial 2026 e a mobilização dos educadores será necessária para transformar as conquistas nacionais em realidade estadual.

Segundo o presidente do Sinproesemma, Raimundo Oliveira, com o anúncio da nova regra de reajuste, que assegura ganho real permanente para a categoria, a direção do Sinproesemma avalia que se abre uma nova janela de oportunidades para avançar na valorização salarial tanto na rede estadual quanto nas redes municipais.

“A definição do reajuste de 5,4% no piso do magistério é uma vitória da luta sindical, construída com muita mobilização e com a atuação firme da CNTE. No Maranhão, essa conquista fortalece ainda mais a nossa Campanha Salarial 2026, cuja pauta já foi definida tendo como um dos pontos a correção salarial. Com a nova regra garantindo ganho real permanente, o Sinproesemma vai cair em campo para assegurar que esse avanço nacional se traduza em valorização concreta para os educadores das redes estadual e municipais. Vamos seguir firmes negociando com o Governo do Estado e com as prefeituras para que os educadores tenham essa valorização real, carreiras estruturadas e respeito aos trabalhadores em educação em todo o nosso Maranhão”, pontuou Oliveira.

Fonte: ASCOM - SINPROESEMMA

Portaria recompõe orçamento do CNPq e fortalece a formação científica no Brasil


O Governo do Brasil publicou, nesta terça-feira (20), a Portaria GM/MPO nº 12/2026, que autoriza a recomposição do orçamento de 2026 do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), entidade vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O crédito suplementar destinado à agência soma R$ 186,3 milhões e será aplicado em ações de formação, capacitação e fixação de recursos humanos, fortalecendo a pesquisa científica em todo o País.

O reforço orçamentário tem impacto direto na vida de estudantes e pesquisadores. Na prática, o recurso contribui para a manutenção de bolsas, o fortalecimento da pós-graduação e a permanência de jovens talentos no sistema nacional de ciência, tecnologia e inovação. Para quem vive da pesquisa, a recomposição representa estabilidade para seguir desenvolvendo estudos estratégicos para o Brasil.

Segundo o presidente do CNPq, Olival Freire Junior, a recomposição no orçamento de bolsas permite que a entidade retome as metas definidas no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), recuperando os cortes anteriores. "Trata-se de medida positiva que expressa a sensibilidade do presidente Lula com os desafios da ciência e tecnologia. Contudo, esses valores ainda não são o suficiente para a estabilização do fluxo de bolsas de pesquisadores contemplados pelo CNPq, como havíamos apontado ainda na fase de elaboração da PLOA", afirmou.

Com mais de 70 anos de atuação, o CNPq é um dos principais indutores do desenvolvimento científico e tecnológico no País. O reforço orçamentário amplia a capacidade do órgão de atuar na consolidação do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação e de fortalecer ações de formação, capacitação e fixação de recursos humanos para o desenvolvimento científico, em âmbito nacional.

Entenda a portaria

A Portaria GM/MPO nº 12/2026 autoriza a abertura de crédito suplementar de R$ 1,36 bilhão ao Orçamento Fiscal da União. Os recursos são distribuídos entre diferentes ministérios e instituições federais, com foco em ciência, educação e assistência estudantil, garantindo a continuidade de políticas públicas estratégicas para o desenvolvimento do país.

Jovem formada por cursinho apoiado pela Lei Rouanet ganha destaque na redação do Enem


Quando Priscila Ribeiro viu a nota da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) aparecer na tela, precisou conferir mais de uma vez. Os 940 pontos simbolizavam um limite superado por quem, até pouco tempo antes, estudava sozinha e sem orientação. Aos 18 anos, aluna do pré-vestibular comunitário do Programa Jovem de Expressão, a estudante da rede pública do Distrito Federal alcançou um dos melhores resultados da prova em 2025.

Criado em 2007, o Programa Jovem de Expressão é uma realização do Instituto Referência da Juventude e atua há 18 anos na promoção da educação, da cultura, do empreendedorismo e do cuidado com a saúde mental de jovens entre 18 e 29 anos no Distrito Federal. Sediado na Praça do Cidadão, em Ceilândia, o programa já atendeu milhares de jovens de forma gratuita, ampliando oportunidades e fortalecendo vínculos comunitários nos territórios. A consolidação do Jovem de Expressão também está diretamente ligada ao fomento público.

Foi nesse ambiente que Priscila encontrou o apoio que faltava para seguir adiante. Antes de ingressar no cursinho comunitário, ela estudava sozinha, recorrendo a vídeos na internet, sem conseguir identificar erros ou evoluir de forma consistente. “Eu estava muito perdida. Tentava resolver questões e fazer anotações, mas não conseguia entender onde estava errando. Estudar sozinha foi muito difícil para mim”, conta. O cansaço da rotina, somado à distância de casa, à escola e a outras atividades, tornava o processo ainda mais desgastante.

Foto: Divulgação Jovem de Expressão

Ao falar sobre o resultado, Priscila descreve a sensação como algo difícil de traduzir. “Foi surreal, de outro mundo. O Enem de 2025 foi muito rigoroso, com um tema de redação diferente e uma correção mais exigente. Quando vi a nota, fiquei extremamente feliz.” Para ela, os 940 pontos representam um limite superado. “Eu nunca imaginei que conseguiria tirar mais de 700 pontos. Quando vi o 940, pensei ‘meu Deus, o milagre aconteceu agora’. É a prova de que eu consegui ir além do que acreditava ser capaz.”

O sentimento de pertencimento foi determinante nessa trajetória. “Eu fui acolhida de uma forma que nunca tinha sido antes na minha vida acadêmica. Houve atenção, carinho e cuidado, inclusive com apoio psicológico. Eu me senti parte de uma família, cercada por pessoas que realmente torciam por mim. Isso foi fundamental para que eu não desistisse”, relata.

O Jovem Expressão captou integralmente os recursos autorizados pelo Ministério da Cultura (MinC) por meio da Lei Rouanet. Ao todo, foram R$ 1,95 milhão aprovados. Ao longo dos anos, o programa já submeteu dez projetos ao mecanismo e captou mais de R$ 6,9 milhões em renúncia fiscal, garantindo a continuidade de ações voltadas à juventude periférica.

O pré-vestibular comunitário funciona desde 2016 e surgiu da necessidade de ocupar o espaço também no período noturno, acolhendo jovens do território da Ceilândia que desejavam retomar os estudos ou se preparar para o ingresso no ensino superior. Para a coordenadora do cursinho, Vitória Deolindo, o acolhimento sempre foi o eixo central da iniciativa. “Desde o início, a proposta foi criar um ambiente confortável, sem julgamentos, onde esses estudantes pudessem estudar e se sentir pertencentes”, explica.

Para ela, o resultado da estudante é um reflexo direto do trabalho coletivo construído ao longo dos anos. “Embora o resultado seja individual, o processo é comunitário. É uma conquista construída por muitas mãos. Esse retorno reforça que o trabalho desenvolvido ao longo do tempo tem impactado, de fato, a trajetória desses jovens”.

Priscila também chama a atenção para a metodologia adotada. “Eu entregava a redação e a professora lia em voz alta, apontando exatamente onde eu estava errando e o que precisava melhorar. Durante anos eu não saía do mesmo lugar. Com esse acompanhamento, fui evoluindo gradualmente até chegar aos 940 pontos”.

Segundo Vitória, esse processo está diretamente ligado ao fortalecimento da autoestima, do pensamento crítico e do repertório cultural. “Uma das metodologias centrais é o Fala Jovem, que consiste em rodas de conversa onde os estudantes compartilham suas experiências. Ao trazer essas vivências para o centro do processo educativo, eles se reconhecem como protagonistas. Isso amplia o repertório e influencia diretamente a forma como se posicionam na redação”.

Além das aulas preparatórias, os estudantes do pré-vestibular participam de oficinas culturais, formações e espaços de diálogo que integram os diferentes eixos do programa. Para a coordenadora, o apoio institucional é decisivo para manter essa estrutura integrada. “O apoio do Ministério da Cultura permite a manutenção dessas ações e garante que os jovens tenham acesso a atividades culturais e educativas que fortalecem sua permanência e o engajamento no projeto”, afirma.

Priscila reconhece o papel das políticas públicas nesse percurso. “Projetos como o Jovem de Expressão só existem porque há investimento e políticas públicas voltadas para a educação, a cultura e a base comunitária. Esse tipo de apoio possibilita que jovens de escola pública tenham acesso a uma preparação de qualidade, algo que seria inacessível para muitos de nós.”

Agora, com o resultado em mãos, ela pretende tentar uma vaga na Universidade de Brasília, na área de Tecnologia da Informação, com foco em Ciência da Computação. Mais do que um plano individual, Priscila entende sua conquista como inspiração para outros jovens. “Se eu consegui, mesmo sendo desacreditada no passado, outros jovens também podem conseguir. A universidade é o nosso lugar. É onde precisamos estar”.

Ao destacar o papel das políticas de fomento para iniciativas de base comunitária, o secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, Henilton Menezes, reforça a importância da Lei Rouanet como instrumento estratégico para o fortalecimento do setor cultural. “O grande mérito da Lei Rouanet é ser uma ferramenta que transforma potencial criativo, cultural e de impacto na sociedade em realidade. Ela conecta o desejo do setor privado de investir na sociedade com o talento de milhares de artistas, agentes culturais e projetos que estão por aí. Não é um gasto, é investimento que viabiliza o que, de outra forma, poderia ficar só na ideia. Cada projeto captado, seja um grande festival ou uma iniciativa de base comunitária, é uma prova de como o setor produtivo cultural gera frutos que vão muito além do palco ou da tela”, destacou.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

SINPROESEMMA promove na sexta-feira (23) Encontro de Aposentadas(os) com palestra sobre bem-estar e direitos


Em celebração ao Dia dos Aposentados(as), o SINPROESEMMA promoverá no 23 de janeiro de 2026, um encontro voltado para associadas(os) educação aposentadas(os). O evento acontecerá no Hotel Santos Dumont, no bairro São Cristóvão, em São Luís.

Confirme sua presença até dia 22/01, no número da secretária dos Aposentadas(os) 98 98442-3220. No dia do evento leve seu contracheque e documento de identificação com foto.

Com uma programação que integra política sindical, saúde mental e cultura, o encontro homenageará educadoras e educadores que dedicaram suas vidas à educação, deixando um legado fundamental para a sociedade. O tema central será os direitos e a qualidade de vida na melhor idade.

Professora Edna

“Homenagear educadoras e educadores é reconhecer uma trajetória de luta e afirmar que a melhor idade também é tempo de dignidade, cuidado e valorização”, declarou, Edna.
Programação

A abertura do encontro está prevista para começar às 13h30. Logo em seguida, às 14h, será formada a Mesa de Abertura oficial. O momento contará com a presença do presidente do Sinproesemma, Raimundo Oliveira; da secretária dos(as) aposentados(as), Edna Castro; da 1ª secretária dos(as) aposentados(as), Edenilde Carneiro; da 2ª secretária dos(as) aposentados(as), Socorro Silva.

E para garantir a representatividade da base, a aposentada Isméria terá assento na mesa, representando a categoria.
Saúde e Lançamento

Dialogando sobre “Valorização, direitos e viver bem”, às 15h, a palestrante convidada, a neuropsicóloga Luana Moscoso, abordará aspectos fundamentais da saúde mental e do envelhecimento ativo, trazendo uma perspectiva de empoderamento para as(os) aposentadas(os).

Na sequência, às 15h45, haverá o lançamento oficial da Revista Vitalidade. E para o encerramento do evento, às 16h terá um Coffee Break, proporcionando um momento de confraternização e troca de experiências entre os participantes.

O presidente do SINPROESEMMA, Raimundo Oliveira, destacou que o diálogo sobre valorização, direitos e viver bem é parte essencial da luta sindical, especialmente quando se trata das(os) aposentadas(os). Segundo ele, cuidar da saúde mental, promover o envelhecimento ativo e fortalecer a autoestima dessa parcela da categoria é também uma forma concreta de reconhecimento e respeito.

Professor Raimundo Oliveira

“O SINPROESEMMA segue comprometido em construir espaços de escuta, formação e acolhimento, reafirmando que as(os) aposentadas(os) são protagonistas da história e da luta em defesa da educação e dos direitos trabalhistas”, ressaltou Oliveira.

SINPROESEMMA reforça luta por antecipação do FUNDEF e transparência nos pagamentos


A Frente Norte Nordeste pela Educação (FNNE), com participação ativa do SINPROESEMMA, protocolou ofício ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, solicitando a antecipação dos pagamentos do FUNDEF previstos para 2026.

A articulação defende que, no mínimo, as parcelas sejam repassadas às professoras e aos professores com um cronograma transparente, garantindo previsibilidade, valorização da categoria e respeito aos direitos dos profissionais da educação.

O presidente do SINPROESEMMA, Raimundo Oliveira, que também é coordenador jurídico da FNNE, destacou que a luta pela antecipação dos recursos do FUNDEF é uma questão de justiça com as professoras e os professores que dedicaram suas vidas à educação pública. Segundo ele, o requerimento ao ministro é fundamental para evitar atrasos e assegurar um prazo claro para a liberação dos recursos em 2026.

Além disso, Raimundo Oliveira ressaltou que o SINPROESEMMA seguirá atuando firmemente para que o pagamento das parcelas do FUNDEF seja realizado de forma transparente e célere. “Estamos falando de valorização profissional, de respeito à categoria e de compromisso com a educação pública. O SINPROESEMMA não recuará e seguirá mobilizado até que os recursos cheguem às mãos de quem realmente construiu a educação deste país”, afirmou Oliveira.

Na avaliação do SINPROESEMMA, a antecipação dos precatórios é uma medida necessária para garantir eficiência à gestão pública e reafirmar o compromisso com a educação.
Confira o vídeo do presidente do SINPROESEMMA sobre a medida:

Tocador de vídeo

medida:

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O futuro do tratamento do câncer: acelerador de prótons aproxima os pacientes da cura


No Brasil, onde a expectativa é de 704 mil novos casos de câncer por ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), cada avanço tecnológico é uma nova esperança para pacientes e familiares. Um desses avanços é o desenvolvimento do acelerador de prótons, equipamento capaz de ampliar o acesso a diagnósticos por imagem e de tornar as terapias oncológicas mais precisas e eficientes. Ele está sendo desenvolvido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, por meio da organização social vinculada à pasta chamada Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP). 

A nova tecnologia permitirá a produção nacional de radioisótopos utilizados em exames e tratamentos contra o câncer. Esses materiais radioativos integram radiofármacos aplicados na medicina nuclear para localizar tumores, acompanhar a evolução das doenças e destruir células cancerígenas aumentando, assim, as chances de resposta terapêutica. 

Segundo o diretor adjunto de Tecnologia do CNPEM, James Citadini, o equipamento nacional será mais acessível que os modelos importados, cujos custos de aquisição e manutenção dificultam sua adoção no Brasil. Ele destaca que a iniciativa fortalece a autonomia e o domínio de uma tecnologia estratégica para o País. 

Hoje, o Brasil depende majoritariamente da importação desses radiofármacos, o que gera custos elevados e risco de desabastecimento. Como os principais radioisótopos usados — como flúor-18 e gálio-68 — têm meia-vida de poucos minutos ou horas, muitas vezes não chegam a tempo a hospitais distantes dos grandes centros, atrasando diagnósticos essenciais. Com a produção mais próxima dos serviços de saúde, será possível ampliar o número de exames pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e reduzir a espera dos pacientes.

Avanços que podem transformar a oncologia

O domínio da tecnologia também abre caminho para a expansão da terapia com feixe de prótons, tratamento usado em países desenvolvidos para atingir tumores com precisão muito maior. A radiação é concentrada no alvo, preservando tecidos saudáveis. 

“Com o feixe de prótons, a radiação se concentra no tumor e preserva os tecidos saudáveis ao redor. É extremamente relevante para casos de câncer infantil e tumores próximos a regiões sensíveis, como o nervo óptico”, destaca Citadini. 

Protótipo do acelerador de prótons - Foto: Divulgação/CNPEM

Embora o CNPEM não vá atuar diretamente no atendimento médico ou na produção industrial dos radiofármacos, o projeto desenvolve e disponibiliza as bases tecnológicas para que hospitais e empresas brasileiras possam desenvolver e ofertar futuramente tratamentos mais avançados no País. 

Como está sendo viabilizado 

O projeto do acelerador recebeu aprovação do Ministério da Saúde e contará com investimento de aproximadamente R$ 27 milhões pelo Programa de Desenvolvimento e Inovação Local (PDIL), além de R$ 15 milhões de contrapartida do CNPEM, organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O prazo de execução é de dois anos. 

Segundo Citadini, o avanço é também uma forma de preservar competências que o País construiu com muito esforço: “Não existe uma formação acadêmica tradicional em engenharia de aceleradores. Essa é uma competência rara, que o Brasil desenvolveu na construção do primeiro acelerador do CNPEM (conhecido como UVX) e posteriormente na construção do Sirius e que precisa de novos desafios tecnológicos para ser mantida.”

Além de permitir futuras aplicações na medicina, o acelerador fortalece cadeias de inovação já consolidadas — como computação de alto desempenho, controle a automação, engenharia de materiais e indústria de equipamentos médicos — e atrai profissionais altamente qualificados. 

Esse movimento é sustentado por políticas públicas que incentivam a inovação. Em 2024, a Lei do Bem, política estruturante administrada pelo MCTI para apoiar projetos de pesquisa e desenvolvimento nas empresas brasileiras, impulsionou mais de R$ 40 bilhões em iniciativas tecnológicas, muitas delas direcionadas ao setor de saúde. 

Para o coordenador-geral de Tecnologias Habilitadoras do MCTI, Felipe Bellucci, essa articulação entre ciência, indústria e SUS coloca o Brasil em trajetória de autonomia tecnológica. “O MCTI coordena instrumentos essenciais para que tecnologias estratégicas, como o acelerador de prótons, avancem da pesquisa para aplicações que beneficiam diretamente a população e o SUS”, afirmou. 

Primeiro protótipo em teste 

O desenvolvimento do acelerador começou no início de 2024. A equipe projetou, construiu e integrou os subsistemas necessários para fazer os primeiros testes. O protótipo está em fase de experimentos e vai gerar feixes de prótons com energia de até 10 megaelétron-volts (MeV) ao final do projeto. Esse nível será suficiente para produzir uma variedade significativa de radioisótopos utilizados em medicina nuclear. 

Com o domínio inicial da tecnologia, a próxima etapa prevê o aumento da energia do feixe para ampliar as possibilidades de aplicações médicas. O CNPEM também articula parcerias com instituições de pesquisa e hospitais, como a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e participa de colaborações internacionais com centros de referência, incluindo o CERN, na Europa. 

Valorização de competências nacionais 

A iniciativa dá continuidade ao histórico do CNPEM no desenvolvimento de grandes instrumentos científicos. O centro é responsável pelo Sirius, o maior e mais avançado equipamento de pesquisa já construído no País. A manutenção dessa expertise contribui para a formação de profissionais altamente especializados — engenheiros, físicos e técnicos — e para a retenção de talentos em território nacional. 

O diretor James Citadini salienta que a tecnologia brasileira não apenas sustenta a ciência nacional, mas se conecta diretamente às demandas do País. “O Brasil tem carências reais na produção de radiofármacos e no acesso à radioterapia avançada. O acelerador de prótons é uma resposta estratégica que alia soberania tecnológica e benefícios concretos para a saúde da população”, afirma. 

Além de fortalecer o ecossistema científico, o projeto tem potencial para movimentar setores industriais ligados à saúde e tecnologia, estimulando inovação e transferência de conhecimento. 

Aceleradores de partículas

O acelerador de prótons é um tipo de acelerador de partículas, que são equipamentos capazes de colocar partículas subatômicas em movimento altamente controlado, utilizando campos elétricos e magnéticos. Ao ganhar energia, elas podem ser direcionadas para aplicações que exigem grande precisão e conhecimento do comportamento da matéria.

Os prótons são partículas mais pesadas, cerca de 2 mil vezes, e exigem uma arquitetura mais robusta e controle sofisticado para manter suas trajetórias estáveis. Quando acelerados, tornam-se ferramentas tecnológicas decisivas para a medicina e para a indústria, permitindo desde o desenvolvimento de novos traçadores biológicos até técnicas terapêuticas altamente direcionadas.

Outro tipo de acelerador de partículas é o de elétrons que, por serem muito leves, podem ser movimentados com maior facilidade e são essenciais em centros de pesquisa como o Sirius — que usa radiação gerada pelos elétrons para revelar detalhes microscópicos de materiais e moléculas.