segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

MCTI e Finep anunciam investimento de R$ 3,3 bilhões em projetos alinhados à Nova Indústria Bras


O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) lançaram, na sexta-feira (6), a segunda rodada de seleção pública de ações para o Programa Mais Inovação. Serão 13 editais e uma chamada para o Programa Conhecimento Brasil que, juntos, somam R$ 3,3 bilhões de investimentos em iniciativas estruturantes e mobilizadoras capazes de promover a reindustrialização nacional com foco em sustentabilidade, autonomia tecnológica e diminuição da dependência externa, com geração de empregos e renda.

Podem participar empresas brasileiras de todos os portes que tenham propostas de desenvolvimento tecnológico alinhadas às linhas temáticas definidas para os seis setores estratégicos da Nova Indústria Brasil (NIB). São eles: cadeias agroindustriais, saúde, infraestrutura, transformação digital, transição energética e defesa nacional. Os itens financiáveis são gastos de pessoal, serviços de consultoria, equipamentos e material de consumo. O anúncio do lançamento dos editais foi feito durante a reunião presencial do Comitê de Líderes da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), em São Paulo (SP).

“Este governo tem um compromisso inegociável com a inovação, com a igualdade de oportunidades entre as diferentes realidades do nosso Brasil continental, com o fortalecimento da indústria nacional e com a soberania que eleva o País a patamares superiores frente ao mundo. Temos a vocação de impulsionar a produção nacional e seguiremos essa receita que tem gerado frutos substanciais para o desenvolvimento da nossa capacidade produtiva e tecnológica”, afirmou a ministra Luciana Santos.

Essas chamadas buscam apoiar projetos de elevado grau de inovação, risco tecnológico e relevância econômico-social para o País, com foco em desafios tecnológicos considerados prioritários pela NIB, a exemplo de tecnologias para insumos farmacêuticos, fertilizantes, inteligência artificial, baterias, transição energética e minerais críticos.

Para submissão de propostas, é requisito obrigatório que as empresas tenham parceria com Instituições Cientificas e Tecnológicas (ICTs). O objetivo é estimular a mobilização do sistema de inovação nacional que promove a integração entre atores, facilitar a transferência de tecnologia, fortalecer a competitividade das empresas e impulsionar o desenvolvimento regional por meio da geração e difusão de conhecimento.

“O propósito desta rodada de oferta de recursos de subvenção econômica às empresas é contribuir para fomentar a inovação, reduzir assimetrias regionais, promover a transferência de tecnologia e fortalecer a competitividade nacional, de forma que a política pública da NIB alcance os resultados esperados”, disse o presidente da Finep, Luiz Antônio Elias.

No ciclo anterior (2024/2025), o MCTI e a Finep lançaram 13 editais de subvenção econômica, com R$ 2,5 bilhões em recursos não reembolsáveis para impulsionar projetos inovadores e de alto risco tecnológico. “Foram mais de 200 projetos contratados em todo o País, que estão gerando soluções promissoras que fortalecem a competitividade nacional e aceleram a transformação tecnológica”, contou o presidente da Finep. Os projetos envolveram ainda mais de 400 empresas parceiras, cerca de 2,8 mil pesquisadores — dos quais mais de 900 eram mestres ou doutores — e mais de 140 instituições científicas e tecnológicas.

Durante o evento, a ministra também anunciou a abertura de uma nova rodada da seleção pública Conhecimento Brasil, que passa a contemplar não apenas a repatriação, mas também a fixação e a atração de pesquisadores de excelência no País. A iniciativa da Finep reforça o compromisso com a valorização do capital humano e a consolidação da base científica nacional. O novo edital disponibilizará R$ 500 milhões para impulsionar a geração de conhecimento e inovação.

Divisão dos recursos

Total: R$ 3,3 bilhões

- R$ 500 milhões
Programa Conhecimento Brasil

- R$ 500 milhões
Transição energética

- R$ 300 milhões
Cadeias agroindustriais

- R$ 300 milhões
Saúde e a chamada regional

- R$ 300 milhões
Tecnologias digitais

- R$ 300 milhões
Base industrial de defesa

- R$ 300 milhões
Chamadas regionais (Norte, Nordeste e Centro-Oeste)

- R$ 200 milhões
Transformação mineral

- R$ 150 milhões
Economia circular e cidades sustentáveis

R$ 150 milhões
Eletrolisador nacional

- R$ 120 milhões
Mobilidade sustentável

- R$ 100 milhões
Semicondutores

- R$ 60 milhões
Desenvolvimento de trator para agricultura familiar

Prouni 2026: pré-selecionados devem comprovar informações até sexta 13


Os estudantes pré-selecionados na primeira chamada do Programa Universidade para Todos (Prouni), neste primeiro semestre de 2026, precisam entregar a documentação para a instituição privada de ensino superior (IES) em que foram pré-selecionados até sexta-feira (13), a fim de comprovar as informações prestadas no momento da inscrição.

O resultado referente ao processo seletivo do primeiro semestre foi divulgado na semana passada, com mais de 226 mil pré-selecionados. O candidato pode conferir o resultado no Portal Único de Acesso ao Ensino Superior, do Ministério da Educação, com login da plataforma Gov.br

A edição de 2026 é a maior da história do Prouni, com a oferta de 595.374 bolsas, em 895 cursos de 1.046 instituições privadas de ensino superior de todo o país.

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Entrega de documentos

O candidato pode comparecer à instituição de educação superior ou encaminhar a documentação necessária por meio virtual, conforme definido pela faculdade.

A instituição deverá disponibilizar, em suas páginas na internet, campo específico para o encaminhamento.

Se a entrega for presencial, a faculdade privada deverá orientar colaboradores para receber a documentação fisicamente nos locais de oferta de curso em que houver candidatos pré-selecionados, nos horários de funcionamento da instituição. 
Certificação do ensino médio

Para aqueles candidatos com 18 anos ou mais que fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025 para obter certificação desta etapa de ensino e se enquadram nos pré-requisitos previstos no edital do Enem, podem requerer a declaração de conclusão.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) disponibilizou o documento autenticado, na Página do Participante do Enem, o que permitirá a pré-matrícula dos pré-selecionados em instituições de educação superior de candidatos do Prouni.
Segunda chamada

Para quem está de olho nas vagas remanescentes e não foi selecionado, o resultado da segunda chamada sairá em 2 de março e a comprovação das informações será de 2 a 13 de março. 
Lista de Espera 

Para participar da lista de espera do Prouni, o candidato deverá manifestar seu interesse por meio do Portal Único de Acesso ao Ensino Superior nos dias 25 e 26 de março de 2026.

A lista estará disponível na página do Prouni, também no Portal Acesso Único, no dia 31 de março, para consulta pelas instituições de ensino superior e pelos candidatos.   

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas abre inscrições até 16 de março


Estão abertas as inscrições para a 21ª edição da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). Instituições de ensino públicas e particulares de todo o País podem se inscrever até 16 de março no site www.obmep.org.br. A competição é voltada a estudantes a partir do 6º ano do Ensino Fundamental até o 3º ano do Ensino Médio.

A Obmep é a maior olimpíada científica do Brasil. Em 2025, a primeira fase da competição atingiu o maior número de escolas e municípios da história. Foram 57.222 unidades de ensino em 5.566 cidades, o que representa 99,93% do País. Mais de 18,5 milhões de estudantes participaram da iniciativa.

A competição é promovida anualmente pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), organização social do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com recursos do MCTI e do Ministério da Educação. O objetivo é promover o ensino da matemática, melhorar a qualidade da educação básica no País e reconhecer jovens talentos.

Premiação

O diretor-adjunto e gerente de Olimpíadas do Impa, Jorge Vitório Pereira, destaca a quantidade de premiações neste ano. “Em 2026, serão distribuídas 8.450 medalhas nacionais, sendo 650 de ouro, 1.950 de prata e 5.850 de bronze. Além disso, vamos distribuir mais de 50 mil certificados de menção honrosa”, afirma.

Os alunos de escolas públicas premiados nacionalmente são convidados a participar do Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC), que incentiva o desenvolvimento acadêmico e oferece uma bolsa por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Como se inscrever

As inscrições são feitas diretamente pelas escolas no site da Obmep. O regulamento e todas as informações também estão na página.

Etapas

A Obmep tem duas fases. A primeira consiste em uma prova objetiva com 20 questões, que será aplicada pelas escolas em 9 de julho. Os estudantes mais bem colocados são classificados para a fase seguinte, marcada para 17 de outubro. Nessa fase, os estudantes passam por uma prova composta por seis questões discursivas em local a ser definido.

As provas são elaboradas de acordo com o grau de escolaridade dos alunos:

Nível 1: 6º e 7º anos do Ensino Fundamental
Nível 2: 8º e 9º anos do Ensino Fundamental
Nível 3: Ensino Médio

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Com voo para Lisboa, São Luís terá primeira rota internacional


A capital do Maranhão, São Luís, terá sua primeira rota de voos internacionais regulares de passageiros no Aeroporto Marechal Cunha Machado. A partir de outubro, o terminal vai operar um voo direto para Lisboa. O anúncio foi feito pelo governo do Maranhão e pela empresa aérea TAP Portugal.

O primeiro voo deve partir no dia 26 de outubro, com as passagens disponíveis para venda já a partir desta quinta-feira (5). Serão dois voos semanais conectando diretamente o Maranhão à Europa; sendo um voo direto e outro com escala em Fortaleza (CE).

O avião vai decolar de São Luís à 1h40 da madrugada, sempre às terças e sextas-feiras, com pouso na capital cearense às 3h. A partida de Fortaleza está prevista para 4h30 da manhã, chegando à capital portuguesa às 14h50 no horário local. No trajeto inverso, os aviões vão decolar de Lisboa sempre às segundas e quintas-feiras, às 19h05 da noite no horário local, pousando em São Luís por volta de 0h10.

A aeronave que irá operar a rota tem capacidade para 16 passageiros na classe executiva e 155 na econômica.

E já existe um plano para ampliar o número de voos semanais entre o Brasil e Portugal através da rota maranhense, como destacou o diretor da TAP para as Américas, Carlos Antunes.

"A partir de março do ano que vem, 2027, já passamos a ter três voos por semana. Isso reduz enormemente o tempo de viagem entre a Europa e São Luís do Maranhão."

Com este novo roteiro , a TAP também expande suas operações no Brasil, fazendo de São Luís o 15ª destino da companhia no país e da empresa aérea europeia, a que tem a maior presença no Brasil.

CIÊNCIA Dias de 25 horas? A ciência explica por que não há motivo para alarde


Você viu circular por aí que a Terra passará a ter dias de 25 horas porque a rotação do planeta estaria desacelerando de forma contínua? A informação ganhou força nos últimos dias e não é totalmente incorreta, mas vem acompanhada de certo tom sensacionalista. Essa variação acontece em um ritmo praticamente imperceptível, na casa de milissegundos. Para se ter ideia, 1 milissegundo corresponde a 0,001 segundo. Trata-se de um fenômeno sutil, observado e medido ao longo de décadas e séculos.

A Terra tem dois movimentos principais: rotação e translação. A rotação é o giro em torno do próprio eixo e explica a alternância entre dia e noite. Já a translação é o deslocamento do planeta em uma órbita elíptica ao redor do Sol. Nesse caso, de acordo com o Departamento de Física da Universidade Federal do Paraná, é o movimento de rotação que está na base da discussão que vem sendo difundida.

Segundo o astrônomo do Observatório Nacional (ON) e diretor substituto da unidade vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Fernando Roig, o fenômeno é causado fundamentalmente por causa da influência gravitacional da lua através das forças de maré. “Não vai ser necessário fazer nenhum ajuste no calendário, nem nos relógios, nada disso vai ter que ser modificado. Esse não é um fenômeno novo, é conhecido desde o século XVIII”, esclarece o pesquisador.

Além da influência da lua, outros fatores contribuem para a diminuição da velocidade de rotação da Terra. “As mudanças climáticas, tanto nos períodos glaciares, de baixa temperatura, como aquecimento global, se a temperatura da Terra aumentar significativamente. Isso causa alterações na velocidade de rotação da Terra, mas não são alterações tão drásticas”, detalha Roig.

A duração da rotação da Terra é de 24 horas, ou seja, mais precisamente de 23 horas, 56 minutos e 4 segundos, e sua velocidade é de 1,666 Km/h na altura do equador. Nos polos, a velocidade é nula. Fernando Roig ainda enfatiza que esse tipo de notícia, da forma em que ela é normalmente veiculada, atrapalha a divulgação científica.

“Se utilizam títu⁶los com caráter sensacionalista e com caráter exagerado que não contribuem para um correto entendimento do fenômeno físico que existe por trás do problema”, explica o pesquisador.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

SINPROESEMMA recebe senador Weverton Rocha e reforça luta em defesa da educação e dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras


A direção do Sinproesemma recebeu na manhã desta terça-feira, 03 de fevereiro, o senador Weverton Rocha (PDT-MA) na sede do Sindicato.

O presidente do Sinproesemma, Raimundo Oliveira, deu boas-vindas ao senador e apresentou as pautas da educação como a Campanha Salarial 2026 dos trabalhadores em educação do Maranhão, a luta pela aprovação do PL 2531/21 que trata sobre o Piso Salarial Nacional dos Funcionários de Escola, além de pautas nacionais importantes em um ano decisivo para o futuro do Brasil.


A direção do Sinproesemma destacou a necessidade de valorização dos trabalhadores em educação, com a garantia do reajuste da Portaria mais as perdas salariais acumuladas, o destravamento da tabela salarial achatada em 2020, o reenquadramento dos funcionários de escolas que estão recebendo abaixo do salário mínimo, reajuste no auxílio alimentação com parâmetros claros, entre outros pontos da pauta que este ano tem 17 itens.

Os diretores do Sinproesemma reforçaram a importância do apoio político e institucional do senador na defesa dessas pautas estaduais e também no Senado Federal.

O senador Weverton se colocou a disposição dos educadores maranhenses e falou sobre o trâmite do PL 2531/21 que deve chegar ao Senado Federal depois do Carnaval.

“O PL 2531 valoriza todos os profissionais trabalhadores da educação, o vigia o administrativo, a merendeira todos os trabalhadores que estão dentro da escola e prevê o pagamento de acordo com o piso do magistério, 75% desse piso, e com isso nós vamos dar dignidade e valorizar esses trabalhadores está aprovado na Câmara dos Deputados, terminando só de vencer alguns prazos burocráticos, mas depois do Carnaval já chega no Senado e ai é com a gente, vamos pra luta”, disse o Senador.


Para o presidente do Sinproesemma, Raimundo Oliveira, o encontro foi positivo e reforça a importância do diálogo entre o sindicato e representantes do Maranhão no Senado Federal.

“Consideramos fundamental esse espaço de diálogo com o senador Weverton Rocha. Trouxemos nossas preocupações e reivindicações, especialmente em relação à campanha salarial 2026 e aos projetos que tramitam no Congresso e que podem impactar diretamente a vida dos trabalhadores e trabalhadoras em educação. Seguiremos firmes na luta em defesa dos direitos da nossa categoria e esperamos contar com o compromisso do senador nessa caminhada”, afirmou Raimundo Oliveira.

Fonte: ASCOM - SINPROESEMMA

Soberania tecnológica se constrói com pessoas: como a formação de talentos impulsiona a autonomia científica do País


Em um mundo em que conhecimento é poder e tecnologia molda competitividade, garantir que o Brasil construa capacidades próprias é mais do que uma ambição: é uma necessidade estratégica. A soberania tecnológica — isto é, a capacidade de desenvolver soluções científicas, produtos e plataformas tecnológicas internamente — abre caminhos para a autonomia econômica e social.

As histórias de quem faz ciência no Brasil costumam começar cedo, muitas vezes ainda na graduação, quando o primeiro contato com a pesquisa abre caminhos que se estendem por toda a vida profissional. É nesse momento que o investimento público se revela decisivo, ao oferecer condições para que talentos sejam formados, permaneçam no sistema científico e avancem em trajetórias de longo prazo, dentro e fora do País.

Ao longo desse percurso, bolsas de estudo, programas de mobilidade e políticas de fomento funcionam como pontes entre a formação inicial e a pesquisa de alto nível. A experiência internacional, longe de representar uma ruptura, passa a integrar um ciclo mais amplo de qualificação, no qual o retorno ao Brasil se torna parte estratégica do fortalecimento da ciência nacional.

No caso do físico Deyvid do Carmo Silva, esse percurso foi sendo construído passo a passo, sempre amparado pelas bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Da iniciação científica ao pós-doutorado no exterior, o apoio público garantiu continuidade, permitiu o amadurecimento acadêmico e o inseriu em redes internacionais de pesquisa.

O retorno ao Brasil, viabilizado pelo programa Conhecimento Brasil, marcou um novo capítulo: a possibilidade concreta de transformar a experiência acumulada fora em infraestrutura, produção científica e formação de novos talentos dentro do País.

“Hoje fica muito claro para mim que esse investimento contínuo em formação realmente funciona: ele forma pesquisadores preparados para atuar em qualquer lugar do mundo e, ao mesmo tempo, cria as condições para que possamos voltar e contribuir para a ciência brasileira”, afirma.

O programa Conhecimento Brasil, executado pelo CNPq com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), é um dos principais exemplos dessa estratégia de qualificação do capital humano. Com foco em atrair pesquisadores brasileiros que atuam no exterior ou que tenham concluído doutorado ou pós-doutorado fora do País, a iniciativa abriu chamadas públicas que resultaram em centenas de projetos aprovados para execução em universidades, instituições de pesquisa e empresas nacionais.

Na chamada mais recente, foram aprovados 599 projetos, com investimento previsto de cerca de R$ 604 milhões. A maior parte das iniciativas é desenvolvida em universidades e institutos de pesquisa brasileiros, além de ações em empresas, com distribuição territorial que contempla regiões historicamente subfinanciadas, como Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Mais do que números, os resultados do programa se traduzem em histórias concretas de continuidade científica, nas quais o retorno ao Brasil não interrompe carreiras, mas amplia impactos e consolida grupos de pesquisa em áreas estratégicas.

Na neurociência, a trajetória de Lívia Hecke Morais segue um fio semelhante. Bolsista desde a graduação, ela acompanhou de perto o papel do CNPq em cada etapa de sua formação, até a experiência internacional que ampliou seu repertório científico. O retorno ao Brasil não significou recomeçar do zero, mas dar continuidade a uma história já em curso, agora com a chance de aplicar o conhecimento adquirido fora em diálogo direto com instituições nacionais, estudantes e grupos de pesquisa locais.

A repatriação representou um ponto de inflexão: a ciência feita no exterior passou a ganhar sentido concreto ao ser incorporada às demandas e desafios do País. “Sem apoio desde cedo, perdemos muitas pessoas com potencial. O Conhecimento Brasil chegou no momento certo, permitindo que minha ciência continuasse a fazer sentido e pudesse ser colocada a serviço do País”, destaca.

De acordo com os dados da demanda bruta submetida às duas chamadas do programa Conhecimento Brasil, mais de 2,5 mil pesquisadores e pesquisadoras brasileiros radicados em 56 países demonstraram interesse em regressar ao Brasil ou atuar em cooperação científica com instituições e empresas nacionais — um indicativo claro da mobilidade da comunidade científica e do potencial de retorno de talentos altamente qualificados ao sistema nacional de ciência e tecnologia.

Já Ana Paula Nascimento de Lima construiu sua carreira em trânsito, circulando por centros de pesquisa internacionais e formando uma rede de colaborações que ultrapassa fronteiras. Essa vivência ampliou sua formação técnica e reforçou uma convicção central: ciência se constrói de forma coletiva e com continuidade. Com o apoio do Conhecimento Brasil, o retorno ao País abre espaço para consolidar linhas de pesquisa, fortalecer parcerias com instituições estrangeiras e atuar na formação de novos pesquisadores, conectando o sistema científico brasileiro a fluxos globais de conhecimento.

“Ciência não se faz sozinha. O papel do CNPq é garantir continuidade, autonomia e colaboração para que possamos construir um legado científico e tecnológico de longo prazo no Brasil”, disse Ana Paula Nascimento de Lima.

Da formação de talentos à autonomia tecnológica

Esse conjunto de iniciativas se insere em uma atuação mais ampla do Governo do Brasil para fortalecer a base científica nacional. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) tem trabalhado de forma articulada para transformar essa visão em política pública, combinando investimentos, programas estruturantes e ações voltadas à formação e à valorização de pesquisadores em todas as regiões do País.

A consolidação da soberania tecnológica passa pela capacidade de estruturar um ecossistema científico sólido, com instituições fortalecidas, financiamento previsível e oportunidades para que profissionais altamente qualificados desenvolvam suas atividades no Brasil. Ao integrar essas frentes, o Poder Público busca reduzir dependências externas, ampliar a produção de conhecimento aplicado e alinhar a ciência às estratégias de desenvolvimento econômico e social.

“A soberania tecnológica não é um conceito distante: constrói-se com investimento contínuo, políticas consistentes e com profissionais qualificados que atuem aqui. Nossa missão é transformar recursos em capacidade produtiva, para que o Brasil decida, produza e inove com autonomia”, afirmou a ministra Luciana Santos ao destacar a importância da formação e da ciência para o futuro do País.

Essa diretriz também se reflete no fortalecimento institucional dos órgãos de fomento. Ampliando o alcance do Conhecimento Brasil e de outras ações estratégicas do CNPq, o Governo do Brasil publicou a Portaria GM/MPO nº 12/2026, que recompôs o orçamento da entidade com um crédito suplementar de R$ 186,3 milhões dedicado à formação, capacitação e à fixação de recursos humanos no sistema nacional de ciência e tecnologia.

Para o presidente do CNPq, Olival Freire Júnior, a recomposição representa um passo relevante na retomada das políticas de fomento. “Com a recomposição de R$ 186 milhões no orçamento de bolsas do CNPq, voltamos ao patamar previsto na PLOA, recuperando cortes anteriores. Trata-se de medida positiva que expressa a sensibilidade do presidente Lula com os desafios da ciência e tecnologia. Contudo, esses valores ainda não bastam para estabilizar o fluxo de bolsas contempladas pelo CNPq”, explicou.