domingo, 22 de março de 2026
Em Belo Horizonte, MinC debate impactos da Reforma Tributária no financiamento à cultura
Os efeitos no financiamento da cultura devido às mudanças no sistema de impostos do país foram debatidos na sexta-feira (20), em Belo Horizonte, no seminário Os Impactos da Reforma Tributária no Orçamento Cultural. Promovido pelo Ministério da Cultura (MinC) e pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG), o evento reuniu representantes da Pasta e do setor, além de especialistas em direito tributário e gestores públicos.
No encontro, foram abordados assuntos como fomento indireto à cultura, ICMS cultural, financiamento da cultura como política de Estado e os desafios de operacionalização das políticas de incentivo diante da Reforma Tributária.
Na abertura, o presidente do TCEMG, conselheiro Durval Ângelo, destacou a participação de representantes de cerca de 300 cidades mineiras, além de outros estados, e a importância do seminário.
“Agora, a discussão é a seguinte: você não faz cultura sem recursos, não faz políticas públicas sem orçamento", afirmou.
Ele ressaltou o papel dos tribunais de contas como indutores de políticas públicas. "É possível ter vida sem cultura? Ser livre e solidário sem a cultura? Fazer isso sem políticas públicas? Não!", frisou Durval Ângelo.
O assessor especial do MinC, Carlos Paiva, que tem acompanhado esse debate pelo Ministério da Cultura, chamou a atenção para o fato que a Reforma modifica percepções.
“Ela muda toda a lógica que a gente está acostumado. Nós pensamos soluções com um modelo operacional quando um outro, que vai entrar em vigor, é completamente diferente”, destacou.
E acrescentou: “O que a gente precisa fazer? Avançar nessas conversas nos ministérios da Cultura e da Fazenda, fóruns estaduais, municipais e parceiros da sociedade civil para que a gente vá diminuindo as dúvidas e tenha mais clareza das estratégias que a gente precisa”, completou.
Nesse mesmo sentido, a secretária de Articulação Federativa e Comitês de Cultura do MinC, Roberta Martins, reforçou que para que essa transição seja bem-sucedida é preciso um trabalho alinhado entre todos os entes da Federação. Para ela, a construção de um modelo sustentável exige diálogo constante.
"Debater o orçamento de forma pactuada entre a União, os estados e os municípios é o nosso caminho mais seguro. Precisamos trabalhar de mãos dadas para garantir que a cultura seja, de fato, entendida e defendida como uma área prioritária de investimentos para o desenvolvimento do país", concluiu.
Municípios
Em sua participação, o secretário executivo da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos, Gilberto Perre, expressou o apoio da instituição à agenda.
“A Reforma Tributária, é preciso que se diga, foi na direção correta: nosso sistema tributário era, de fato, uma confusão imensa. Agora, esse processo de transição precisa obviamente respeitar e não dar descontinuidade naquilo que vinha sendo, que é o fomento à cultura nas cidades e nos estados. Esta engrenagem desse financiamento precisa ser retomada”, comentou.
Também estiveram presentes na abertura o procurador-geral do Ministério Público de Contas (MPC) e presidente da Associação Nacional do Ministério Público de Contas (Ampcon), Marcílio Barenco; o presidente do Fórum Nacional de Cultura, Marcos Alves; e a representante do Fórum dos Conselhos Estaduais de Cultura, Aryanne Ribeiro.
No painel Reforma Tributária e os Impactos para o Fomento Indireto à Cultura, conduzido pela diretora-executiva do Cine Theatro Brasil, Elaine Parreiras, foram tratados os conhecimentos sobre a temática do encontro, bem como alternativas.
“A diversidade de fontes de financiamento, as formas diversas de participação, elas qualificam o processo para que a gente garanta uma diversidade cultural, o acesso a esse sistema, a esse financiamento, também de uma maneira plural”, observou Eliane.
Fomento
Na sequência, foi promovido o painel Reforma Tributária e o Fomento à Cultura, mediado pelo secretário-adjunto de Cultura de Contagem, Gilvan Rodrigues.
"Pensamos essa mesa com o objetivo de debater com os gestores e pares como a gente pode refletir sobre o impacto dessa Reforma Tributária. Acabamos ficando um pouco isolados se a gente não criar uma combinação junto aos secretários de Fazenda, de Planejamento. Que a gente possa fortalecer essa rede", disse Gilvan.
O secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do MinC, Thiago Rocha, ressaltou que a Reforma impõe uma série de desafios para o setor cultural.
“A cultura não pode ser o elo mais fraco. E esse governo vem investindo nisso, como por exemplo com a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura. É um casamento que a gente precisa ter da gestão pública, da militância cultural, dos agentes culturais com o corpo técnico. Se esses três fatores não estiverem juntos, a gente não vai conseguir avançar”, realçou.
A mesa também teve a participação da vice-prefeita e secretária municipal de Cultura de Salvador/BA, Ana Paula Mattos; da secretária de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, Danielle Barros; do diretor da Fundação Cultural Santa Marcelina, Paulo Zuben; e do assessor do Ministério da Fazenda; João Pedro Machado Nobre.
Programação
Na parte da tarde foram realizados três painéis. Reforma Tributária e ICMS Cultural, com a Superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), entidade vinculada ao MinC, em Minas Gerais, Maria do Carmo Lara. Já o último debate da programação abodou os Desafios da Operacionalização do Fomento Indireto com a Reforma Tributária.
O Ministério da Cultura também manteve um estande ao longo dos dois dias de seminários no TCEMG para fazer atendimento e dar suporte técnico aos gestores municipais.
sexta-feira, 20 de março de 2026
Sesc celebra Semana Mundial do Teatro com espetáculos regionais com entrada gratuita
O Teatro Sesc Napoleão Ewerton preparou uma programação especial com criações cênicas maranhenses para celebrar o Dia Mundial do Teatro. As atrações integram a agenda cultural da Mostra Nape, que acontece de 23 a 30 de março, com espetáculos gratuitos e sessões com ingressos a preços populares. O público pode garantir as entradas aqui.
Sobem ao palco espetáculos regionais que atravessam questões de afetos, memórias, ancestralidade, corpo e movimento. Cada obra traz para a cena novas formas de ver e sentir o mundo, e abrem janela para a diversidade e a criatividade do talento maranhense.
O espetáculo “A-Mar”, do Coletivo Tucum abre a programação da mostra. A apresentação acontece no dia 23 de março, no Teatro de Bolso do Centro de Ciências Humanas (CCH), da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), às 11h30. A performance é gratuita e indicada para maiores de 16 anos.
I
nspirado na obra “A hora da estrela”, da escritora Clarice Lispector, o espetáculo “Flor de Mulungu”, do Coletivo Mulungu leva ao palco a força da mulher negra em uma reflexão sobre identidade, deslocamento e protagonismo aliada a resistência e transformação social. A apresentação acontece no dia 26 de março, na Casa das Pretas, no bairro Coroadinho, às 19h. O espetáculo tem classificação indicativa de 12 anos e a entrada é gratuita.
No dia 27 de março, as cortinas do Teatro Sesc Napoleão Ewerton se abrem para receber a atriz Áurea Maranhão, no espetáculo “Argila”. O solo aborda mito e ciência numa poesia cênica que convida o público a moldar, agora, o futuro que ainda nos cabe, frente a urgência de sonhar coletivamente. Também indicado para maiores de 12 anos, o espetáculo acontece às 20h, e os ingressos a preços populares podem ser adquiridos aqui.
O espetáculo "Prazer, profissão drag queen" é uma obra cênica do ator Ricardo Torres, que dá vida à irreverente Molik, uma drag queen que convida a mergulhar num universo de cores, dores, danças e descobertas. A performance acontece no dia 28 de março, no Teatro Sesc Napoleão, às 19h. Com classificação indicativa de 14 anos, os ingressos com preços populares podem ser adquiridos aqui.
Indicado para todos os públicos, o espetáculo de dança “Raízes, de Valdenira Baima, fecha a programação especial da Mostra NAPE 2026, e tem como inspiração as questões da vida cotidiana que levam as pessoas a mergulharem nas profundezas de si mesmas, ao mesmo tempo em que traz a capacidade de restauração, agradecimento e celebração da vida diante dos desafios enfrentados todos os dias. A apresentação acontece no dia 30 de março, na sede do projeto PEADS, no bairro Sacavém, às 19h. A entrada é gratuita.
A Mostra NAPE tem o compromisso com a inclusão social e a democratização do acesso à arte, e reforça o compromisso do Sesc com a valorização da Cultura, dos artistas locais, bem como a democratização do acesso à vivência de experiências culturais.
quarta-feira, 18 de março de 2026
Indústria, comércio e sindicatos pedem queda mais forte da Selic
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, foi recebida com críticas por diferentes segmentos da economia. As entidades do setor produtivo consideram o movimento correto, mas insuficiente para reverter os principais entraves ao crescimento.


Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o corte não é capaz de interromper a desaceleração da atividade, destravar investimentos ou aliviar o endividamento das famílias.
“Essa cautela do Banco Central ainda é excessiva e seguirá penalizando ainda mais nossa economia”, afirma o presidente da entidade, Ricardo Alban.
Segundo a confederação, dados recentes reforçam o diagnóstico. A inflação acumulada em 12 meses desacelerou e as projeções seguem dentro da meta, enquanto a taxa de juros real permanece elevada, acima do nível considerado neutro.
Na avaliação da CNI, isso indica que a política monetária segue excessivamente restritiva, mesmo diante de sinais de arrefecimento dos preços.
Comércio
A Fecomércio-SP avalia que o início do ciclo de queda ocorreu em meio a incertezas internas e externas, o que limitou a intensidade do corte. “O ciclo de redução da Selic começou, mas a duração e a intensidade dos cortes são cada vez mais incertas”, afirma a entidade.
Segundo a federação, a inflação de serviços segue pressionada e o cenário internacional, com alta do petróleo, tende a dificultar uma queda mais acelerada dos juros.
Cenário externo
As incertezas globais também pesam na decisão. O conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel elevou o preço do petróleo e aumentou os riscos inflacionários.
Na avaliação da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o Banco Central adotou uma postura prudente diante desse ambiente. “A desaceleração da atividade econômica acabou pesando mais, justificando uma política monetária menos contracionista, porém cautelosa”, afirma o economista Ulisses Ruiz de Gamboa.
Críticas sindicais
Do lado dos trabalhadores, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da Central Única dos Trabalhadores (Contraf-CUT) considera que o corte é insuficiente para aliviar o peso das dívidas.
“A medida anunciada é insuficiente para reverter esse quadro”, afirma o economista Gustavo Cavarzan, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em nota emitida pela Contraf-CUT.
Na mesma linha, a Força Sindical avalia que o Banco Central acertou ao iniciar o corte, mas errou na intensidade. Para a entidade, o corte na taxa de juros é insuficiente para injetar mais ânimo na economia e fortalecer o consumo e geração de empregos de qualidade.
“Mantendo a Taxa Selic em patamares estratosféricos, o Banco Central irá prejudicar as negociações das categorias nas campanhas salariais nesse primeiro semestre”, ressalta o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, em nota..
Ritmo incerto
Apesar do início do ciclo de queda, há consenso entre as entidades de que o ritmo das próximas decisões será determinante.
Para indústria, comércio e trabalhadores, uma redução mais intensa dos juros é vista como essencial para reativar o crescimento, estimular investimentos e reduzir o peso do endividamento na economia brasileira.
SINPROESEMMA reúne com Ministério Público para debater qualidade da educação no Maranhão
A direção do Sinproesemma se reuniu, na segunda-feira (16), com o promotor de Justiça da Educação, Lindonjonson Gonçalves de Sousa, para tratar de uma ampla pauta relacionada à realidade da educação pública estadual e às demandas urgentes da categoria.
No encontro, foi debatidos os precatórios do FUNDEF, especialmente no que diz respeito a aplicação dos 40% dos recursos pelo governo do Estado na manutenção e desenvolvimento do ensino. A direção sindical também manifestou preocupação com a não renovação da portaria que GARANTE o acompanhamento POR PARTE do Sinproesemma nesse processo, o que compromete a transparência e a participação da entidade na fiscalização da aplicação dos valores.
Outro tema de destaque foi a infraestrutura das escolas da rede estadual. O Sinproesemma denunciou falhas estruturais recorrentes, incluindo problemas em unidades dos IEMAs e em outras escolas, além da falta de transparência no cronograma de reformas por parte do Governo do Estado. O Ministério Público informou que irá analisar as informações apresentadas pelo Sinproesemma, a partir de um relatório detalhado que será encaminhado.

A gestão democrática da escola também esteve na pauta, com críticas à sua aplicação seletiva, o que, na avaliação do sindicato, compromete a participação efetiva da comunidade escolar nos processos decisórios no espaço escolar.
O Sinproesemma também chamou atenção do MP para a situação dos profissionais não docentes. Já são mais de 30 anos sem a realização de concurso público para esses trabalhadores, a ausência de um Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) e a terceirização do setor agravam a precarização. Hoje, apesar das denúncias do Sinproesemma e as várias tentativas com o governo do Estado, existe um contingente estimado em cerca de 10 mil trabalhadores com salários abaixo do mínimo e a Secretaria de Estado de Administração (SEAD) não dá uma solução para essa situação que se arrasta a um ano. Foi discutido ainda a tabela salarial que, equivocadamente, é paga aos professores de forma totalmente errada, descumprindo os interstícios entre as referências, fora que há anos o governo do Estado não paga o vencimento no Piso Salarial Nacional comprometendo à soma de vencimento base com a GAM.
Como encaminhamento, foi proposta a criação de uma mesa de trabalho entre o Sinproesemma e o Ministério Público para aprofundar os pontos apresentados e buscar soluções concretas. Em 15 dias haverá um novo encontro com o objetivo de detalhar e avançar nas demandas.
Segundo o promotor de Justiça, Lindonjonson Gonçalves de Sousa, esse é um trabalho que precisa ser de enfrentamento da realidade que pede a qualidade da educação que toda a sociedade precisa, com um ambiente escolar saudável e estimulante para o aluno e para o professor.
Para o Presidente do SINPROESEMMA, Raimundo Oliveira, a reabertura do debate com o MP é importante para passar a limpo a educação pública do Maranhão.
“Saímos dessa reunião com a convicção de que é preciso avançar, com urgência, em pautas fundamentais para a educação pública do Maranhão. Não podemos aceitar a falta de transparência no rateio dos precatórios do FUNDEF, nem o abandono da infraestrutura das nossas escolas, porque recurso tem e muito. Também é inadmissível que trabalhadores e trabalhadoras da educação, especialmente os não docentes, sigam há décadas sem concurso, sem PCCR e com salários abaixo do salário mínimo. É importante a instalação dessa mesa de trabalho com o MP para garantir respostas concretas, corrigir distorções na remuneração e assegurar uma educação pública de qualidade aos maranhenses e o respeito aos direitos da nossa categoria”, enfatizou Oliveira.
domingo, 15 de março de 2026
IA, mudanças climáticas e demografia pressionam novo modelo de trabalho no Brasil
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| Conferência Nacional do Trabalho defende pacto social para produtividade, emprego e redução das desigualdades |
A 2ª CNT (Conferência Nacional do Trabalho) encerrou as atividades com a divulgação de declaração final que propõe agenda de modernização das relações de trabalho no Brasil baseada no diálogo entre trabalhadores, empregadores e governo.
O documento sustenta que o País precisa atualizar o modelo laboral para enfrentar as transformações tecnológicas, econômicas e sociais que estão redefinindo o mundo do trabalho.
Realizada entre os dias 3 e 5 de março, a etapa nacional da conferência reuniu mais de 3 mil representantes de entidades sindicais, empresários e gestores públicos, além de delegados oriundos de 27 etapas estaduais e distrital (DF).
Segundo os organizadores, o objetivo foi construir consensos mínimos capazes de orientar políticas públicas e negociações trabalhistas em período marcado por profundas mudanças estruturais.
“O Brasil se fortalece quando brasileiras e brasileiros rompem barreiras para dialogar e construir propostas que ampliem os horizontes do trabalho”, está escrito no documento final aprovado pelos delegados.
TRANSFORMAÇÕES TECNOLÓGICAS
Um dos eixos ou pontos centrais da declaração é o impacto das transformações tecnológicas no emprego e na organização produtiva. O texto destaca que a aceleração da automação e o avanço da inteligência artificial generativa1 criam novos desafios para o trabalho humano, especialmente para atividades qualificadas.
“O mundo do trabalho enfrenta transformações de ritmo intenso, buscando acompanhar as mudanças tecnológicas que levam à automação”, registra o documento.
Segundo os delegados, essa transição exige investimentos em inovação, tecnologia e qualificação profissional para evitar aumento do desemprego estrutural e da informalidade.
A conferência também apontou a necessidade de políticas públicas capazes de acompanhar a reconfiguração das cadeias globais de produção e seus efeitos sobre a competitividade das empresas brasileiras.
TRANSIÇÕES DEMOGRÁFICA E CLIMÁTICA
Além da revolução tecnológica, o texto identifica outras 3 grandes transições que impactam o mundo do trabalho: demográfica, ambiental e comunicacional.
A transição demográfica2, marcada pela redução das taxas de natalidade e pelo aumento da expectativa de vida, tende a alterar o perfil da força de trabalho nas próximas décadas. A transição ambiental3, relacionada às mudanças climáticas, impõe novos desafios à economia diante da intensificação de eventos climáticos extremos.
Segundo os delegados, esses fatores exigem políticas integradas que conciliem crescimento econômico, sustentabilidade e geração de empregos.
PRODUTIVIDADE E JUSTIÇA SOCIAL
A declaração final sustenta que o Brasil precisa elevar seus níveis de produtividade sem abrir mão da inclusão social. Para os participantes da conferência, a modernização das relações de trabalho deve caminhar com políticas de redução das desigualdades.
“Atualizar o paradigma das relações de trabalho no Brasil é fundamental para nos alinharmos aos países desenvolvidos e alcançarmos maiores patamares de produtividade”, está escrito no documento.
A conferência também defendeu a criação de ambiente econômico favorável ao investimento produtivo, com expansão do crédito e fortalecimento da competitividade das empresas.
Ao mesmo tempo, ressaltou que o desenvolvimento deve garantir salários dignos, acesso à educação de qualidade e combate às discriminações.
PAPEL DO MINISTÉRIO DO TRABALHO
Outro ponto enfatizado pelos delegados foi o papel estratégico do Ministério do Trabalho e Emprego na condução das políticas públicas orientadas ao emprego e às relações laborais.
Segundo a declaração, o fortalecimento institucional da pasta é essencial para consolidar programas como a valorização do salário mínimo, a lei de igualdade salarial e iniciativas de crédito orientadas aos trabalhadores.
“Seu fortalecimento e modernização são fundamentais para que políticas públicas respondam aos desafios atuais do mundo do trabalho”, afirma o documento.
Entre as diretrizes destacadas pela conferência estão o aprimoramento das políticas de intermediação de mão de obra, a ampliação da qualificação profissional contínua e o fortalecimento de instrumentos como o FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).
AGENDA DE NEGOCIAÇÃO
Apesar do esforço de construção de consensos, o documento reconhece que diversos temas permanecem em aberto e exigirão novas rodadas de negociação.
Entre esses estão o trabalho intermediado por aplicativos, o combate à informalidade, as novas formas de organização do trabalho, a discussão sobre jornada e escalas laborais e o fortalecimento das entidades sindicais.
“A responsabilidade pela adaptação é coletiva”, afirma a declaração.
A conferência também reafirmou a importância da negociação coletiva e do diálogo social como instrumentos centrais para resolver conflitos trabalhistas e construir soluções duradouras.
DIÁLOGO PERMANENTE
Inspirada no modelo tripartite da OIT (Organização Internacional do Trabalho), a 2ª Conferência Nacional do Trabalho defendeu a institucionalização de espaços permanentes de diálogo entre governo, trabalhadores e empregadores.
O documento recomenda fortalecer conselhos e instâncias de concertação social, como o Conselho Nacional do Trabalho, o Codefat e o Conselho Curador do FGTS, além de estimular fóruns semelhantes nos estados.
Segundo os delegados, a experiência da conferência mostra que a construção de consensos é possível mesmo em cenário de divergências políticas e econômicas.
“Planejada como um exercício democrático de diálogo social, a 2ª CNT aponta caminhos para outras esferas da vida política nacional. Todos nós saímos vencedores. O Brasil sai vencedor”, conclui a declaração final aprovada em São Paulo.
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1 GenAI (Inteligência Artificial Generativa) é um tipo de IA focado em criar novos conteúdos — textos, imagens, códigos, vídeos e músicas — a partir de padrões aprendidos em grandes bases de dados.
2 A transição demográfica no Brasil é caracterizada pela rápida transição de sociedade jovem e rural para população envelhecida e urbana, marcada pela queda acentuada nas taxas de natalidade (1,75 filho/mulher) e mortalidade, além do aumento da expectativa de vida. Atualmente, na 3ª fase, o País enfrenta desaceleração do crescimento populacional, envelhecimento populacional e o fim do “bônus demográfico”. Período em que a população em idade ativa (15 a 64 anos) é superior à de dependentes (crianças e idosos), que está próximo de terminar, exigindo investimentos em produtividade.
3 A transição ambiental ou ecológica, que busca modelo de desenvolvimento mais verde, representa alternativa crucial para mitigar os impactos das mudanças climáticas e aliviar a pressão exercida pelo sistema econômico sobre o meio ambiente.
Fonte: Pirtal FIAP
Oscar 2026: saiba onde assistir, filmes indicados e ordem da premiação
A cerimônia do Oscar 2026 ocorre neste domingo (15), em Los Angeles, e deve mobilizar cinéfilos em todo o Brasil. Em clima de final de Copa do Mundo, bares, restaurantes, cinemas e cineclubes organizam sessões especiais para acompanhar ao vivo a maior premiação do cinema mundial, que começa às 20h (horário de Brasília).


No Brasil, o público poderá assistir à cerimônia completa e na íntegra pelo canal TNT e pelo streaming Max. Além das transmissões oficiais, cinemas, bares e espaços culturais em diversas cidades do país também organizam exibições em telões, transformando a noite do Oscar em um grande encontro de fãs de cinema.
Além da disputa entre grandes produções internacionais, a edição deste ano chega com forte presença brasileira, com o filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, indicado em quatro categorias.
A expectativa é repetir o clima que tomou conta do país no ano passado, quando a vitória de Ainda Estou Aqui como Melhor Filme Internacional levou o público a acompanhar a cerimônia como um grande evento nacional.
O thriller político nacional é ambientado no Recife dos anos 1970 e concorre em quatro categorias:Melhor Filme;
Melhor Filme Internacional;
Melhor Ator, para Wagner Moura; e
Melhor Direção de Elenco
Além das indicações, Wagner Moura também foi confirmado como um dos apresentadores da cerimônia, participando da entrega de uma das estatuetas durante a noite.
A indicação ao prêmio de Melhor Ator também marca um momento histórico: Wagner Moura se tornou o primeiro brasileiro indicado na categoria principal masculina de atuação.
O ator brasileiro concorre na categoria com atores de peso como: Timothée Chalamet (em Marty Supreme), Leonardo DiCaprio (em Uma Batalha Após a Outra), Michael B. Jordan (em Pecadores) e Ethan Hawke (Blue Moon).
Concorrentes
Na categoria Melhor Filme Internacional, em que O Agente Secreto disputa a estatueta, os indicados são:Valor Sentimental (Noruega)
Foi Apenas um Acidente (Irã)
Sirat (Cazaquistão)
A Voz de Hindjab (Argélia)
Já na disputa de Melhor Filme, principal categoria da noite, os indicados são:O Agente Secreto
Pecadores (Sinners)
Uma Batalha Após a Outra (One Battle After Another)
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
Frankenstein
Valor Sentimental (Sentimental Value)
Sonhos de Trem (Train Dreams)
Bugonia
Marty Supreme
Embora a Academia não divulgue oficialmente a sequência completa das premiações antes da cerimônia, ela costuma seguir uma ordem semelhante todos os anos, começando pelas categorias de atuação coadjuvante e curtas e avançando para os prêmios técnicos e principais.
A sequência tradicional segue a seguinte ordem: Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Curta-Metragem Animado, Melhor Curta-Metragem Live Action, Melhor Documentário, Melhor Filme Internacional, Melhor Fotografia, Melhor Montagem, Melhor Direção de Elenco, Melhor Trilha Sonora, Melhor Canção Original, Melhor Design de Produção, Melhor Figurino, Melhor Maquiagem e Cabelo, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Som, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Roteiro Original, Melhor Direção, Melhor Atriz, Melhor Ator e, por fim, Melhor Filme, que encerra a cerimônia.
Fonte: Portal EBC
Projeto incentivado pela Lei Rouanet ensina educação financeira a 28 mil estudantes de escolas públicas
Temas como orçamento e consumo consciente são explicados a crianças e adolescentes por meio da cultura no projeto Um Troco no Destino, apoiado pela Lei Rouanet. A iniciativa promovida pela organização social Crescer irá ensinar educação financeira para 28 mil alunos de escolas públicas de oito cidades brasileiras.
“O assunto tem a ver com a missão do Crescer, que há 25 anos trabalha com a temática da educação. Queremos contribuir para que estudantes tenham novas competências e habilidades que preparem eles para se desenvolverem tanto pessoalmente quanto profissionalmente. Um dos tópicos que impacta a vida deles é a questão das finanças. Nesse projeto utilizamos a cultura como meio para levarmos um conteúdo que é importante para a formação e desenvolvimento desses jovens, por isso o patrocínio do Nubank foi tão importante”, destaca a diretora da entidade, Luciana Allan.
A administração financeira é abordada em montagem teatral voltada para o público entre 11 e 17 anos. Com o mesmo nome do projeto, a peça apresenta uma garota que não consegue realizar a viagem dos seus sonhos devido à falta de planejamento. Ao receber um presente mágico ela é teletransportada ao passado, onde revisita algumas questões. Com um enredo que combina fantasia e humor, o espetáculo destaca a importância da organização financeira em todas as etapas da vida. Todas as apresentações têm intérpretes de Libras.
Para Luciana, a ferramenta cultural escolhida encanta os alunos, engaja na aprendizagem e os sensibiliza para a abordagem do tema. “O teatro encanta, mexe com o lúdico e permite que você traga situações do cotidiano de uma forma que você consegue fazer o link do texto com o contexto. É uma peça para você refletir sobre a questão da administração financeira”, observa.
Inclusão
Também direcionadas para o mesmo grupo etário, as oficinas do projeto têm como objetivo democratizar o acesso à educação financeira e estimular a inclusão social. Nelas, os participantes poderão encenar esquetes teatrais, simulando situações do cotidiano sobre temas como poupança.
Tanto os espetáculos quanto as oficinas serão promovidas em parceria com escolas e equipamentos públicos dos municípios contemplados. O projeto abrange as cidades de São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ); Porto Alegre, Canoas e Montenegro (RS); Salvador (BA); Recife (PE) e Fortaleza (CE).
Empreendedorismo
A série de atividades inclui ainda workshops para trabalhadores da cultura. Visa ajudar os profissionais a gerenciarem suas finanças, além prepará-los para explorar o potencial do empreendedorismo na cultura.
“Queremos impactar toda a cadeia que envolve a economia criativa, os profissionais que trabalham nela, ajudando-os a estruturar e melhorar o seu negócio. A maioria deles são empreendedores, e a gente sabe que um dos problemas deles é a gestão financeira. Para isso desenvolvemos uma cartilha e também um workshop”, conta a diretora do Crescer.
Recurso
Apoiado pela Lei Rouanet, o projeto Um Troco no Destino captou R$ 2,12 milhões, por meio do mecanismo de fomento, o que corresponde a 99% do valor aprovado pelo Ministério da Cultura (MinC).
O secretário de Fomento e Incentivo à Cultura da Pasta, Thiago Rocha, destaca que o apoio da Lei à iniciativa enfatiza sua capacidade de levar o saber e a cultura ao maior número de pessoas.
"A cultura é um dos caminhos mais eficazes para a formação do cidadão. Quando a Lei Rouanet viabiliza projetos que unem teatro e educação financeira, ela reafirma o potencial transversal do mecanismo de incentivo à cultura na democratização do acesso ao conhecimento e a cultura. A ação beneficia milhares de alunos da rede pública e fortalece a base da nossa sociedade com ferramentas para o futuro. É o investimento público que retorna para a população em forma de consciência e autonomia", enfatiza.
Para a diretora do Crescer, a Lei possibilita uma conexão importante para concretização da iniciativa. “Termos o recurso vindo por meio da Lei Rouanet nada mais é do que o imposto direcionado para uma ação específica que a gente garante que chegue na ponta. É uma sinergia conectando o terceiro setor com a iniciativa privada no interesse de trabalhar uma temática comum e que tem no envolvimento da estrutura pública algo interessante para a gente fortalecer a formação e desenvolvimento dessas crianças e jovens. A Lei tem sido uma peça importante para nós e temos usado cada vez mais o potencial dela para levar adiante a nossa missão”, conclui Luciana Allan.
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