segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Exposição da artista maranhense Marlene Barros é destaque na programação cultural do CCBB São Paulo


O Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo recebe a exposição Marlene Barros: Tecitura do Feminino, primeira mostra individual da artista maranhense na instituição. Com curadoria de Betânia Pinheiro, a exposição reúne 15 trabalhos produzidos em diferentes momentos da trajetória de Marlene Barros, entre esculturas, bordados, crochês, instalações e objetos, que transformam técnicas tradicionalmente associadas ao ambiente doméstico em linguagem artística para discutir questões relacionadas ao corpo feminino, à memória, ao cuidado e às estruturas históricas que invisibilizaram a produção das mulheres.

Com mais de quatro décadas de atuação, Marlene Barros construiu uma pesquisa artística que tem o universo feminino como eixo central de sua produção. Em suas obras, linha, tecido, bordado e crochê deixam de ocupar o lugar do fazer utilitário para se afirmarem como instrumentos de elaboração estética, crítica e política.

Inspirada em uma pesquisa iniciada durante seu mestrado em Arte Contemporânea na Universidade de Aveiro, em Portugal, a artista parte da ideia da costura como gesto de reparação simbólica. O projeto nasceu a partir da proposta de intervir em uma casa em ruínas localizada no campus da universidade, experiência que levou Marlene a estabelecer relações entre arquitetura, memória e corpo.

Na exposição, costurar torna-se um gesto de reconstrução, enquanto o entrelaçamento das linhas remete às relações familiares, aos afetos, às heranças culturais e às marcas deixadas pelo tempo. Ao mesmo tempo, a mostra evidencia como atividades historicamente desempenhadas por mulheres foram sistematicamente desvalorizadas e afastadas do reconhecimento institucional no campo das artes.

"Essa exposição nasceu de uma pesquisa muito íntima sobre a condição da mulher, os saberes transmitidos entre gerações, o trabalho invisibilizado, os afetos, as cicatrizes e as resistências que atravessam nossas vidas. Ver esse trabalho ganhar novos sentidos a partir do olhar de cada visitante foi um dos maiores presentes que eu poderia receber. Esse é, para mim, o verdadeiro sentido da arte." comenta Marlene Barros

Reunindo obras produzidas em diferentes períodos da trajetória da artista, Marlene Barros: tecitura do feminino apresenta um percurso que atravessa temas como maternidade, identidade, sexualidade, violência, pertencimento e memória. Sem seguir uma ordem cronológica, a mostra propõe um percurso livre, aproximando trabalhos que dialogam entre si por meio da materialidade dos tecidos, dos bordados e das esculturas.

Entre os destaques está "Eu tenho a tua cara", instalação composta por 49 rostos femininos que tensiona as relações entre identidade, alteridade e construção social do indivíduo. Em “Caixa Preta", fotografias, colagens, intervenções têxteis e escritos formam um autorretrato expandido, atravessado por memórias pessoais e afetivas.

Já “Coso porque está roto” utiliza um casaco bordado para estabelecer relações entre corpo, cura e reparação simbólica, enquanto “Entre nós" propõe uma imersão em peças confeccionadas em crochê que revisitam práticas tradicionalmente atribuídas às mulheres. Em “Quem pariu, que embale”, Marlene Barros questiona a naturalização do cuidado como responsabilidade exclusivamente feminina.

Durante o período expositivo, a programação educativa reúne atividades voltadas a públicos de diferentes idades, como visitas mediadas, oficinas, palestras e experiências de criação coletiva relacionadas aos processos de bordado, costura e crochê. As ações ampliam o diálogo com a exposição e convidam o público a experimentar essas técnicas como formas de expressão, elaboração da memória e compartilhamento de experiências.

"Iniciamos essa conversa em São Luís, ampliamos esse percurso em Belo Horizonte e agora esperamos que o público de São Paulo entre nessa ciranda para dar continuidade a esse diálogo. É uma conversa que não se encerra nas obras, mas se amplia nas experiências compartilhadas entre muitas pessoas. Espero que sigamos refletindo sobre o feminino como uma construção histórica, social e cultural, honrando as ancestrais que abriram os caminhos para que hoje possamos compartilhar experiências, memórias e narrativas de mulheres." comenta a curadora Betânia Pinheiro.

Para Gabriela Azevedo, gerente geral do CCBB São Paulo, “receber esta exposição, que transforma práticas têxteis em expressões poéticas e políticas, é reafirmar a diversidade das expressões femininas na arte brasileira. São esculturas, instalações, objetos que representam práticas e memórias historicamente marginalizadas e realizá-la no CCBB é fortalecer o compromisso com a escuta, a reflexão e ampliação de perspectivas sobre o feminino na contemporaneidade”.

SOBRE AS AÇÕES EDUCATIVAS

Para a exposição Tecitura do Feminino, o programa CCBB Educativo – Arte e Cultura preparou uma série de atividades gratuitas, para toda a família. O público poderá interagir com o Sensorial Estúdio “Tornar-se Pele”, criado como um símbolo de uma travessia por todas as peles que nos vestiram. A programação traz ainda duas ações cênico-musicais. Em Som em Cena: “Tear-te” o trabalho manual se transforma em ritmo, entendendo o gesto repetitivo como composição. Já no InsPIRAção: “COMfiar”, a equipe educativa enreda significados das obras com os visitantes passantes usando fios, nós e tramas.

Aos sábados e domingos, o projeto Tardes Brincantes traz atividades livres e com hora marcada para que, fio a fio, visitante a visitante, sejam tecidas as experiências. O público poderá participar da oficina Primeiro Brincar: “trAvessos”, que convida os pequenos a descobrir o avesso do corpo e adentrar nesses órgãos. Já na Oficininha: “Eu tenho sua máscara”, as crianças são convidadas a criar uma nova face para Cazumbá, personagem do Bumba Meu Boi da Baixada Maranhense.


Outra opção é a FaBrincando: “Tramas em Retalhos”, em que as crianças experimentam o bordado em diferentes suportes, como papel, pedra e madeira. Para os fãs de histórias e leituras, a contação Conto um Conto “De Ponto em Ponto’” traz uma seleção da tradição oral, enquanto o projeto “Que Livro é Esse?” terá como opções as obras Meninas podem ser tudo, Meninos podem ser tudo, O quintal das irmãs, A menina que bordava bilhetes, A tecelã dos sonhos e Este não é um livro de princesas.

Durante o período da exposição é possível conferir ainda a Oficina Integrada: Linha Em fusão, com senhas distribuídas 15 minutos antes de cada sessão. Esta prática de ateliê traz como inspiração a matéria-prima da artista Marlene Barros, ensinando aos participantes o ofício de fiar.

A programação ainda inclui visitas mediadas com a curadora Betânia Pinheiro, workshop sobre curadoria, mediação e acessibilidade, a oficina “Arpilleras de si”, conduzida pela própria artista, além de performances e práticas de ateliê abertas ao público. As atividades contemplam diferentes perfis, entre educadores, artistas, estudantes, produtores culturais e público em geral, criando espaços de troca, experimentação e reflexão a partir dos temas presentes na exposição.

SOBRE A ARTISTA

Natural de Bacurituba (MA), Marlene Barros é artista visual, pesquisadora e produtora cultural. Com mais de quarenta anos de trajetória, desenvolve trabalhos em escultura, crochê, pintura, performance, instalação e intervenção artística, tendo o universo feminino como principal eixo de investigação.

É coordenadora do Ateliê Marlene Barros e do Ponto de Cultura Coletivo ZBM, espaços dedicados à formação artística e ao fortalecimento da produção cultural maranhense. É bacharel em Desenho Industrial pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), especialista em Artes Visuais: Cultura e Criação pelo Senac e mestre em Arte Contemporânea pela Universidade de Aveiro, em Portugal.

SERVIÇO

Marlene Barros: Tecitura do Feminino
Período: 26 de agosto de 2026 a 25 de janeiro de 2027
Local: Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo
Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro Histórico – São Paulo (SP)
Entrada gratuita

Ações Formativas

Visita mediada da exposição*
Data: 29 de agosto (sábado)
Horário: 10h
Com: Betânia Pinheiro, curadora
Público: 
público em geral

Workshop “Tecendo Experiências: Curadoria, 
Mediação e Acessibilidade”*
Data: 24 de outubro (sábado)
Horário: 15h às 17h30
Com: Betânia Pinheiro, curadora
Público: educadores, mediadores culturais, artistas, estudantes, produtores culturais e demais interessados

Oficina “Arpilleras de si"
Data: 12 a 15 de novembro
Horários: quinta e sexta, das 15h às 18h; sábado e domingo, das 10h às 13h
Com: Marlene Barros
Público: mulheres cis e trans, pessoas não binárias, artesãs e artistas maiores de 18 anos

Prática de ateliê

A partir de 04 de setembro
Datas: sextas, sábados e domingos
Horários: 12h30 às 14h e 18h30 às 20h
Público: público em geral

Funcionamento

Aberto todos os dias, das 9h às 20h, exceto às terças-feiras.

Informações
Telefone: (11) 4297-0600

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Fafá de Belém, o Musical estreia em São Luís com casa lotada, emoção e uma celebração grandiosa da cultura brasileira


Espetáculo que celebra os 50 anos de carreira de Fafá de Belém emocionou o público maranhense e abriu temporada com sucesso absoluto no Teatro Arthur Azevedo

A espera terminou em grande estilo. “Fafá de Belém, o Musical” estreou na quinta-feira, 20 de agosto, em São Luís, diante de uma casa completamente lotada, em uma noite marcada pela emoção, pela música e pela grandiosidade de uma produção que celebra cinco décadas de uma das trajetórias mais importantes da música brasileira.

Apresentado pelo Ministério da Cultura e pela Petrobras e realizado pela Charge Produções, o espetáculo chegou ao Teatro Arthur Azevedo trazendo para o palco uma história que vai muito além de uma biografia musical. É uma viagem pela memória, pela Amazônia, pela cultura popular, pela família, pela política, pela identidade e, principalmente, pela força de uma artista que transformou sua voz em símbolo da cultura brasileira.

Desde os primeiros momentos, o público foi envolvido pela beleza da montagem. Cenografia, iluminação, música, dança, interpretação e elementos da cultura amazônica se encontram em uma produção grandiosa, criando uma experiência visual e emocional que conquistou a plateia.

Um dos grandes momentos da noite foi a atuação de Lucinha Lins, que interpreta Fafá de Belém em sua fase mais madura. Aos 73 anos, a atriz empresta sua experiência e sensibilidade à personagem, dando vida a uma mulher de personalidade forte, intensa e profundamente conectada às suas raízes.

A história também apresenta diferentes fases da vida da cantora. Laura Saab e Clarah Passos interpretam Fafá na infância, enquanto Helga Nemetik e Lucinha Lins representam outras fases de sua trajetória, construindo no palco uma narrativa que atravessa décadas.

E, claro, a música ocupa um lugar especial nessa história. Canções como “Foi Assim”, “Amazônia”, “Bom Dia Belém”, “Coração do Agreste”, “Nuvens de Lágrimas” e “Vermelho” ajudam a conduzir o público por momentos marcantes da carreira da cantora e transformam o teatro em um grande encontro com a memória afetiva brasileira.

Mais do que contar a história de Fafá de Belém, o espetáculo celebra a própria Amazônia e sua importância para a identidade cultural do país. É uma homenagem às raízes, à diversidade, à música e às histórias que atravessam gerações.

A estreia em São Luís confirmou a força dessa produção. Casa lotada, aplausos, emoção e uma plateia entregue do início ao fim marcaram a primeira noite da temporada maranhense.

Mas a festa está apenas começando.

“Fafá de Belém, o Musical” segue em cartaz no Teatro Arthur Azevedo até o dia 30 de agosto, com novas oportunidades para o público maranhense viver essa experiência.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Clarice Lispector: cartas revelam rede de afetos e obra da escritora desde a primeira correspondência


O ensaísta, escritor e professor Evando Nascimento abordará as correspondências de Clarice Lispector que aparecem no livro Todas as cartas, na quarta conferência do ciclo “Cartas na mesa” na terça-feira, 22 de setembro, às 16h. Evando falará sobre duas vertentes: a primeira se dedica à rede de afetos constituída ao longo da correspondência de Clarice Lispector em relação à família e às amizades, e também em questões profissionais.

A segunda, também em matéria de rede de afetos, falará sobre as relações entre a vida e a obra da escritora, desde a primeira carta preservada na década de 40 até os anos 70, quando morre. A ênfase recairá sobre as cartas trocadas com escritores como Lucio Cardoso, João Cabral de Melo Neto e Rubem Braga.

“A hipótese é que o correio entre a escritora e seus pares serve como um laboratório de reflexão sobre a literatura em geral e sobre sua obra em particular. Exatamente por isso, pretendo desenvolver a ideia de que as cartas de escritores/escritoras e artistas não têm apenas um destinatário específico, mas se destinam à posteridade. Ou seja, estão também endereçadas a nós leitores e leitoras do porvir”, explica Evando.

Com coordenação do Acadêmico Godofredo de Oliveira Neto, a conferência tem entrada franca e as inscrições podem ser feitas pelo link: https://www.even3.com.br/clarice-lispector-772556

A palestra também será transmitida pelo canal de Youtube da ABL: https://www.youtube.com/live/PORgWSWBopY?si=yiHc0JcP9qVMbHxD

Na próxima e última conferência do ciclo de setembro, o professor da USP e pesquisador Thiago Mio Salla falará sobre as correspondências de Graciliano Ramos.

Sobre Evando Nascimento

Evando Nascimento é ensaísta, escritor, professor universitário e artista visual. Autor do livro Clarice Lispector: uma literatura pensante (ed. Civilização Brasileira, 2012), e dos prefácios à edição especial de Perto do coração selvagem (2023) e da reedição de Todas as cartas (2025), ambos pela editora Rocco. Atualmente, conclui um novo livro sobre a autora, reunindo ensaios e conferências realizados nos últimos anos.

Fonte: ABL

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Brasileiros se destacam em festivais internacionais de cinema


O Festival de Locarno, na Suíça, premiou o filme pernambucano “A Margem do Rio” com o Prêmio Especial do Júri, no último sábado (15/8). Dirigido por Matheus Farias e Enock Carvalho, o longa-metragem foi o único título brasileiro no festival.

“A Margem do Rio” conta a história de romance entre dois homens, Izaquiel, um auxiliar de serviços gerais, e Jeremias, um pescador. Ambientado em Recife e estrelado por Caique Copque e Ítalo Martins, o título conta ainda com Robério Diógenes, Carlos Francisco, Renna Costa, Enio Cavalcanti, Artia e Isis Broken no elenco.

Outros destaques brasileiros

Dois anos após o prêmio de Melhor Roteiro de “Ainda Estou Aqui” no Festival de Veneza, na Itália, o Brasil volta a ser reconhecido com a seleção do longa “Retorno a Buenos Aires”, de Marco Bechis. O 83º Festival Internacional de Cinema de Veneza será realizado entre os dias 2 e 12 de setembro.

A coprodução com a Itália conta a história de Mariano Guerra, interpretado por Adriano Giannini, que precisa retornar à capital argentina depois de 33 anos morando na Itália para ser testemunha no julgamento de militares que o sequestraram e torturaram durante a ditadura no país. No elenco, estão os brasileiros Paula Cohen e Eduardo Hoy.

Outro destaque é a coprodução Brasil, França e Portugal, “A professora de francês”, filme de Ricardo Alves Jr, que foi selecionado para a mostra competitiva Horizontes Latinos do Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, na Espanha. O festival ocorre de 18 a 26 de setembro.

Filmado em Belo Horizonte (MG), o longa-metragem é estrelado por Grace Passô e Pedro Goifman e acompanha Graça, uma mulher que vive com a namorada francesa, Clara, e dá aulas particulares de francês. Ante um problema de saúde do pai, a professora volta a morar na casa onde cresceu e descobre que os vizinhos organizaram uma seita. Elisa Lucinda, Bárbara Cohen, Rômulo Braga, Eduardo Moreira e Italo Laureano também estrelam a produção.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Roda de Capoeira: Patrimônio Cultural do Brasil une luta, dança e música


Uma das mais antigas manifestações culturais do Brasil, a Capoeira reúne dança, luta, música e tradição e pode ser entendida como esporte e arte. Presente em todos os estados brasileiros, a prática é marcada pela diversidade de estilos, pela transmissão de saberes entre gerações e pela valorização da cultura afro-brasileira.

Em 2008, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), vinculado ao Ministério da Cultura (MinC), reconheceu a Roda de Capoeira como Patrimônio Cultural do Brasil. Em 2014, a manifestação recebeu da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

O reconhecimento internacional reforça a importância da herança cultural afro-brasileira e dos conhecimentos associados à prática.

Além da Roda de Capoeira, outras expressões brasileiras já receberam o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Entre elas estão o Samba de Roda do Recôncavo Baiano, Arte Kusiwa - Pintura Corporal, Frevo e Círio de Nazaré (PA).

Círculo

Na Roda de Capoeira, os praticantes formam um círculo no centro do qual dois jogadores se enfrentam. Os movimentos exigem habilidade, coordenação e domínio corporal, enquanto os demais participantes cantam, batem palmas e tocam instrumentos de percussão.

O berimbau, o atabaque e o pandeiro conduzem o ritmo da roda. Ao som dos instrumentos, os jogadores improvisam, se desafiam e estabelecem um diálogo por meio da ginga e dos movimentos característicos da capoeira.

Na roda, o mestre exerce papel fundamental. Guardião dos conhecimentos da tradição, cabe a ele ensinar o repertório, preservar a coesão do grupo e orientar o cumprimento dos códigos e rituais da prática. Também costuma conduzir os cânticos e o ritmo do jogo.

Saberes

O aprendizado da Capoeira ocorre principalmente pela observação e pela prática. A roda é também um espaço de convivência, respeito e integração social.

É nesse ambiente que iniciantes são acolhidos nos batizados e que mestres e mestras são formados e reconhecidos por suas comunidades. Os conhecimentos, técnicas, músicas e tradições são transmitidos de geração em geração e, ao mesmo tempo, renovados pelas novas experiências.

A manifestação cultural também contribui para preservar a memória da resistência à opressão histórica e fortalecer os vínculos entre comunidades e grupos.

Com diferentes formas de expressão e estilos, a Capoeira segue como uma manifestação viva da cultura brasileira.

sábado, 15 de agosto de 2026

Por que colecionar livros? Antonio Carlos Secchin e João Almino falam sobre poesia e apego a obras raras


Em conversa sobre colecionismo, biblioteca e valor cultural dos livros e acervos, os Acadêmicos Antonio Carlos Secchin e João Almino falaram sobre o que motiva o colecionador a garimpar livros, o processo de acumular obras raras, a importância da conservação de livros e como eles são formas expressivas de uma sociedade. Eles também abordaram o apego a peças e o saber do compartilhar, como o ato de fazer o livro circular através de doações, empréstimos ou em bibliotecas particulares e públicas que abrigam acervos valiosos.

Foram esses os assuntos trazidos na última mesa com participação da ABL na FLIN. O tempo chuvoso não impediu o público de comparecer à Arena FLIN, que contou com um público de diversas faixas etárias , ávido pelo conhecimento e pela curiosidade de entender quais são os critérios comuns a um colecionador e o que é levado em consideração na escolha de uma obra para agregar à coleção.

“Eu estou num movimento de “despossuir” livros. Fui acumulando livros. Tenho um acervo com mais de 8.000 livros. Já fiz uma doação de 1.300 obras para uma biblioteca pública. Conforme as minhas mudanças de casa durante a vida, que já ultrapassam oito, eu ia me desfazendo. Além de cópias físicas, passei a ler também cópias digitais em Kindle e às vezes livros que não são impressos, que só existem em pdf. E passei a incorporar isso ao meu celular e ao meu computador também”, afirmou João Almino.

Antonio Carlos Secchin confessou certa resistência em relação à cultura do ebook. Para ele, falta ao ebook o livro raro, o exemplar único, os livros diferenciados.

O acadêmico disse que o livro físico fascina. “O leitor comum se interessa pelos textos e pelas imagens, enquanto o bibliófilo, como é o meu caso, se interessa pelo suporte físico dos textos e das imagens.” Ele elencou alguns elementos que marcam essa fronteira extensa entre a sensação de ler um livro físico e um digital, especialmente para o bibliófilo.

“É o aparato o livro: as ilustrações, as erratas, o prefácio, a capa, e até o material do papel. São informações que chamamos de “peritextuais”, aquelas que estão no perímetro do livro. Isso também é informação da obra.



A forma também conta.” Secchin disse que sempre teve um grande interesse em conhecer os autores marginalizados do cânone da literatura brasileira:

“Sou uma pessoa que gosto simultaneamente da literatura e dos livros. Como começar a conhecer os autores desconhecidos? “No campo da poesia, o cânone abrange os poetas mais clássicos Gonçalves Dias, Fagundes Varella, Casimiro de Abreu, entre outros…”

Um instrumento ideal para esse desbravar de chegar a esses autores que não são populares seriam as antologias, pelas quais o poeta cultiva enorme apreço.

Por conta do ebook todos os livros estão condenados à eternidade. Secchin lembra que, antigamente, os livros eram extintos por conta dos seus suportes físicos. O bibliófilo teria, então, essa função de ir contra a maré do desaparecimento total da obra.

Para Secchin, há dois tipos de bibliofilia: a intransitiva, que está relacionada à posse de algo exclusivo, que o outro não tem, o prazer que reside nesse impedimento, e a bibliofilia transitiva: aquela categoria de bibliófilos que ocupam um lugar de guardião de um tesouro que pertence a todos - e deve e merece ser compartilhado.

Como curiosidade e depois de muita pesquisa, Secchin disse que o primeiro a utilizar o verso livre no Brasil foi Guerra Duval, no livro “Palavras que o vento leva”.

João Almino trouxe a ideia das múltipas interpretações que podem variar até mesmo de forma individual, conforme a passagem do tempo, novas experiências e perspectivas. “O livro vai se modificando à medida que nós vamos mudando“.

"Na minha experiência, quando eu volto a marcações feitas em um livro, vejo que elas não são tão mais importantes assim. O livro tem essa capacidade de ser um ente vivo”, destacou.



Por que possuir livros? Por que colecionar?

O bibliotecário e arquivista Carlos Juvêncio, formado pela UFF, falou que o ato de colecionar livros abrange dois estilos de pessoas, com comportamentos bem distintos: os hereges que não fazem marcações em livros, e os que grifam os trechos que mais chamaram atenção no livro, que são os com os quais ele mais se identifica.

“O livro colecionado é como um item de desejo. O ato de colecionar é um ato de memória, conservação e de se colocar naquela obra, de alguma forma. O livro tem múltiplas significações. O colecionismo move a gente”, afirmou.

Segundo o bibliotecário, a coleção só faz sentido para o colecionador e esse talvez seja o seu grande demérito.

“Quando a coleção é incorporada à outra ela pessoa ganha ressignificados”.

O arquivista também lembrou a importância de se ter políticas públicas sólidas e constantes para desenvolver as bibliotecas, que são esse espaço de troca de saberes, de arquivos preciosos, e de livros que precisam de um cuidado de conservação para que continuem em circulação.

Fo nte: ABL

Ministério da Saúde reforça vacinação de crianças e adolescentes contra sarampo, pneumonias e outras doenças


O Ministério da Saúde inicia a Campanha de Multivacinação 2026 para atualizar a caderneta de crianças e adolescentes menores de 15 anos e elevar as coberturas vacinais em todo o país. A mobilização segue até 1º de setembro, com Dia D nacional em 22 de agosto, e oferece 20 imunizantes do Calendário Nacional de Vacinação. A ação reforça a proteção contra doenças graves, como sarampo, pneumonias e meningites, e amplia a proteção coletiva por meio da vacinação.

“Estamos recuperando a cobertura vacinal, mas sempre temos que manter isso atualizado. Também estamos chamando a atenção para o reforço da vacina do sarampo. Outros países do mundo pararam de vacinar, tiveram explosão de casos de sarampo. Os Estados Unidos estão vivendo o maior surto de sarampo nos últimos 35 anos da história deles. E esses casos vêm para o Brasil, de forma importada”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que acompanhou, nesta sexta-feira (7), a distribuição de doses de vacinas no Almoxarifado Central de Guarulhos.

Para viabilizar a ação, 1,5 milhão de doses de vacinas foram distribuídas aos estados. Ao longo de 2026, o Ministério da Saúde já destinou mais de 177 milhões de doses aos estados e ao Distrito Federal, garantindo o abastecimento da rede e o apoio às estratégias de vacinação.

A vacinação é a principal forma de prevenção contra doenças imunopreveníveis. Manter altas coberturas é fundamental para proteger crianças e adolescentes, reduzir a circulação de vírus e bactérias e evitar o retorno ou a disseminação de doenças que podem causar complicações graves, sequelas e até mortes.

Entre as doenças que podem ser evitadas pela vacinação estão formas graves de tuberculose, hepatites A e B, difteria, tétano, coqueluche, poliomielite, infecções por rotavírus, pneumonias e meningites causadas por pneumococos e meningococos, influenza (gripe), covid-19, febre amarela, sarampo, caxumba, rubéola, varicela (catapora), infecções pelo papilomavírus humano (HPV) e dengue.

Esta é a primeira edição da multivacinação com a vacina pneumocócica 20-valente (Pneumo 20), incorporada neste ano ao Calendário Nacional de Vacinação. O imunizante amplia a proteção contra doenças causadas pelo pneumococo, incluindo pneumonias e meningites, e é indicado para crianças menores de 5 anos, conforme o esquema vacinal.

A mobilização também contempla atualizações recentes do calendário, como a oferta da vacina contra a dengue para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos e a vacinação contra a covid-19 para crianças, conforme as indicações específicas de cada imunizante.

A vacinação será seletiva. Os profissionais de saúde vão conferir a caderneta e aplicar somente as doses necessárias para iniciar ou completar o esquema previsto. Pais e responsáveis devem levar o documento aos serviços de vacinação.

Vacinas disponíveis

Durante a estratégia, poderão ser ofertadas, conforme idade, histórico vacinal e indicação: BCG;
Hepatite B;
Penta (DTP/Hib/HB);
Poliomielite (VIP);
Rotavírus humano;
Pneumocócica conjugada 10-valente e 20-valente;
Meningocócica C;
Influenza;
Covid-19;
Febre amarela;
Meningocócica ACWY;
Tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola);
Varicela;
DTP;
Hepatite A;
dT;
HPV4;
Dengue tetravalente.

Vacinação contra o sarampo

Como parte da mobilização, o Ministério da Saúde intensificará a vacinação contra o sarampo nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. Nesses três municípios, a orientação é ampliar a oferta da vacina para todas as pessoas de 6 meses a 59 anos, de forma indiscriminada, durante a estratégia.

“Nós estamos chamando pessoas até 59 anos para se vacinar contra o sarampo, para a gente ter garantia do bloqueio, não deixar acontecer no Brasil o que está acontecendo nos Estados Unidos hoje, e nem o que aconteceu em São Paulo em 2019, que chegou a 20 mil casos de sarampo. A campanha vai até o dia 1º de setembro. O Ministério da Saúde distribuiu quase 180 milhões de doses de vacinas para crianças e adolescentes em todo o país”, informou o ministro.

A medida foi adotada após o registro de casos de sarampo relacionados à importação do vírus e busca elevar a cobertura vacinal, ampliar a proteção da população e reduzir o risco de transmissão.

A vacina utilizada é a tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Para crianças de 6 a 11 meses, a chamada dose zero é uma dose adicional e não substitui as doses de rotina, que devem ser aplicadas aos 12 e aos 15 meses. A necessidade de vacinação das demais faixas etárias será verificada pelos profissionais de saúde de acordo com a idade e o histórico vacinal.

A atualização da caderneta durante a campanha também permite identificar e corrigir eventuais atrasos na vacinação contra outras doenças previstas no Calendário Nacional.

Abastecimento

Para a Campanha de Multivacinação, o Ministério da Saúde distribuiu 1,5 milhões de doses aos estados. Em 2026, o Ministério da Saúde já distribuiu mais de 177 milhões de doses de vacinas aos estados e ao Distrito Federal para garantir o abastecimento da rede e apoiar as estratégias de vacinação.

Na estratégia de intensificação contra o sarampo, mais de 7,2 milhões de doses da vacina tríplice viral já foram distribuídas em 2026 aos estados e municípios. Desse total, cerca de 2,9 milhões já foram aplicadas no país.

Em São Paulo, 3,2 milhões de doses da vacina tríplice viral foram destinadas ao reforço do abastecimento, garantindo a continuidade da vacinação contra o sarampo.

Até o momento, foram aplicadas mais de 94,8 milhões de doses das vacinas previstas no Calendário Nacional de Vacinação. Em 2025, foram administradas 170,8 milhões de doses em todo o país.

Durante a Campanha de Multivacinação de 2025, foram aplicadas mais de 7,5 milhões de doses em todo o país, sendo cerca de 1 milhão durante o Dia D.

Novo reforço contra a poliomielite

Desde 3 de agosto de 2026, o esquema de vacinação contra a poliomielite passou a incluir o segundo reforço da vacina poliomielite (VIP) aos 4 anos de idade.

A mudança complementa o esquema exclusivamente com VIP adotado pelo Brasil desde 2024 e reforça a proteção contra a poliomielite, doença que ainda não foi erradicada mundialmente.

O Brasil não registra casos de poliomielite há décadas e mantém a vacinação como principal medida para evitar a reintrodução do poliovírus. Por isso, é fundamental que as crianças recebam todas as doses previstas no Calendário Nacional de Vacinação.

Melhora na vacinação infantil

Dados divulgados em 14 de julho pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) apontam melhora na vacinação infantil no Brasil. O número de crianças que não receberam a primeira dose da vacina Penta (DTP/Hib/HepB) caiu de 360 mil, em 2023, para 50 mil, em 2025, redução de cerca de 90%.

De acordo com as Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional (WUENIC), o número de crianças zero-dose no Brasil caiu de 360 mil, em 2023, para 255 mil em 2024 e 50 mil em 2025. O resultado representa redução de aproximadamente 86% em relação ao ano anterior e de quase 90% na comparação com 2023.

Segundo as estimativas, o Brasil vem melhorando a cobertura vacinal e reduzindo o número de crianças zero-dose. O resultado reforça a importância da manutenção de altas coberturas e da busca ativa para garantir que crianças e adolescentes estejam protegidos com todas as vacinas previstas no Calendário Nacional.