quinta-feira, 18 de junho de 2026

Memória sem fronteiras: como a tecnologia garante a eternidade do patrimônio cultural e científico brasileiro


O Governo do Brasil, por meio da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), converte acervos físicos e frágeis em repositórios digitais de acesso global. A organização vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) fornece internet acadêmica de ultravelocidade e armazenamento em nuvem para instituições públicas de excelência. Essa engenharia de dados liberta coleções biológicas, documentos raros e filmes históricos das vitrines climatizadas. O resultado é prático. Qualquer cidadão consegue acessar a memória nacional pela tela do celular.

O caminho da preservação passa por cabos de fibra óptica. O processo acontece com extrema agilidade logística. Equipes técnicas escaneiam os artefatos em alta resolução, aplicam criptografia de segurança no arquivo gerado e o transferem por uma rede blindada contra instabilidades. O item ganha formato digital em poucos segundos. O funcionamento prático desse modelo envolve parcerias transversais da RNP com grandes institutos de pesquisa e órgãos como o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Os museus formulam a curadoria de exposição. A RNP entrega o motor tecnológico capaz de distribuir esse conhecimento.

História viva e conectada

No Museu Nacional (instituição acadêmica ligada à Universidade Federal do Rio de Janeiro), a conectividade dedicada expande os limites da paleontologia. A robustez técnica da rede assegura a curadoria digital contínua das coleções e das novas descobertas. A modelagem 3D do fóssil Rastodon procurvidens mostra o impacto prático do sistema. Trata-se de um dicinodonte (animal herbívoro pré-histórico com bico duro e presas na mandíbula superior) que habitou o atual estado do Rio Grande do Sul há 260 milhões de anos.

Os pesquisadores realizaram tomografias da rocha original e elaboraram um mapa virtual exato do crânio. Estudantes da rede pública acessam o repositório online, contornam a peça tridimensional e estudam sua anatomia de perto. O formato virtual zera os riscos de degradação relacionados ao transporte do material fóssil.

A democratização científica alcança a Região Norte com atenção exclusiva à biodiversidade. O Museu Paraense Emílio Goeldi (unidade de pesquisa subordinada ao MCTI) gerencia registros extensos sobre o bioma amazônico. O instituto cataloga o material usando o Tainacan (uma plataforma governamental de código aberto criada para a gestão de coleções digitais). Uma pessoa que procura referências sobre cerâmica marajoara encontra fotografias detalhadas e fichas históricas de maneira instantânea. A internet dedicada da RNP sustenta o peso dos servidores e viabiliza pesquisas constantes sobre a floresta e seus povos originários.

A escala do volume de dados exige outra estrutura em São Paulo. A Cinemateca Brasileira administra o acervo audiovisual do país. O trabalho diário da equipe técnica envolve o tráfego permanente de matrizes de vídeo e películas recém-restauradas no formato 4K. Essa quantidade de gigabytes faria conexões comerciais padrão caírem rapidamente.

A digitalização do longa-metragem "Tocaia no Asfalto" demandou o escoamento contínuo de dezenas de terabytes. A infraestrutura óptica do projeto Cinemas em Rede transporta essas obras virtuais sem gargalos. A iniciativa interliga o banco central da Cinemateca diretamente a auditórios universitários parceiros. O cinema brasileiro atravessa as décadas e chega aos municípios do interior com qualidade de imagem impecável.

Projeto de Lei aprovado garante licença remunerada para pós-graduação de professores da educação básica


O Senado aprovou na terça-feira (16) projeto de lei que garante aos professores da educação básica da rede pública o direito de usar a licença remunerada para fazer cursos de qualificação e pós-graduação — como especialização, mestrado e doutorado —, além de pesquisas na área da educação.

O projeto (PL 96/2024), de autoria do deputado federal Idilvan Alencar (PSB-CE), segue para a sanção da Presidência da República.

A matéria, que contou com parecer favorável da senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO), foi aprovada pelo Senado sem mudanças em relação ao texto que veio da Câmara.

O projeto altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) para classificar esses cursos como atividades de formação continuada dos professores.
Lacuna

Dorinha lembrou que a atual redação da LDB garante a esses profissionais da educação o direito ao aperfeiçoamento profissional continuado (como parte da política de valorização da carreira), inclusive com licença remunerada. O problema, argumentou ela, é que a lei não define quais atividades de formação podem ser incluídas nesse processo.

— Essa lacuna pode gerar interpretações restritivas por parte dos sistemas de ensino, especialmente no que se refere ao reconhecimento de atividades de pós-graduação e de pesquisa como integrantes do aperfeiçoamento profissional — afirmou ela em 9 de junho, durante a votação do projeto na Comissão de Educação e Cultura do Senado (CE).

Para Dorinha, o projeto dá mais clareza à legislação ao detalhar as modalidades de qualificação que podem ser consideradas para esse fim.

Além disso, a senadora destaca que a proposta se alinha ao novo Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelece como meta a garantia de que 70% dos docentes da educação básica concluam cursos de pós-graduação relacionados à sua área de atuação.

Fonte: Agência Senado

terça-feira, 16 de junho de 2026

SINPROESEMMA é recebido na SEDUC e cobra avanço nas pautas da educação como a Comissão de Acompanhamento do Precatório, Concurso público e outros direitos


Na quinta-feira (11), a direção do Sinproesemma esteve reunida com o subsecretário de Educação do Maranhão, Antônio Heluy, para tratar de pautas prioritárias para os trabalhadores e trabalhadoras da educação da rede estadual.

Durante o encontro, o Sinproesemma voltou a cobrar a imediata reedição da Portaria que institui a Comissão Paritária de Acompanhamento dos Precatórios do FUNDEF. A comissão, instituída em 2024, não foi efetivada em 2025 e, mesmo com a proximidade do pagamento dos precatórios, ainda não foi formalizada em 2026.

Para o Sinproesemma, a ausência da comissão compromete a transparência do processo de pagamento dos Precatórios, uma vez que a categoria segue sem informações sobre os valores das cotas individuais, o número de beneficiários e os critérios que serão adotados para a distribuição dos recursos.


“A não instituição da Comissão Paritária e a falta de transparência sobre o pagamento dos Precatórios do FUNDEF ferem a legislação e geram insegurança para os profissionais da educação que aguardam esse direito”, destacou Fábio Orlan, presidente em exercício do Sinproesemma.

Outro tema debatido foi sobre o concurso público para a educação. Anunciado ainda em 2025 pelo Governo do Estado e já no meio do ano, o Sinproesemma acredita que o certame possa não ser realizado em 2026 o que prejudica e muito a educação. Atualmente cerca de 57% dos professores da rede estadual são contratados, situação que precariza as relações de trabalho e gera desigualdades entre profissionais que exercem as mesmas funções. Os diretores também cobraram a realização de um concurso público para os profissionais da educação não docentes, o último concurso destinado a esse segmento ocorreu há mais de 30 anos, em 1992.

A direção também cobrou avanços na implantação do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR) dos funcionários não docentes. A minuta do projeto já foi entregue à Secretaria de Estado da Educação (Seduc) e à Secretaria de Administração, mas ainda não houve encaminhamentos concretos.



Segundo o Sinproesemma, a criação da carreira para esses profissionais representa um passo fundamental para a valorização dos trabalhadores da educação e para a melhoria da qualidade do ensino público no Maranhão. Outro ponto levado à reunião foi a situação de parte dos funcionários da educação, como porteiros, vigias, auxiliares de serviços gerais e outros trabalhadores, que continuam recebendo remuneração inferior ao salário mínimo. O problema persiste há cerca de dois anos, apesar dos compromissos assumidos anteriormente pela gestão estadual para solucionar a questão.

Também foram discutidos os atrasos na publicação das portarias de aposentadoria e a demora na concessão das progressões funcionais, demandas históricas da categoria que seguem sem solução definitiva.

Durante a reunião, o subsecretário Antônio Heluy defendeu a retomada do diálogo entre a Seduc e o Sinproesemma.

“Estamos aqui para construir um novo momento de diálogo e trabalhar para construir as pontes necessárias, pois tem muita coisa para a gente conquistar”, afirmou Antônio Heluy.

O presidente em exercício do Sinproesemma, Fábio Orlan reforçou que o sindicato permanece aberto ao diálogo e à construção de soluções conjuntas para os problemas da educação maranhense.

“Quando a entidade sindical, representante legal da categoria não é atendida, passa-se a impressão de que a entidade não tem importância, e isso não é verdade. Queremos sentar à mesa, dialogar, compreender o que está acontecendo e levar essas informações aos nossos representados e à sociedade. O que queremos é uma mesa permanente de negociação. Até hoje não tivemos respostas, nem positivas nem negativas, aos nossos pedidos de audiência. É preciso termos avanços concretos nas pautas da educação, valorizando os educadores e fortalecendo a educação pública, que é o único meio para desenvolvermos o nosso Estado”, destacou Fábio Orlan.

Fonte: ASCOM - SINPROESEMMA

domingo, 14 de junho de 2026

Encontro de gigantes: Célia Sampaio lança “Trouxe Pra Mim”, reggae com Humberto Filho de Maracanã, neste domingo (14)

Humberto de Maracanã Filho e Célia Sampaio

SÃO LUÍS – No meio do burburinho das festas juninas, a música maranhense ganha um reforço de peso. Neste domingo (14), a cantora e compositora maranhense Célia Sampaio, conhecida como a “Dama do Reggae”, lança nas plataformas digitais a faixa inédita “Trouxe Pra Mim”, que conta com a participação especial de Humberto Filho de Maracanã, herdeiro de uma das maiores tradições do Bumba-meu-boi do Maranhão.

A música viaja pelas encantarias do nosso estado - a letra conta a história de um jasmim trazido do jardim de Iemanjá pela menina das ondas do mar, onde quem escuta passeia pela Pedra de Itacolomy, pela Ilha de Guarapirá e vê o Veleiro Grande passar, tudo sob a proteção do Rei da Maresia e do rei e da rainha do mar.

Para Célia Sampaio, é a “poesia da nossa terra [Maranhão] em formato de ‘pedra’”. “‘Trouxe Pra Mim’ tem uma história muito interessante. Humberto Filho compôs a letra pensando no sotaque de matraca do boi. Quando a canção chegou aos meus ouvidos, eu senti a força do som e resolvi fundir essas duas riquezas da nossa terra: a batida do reggae com a poesia do bumba-meu-boi, juntando a Jamaica e o Maranhão em uma coisa só”, destacou a artista.


A faixa, que conta também com participação do tecladista e produtor musical Jesiel Bives, será lançada no próximo dia 14 de maio, em todas as plataformas digitais (Spotify, Deezer, Apple Music, etc.). Para mais informações sobre Célia Sampaio, acesse o Instagram oficial da cantora (@cantoraceliasampaio), no link: 
https://www.instagram.com/cantoraceliasampaio.

Lançamento ao vivo na Feirinha São Luís

E o lançamento de “Trouxe Pra Mim” vem de forma muito especial: com show ao vivo, na edição deste domingo na nova edição da Feirinha São Luís, que ocorre na Praça Benedito Leite, no Centro Histórico da capital maranhense, às 13h.

O show, que será no mesmo dia que a faixa estreia nas plataformas digitais, contará com Humberto Filho de Maracanã dividindo os vocais com Célia Sampaio na nova faixa. A entrada é gratuita e aberta a todos os públicos.

Célia Sampaio

Natural de São Luís (MA), Célia Sampaio é cantora, compositora, multi-instrumentista, técnica de enfermagem e artesã. Reconhecida como a “Dama do Reggae”, devido ao seu protagonismo feminino nacional, iniciou sua carreira na década de 1980, com a banda Guethos.

Com forte atuação em movimentos culturais afro-brasileiros, destaca-se por interpretações que exaltam a ancestralidade africana e por parcerias com nomes como Alcione, Chico César e Leci Brandão. Também em 2025, a artista fez um feat com a cantora Núbia – artista que recebeu duas indicações ao Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira, nas categorias "Reggae" e "Lançamentos de Reggae".


A discografia de Célia inclui o premiado álbum “Diferente” (2000), “Célia Sampaio” (2022) — dedicado à história do reggae maranhense — e “Eparrey”, seu mais recente lançamento, em tributo à orixá Iansã.

Serviço:

O quê: Lançamento da música “Trouxe Pra Mim”, de Célia Sampaio e Humberto Filho de Maracanã;

Quando: neste domingo (14);

Onde: com show especial na Feirinha São Luís (na Praça Benedito Leite, no Centro de São Luís), às 13h, e em todas as plataformas digitais, às 00h.

Ciência e tecnologia têm papel de destaque na redução histórica do desmatamento na Amazônia


De agosto de 2025 a maio de 2026, houve uma redução de 37,5% nos alertas de desmatamento na Amazônia, o menor valor já registrado pela série histórica para o período. Se analisado apenas o mês de maio, a queda foi de 61,4% em relação ao período anterior. Também ocorreu queda de 8,2% nos alertas de desmatamento do Cerrado em relação ao mesmo período anterior.

Os dados divulgados nesta quinta-feira (11) pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, foram produzidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e consta do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter).

Ao lado do presidente Lula, a ministra do MCTI, Luciana Santos, destacou que os resultados refletem a integração entre ciência, tecnologia e políticas públicas de proteção dos biomas brasileiros. De acordo com ela, o Brasil conta hoje com um dos mais respeitados sistemas de monitoramento ambiental do mundo. “Essa capacidade foi construída pela ciência nacional e permite acompanhar, com precisão e transparência, o que acontece em nossos biomas. Luciana completou dizendo que “esses números reforçam a importância de políticas públicas sustentadas pelo conhecimento científico e do trabalho integrado entre governo, instituições de pesquisa e órgãos de fiscalização para proteger nosso patrimônio ambiental”.

A qualidade das informações produzidas pelo Inpe permite ao Estado atuar com maior eficiência no combate ao desmatamento ilegal. “Na gestão do presidente Lula, fazemos política pública com base em evidências. O tempo do negacionismo ficou para trás. A excelência do Inpe e o monitoramento de precisão que promovemos são a base que nos permite enxergar a realidade do nosso território e fornecer subsídios qualificados para as ações de proteção ambiental”, disse.

Para o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, os dados refletem os esforços do Governo do Brasil na proteção do meio ambiente e no combate a práticas ilegais. “Qualquer organização internacional pode auditar os dados do Inpe, pois eles são absolutamente técnicos e exatos e mostram que estamos agindo contra o desmatamento ilegal ou a exportação ilegal de madeira”, destacou.

Segundo o coordenador do programa de Monitoramento da Amazônia e Demais Biomas do Inpe, Claudio de Almeida, os dados coletados pelo órgão são fundamentais para a tomada de decisões assertivas para o futuro do meio ambiente. “O Inpe, com o apoio do MCTI, monitora as mudanças do uso da terra, onde tem desmatamento, onde precisamos ter atenção. Hoje, Governo Federal, estados e municípios precisam desses dados para o planejamento de políticas públicas que tenham impacto positivo para o Brasil”, destacou.

Investimentos em ciência e monitoramento

O fortalecimento da ciência, tecnologia e inovação segue firme, visto que ainda há necessidade de melhoria. Os dados do Deter também mostram, por exemplo, que o Pantanal teve aumento de 53,8%, reforçando a necessidade de atenção especial ao bioma. Luciana Santos destacou os investimentos feitos pelo MCTI para fortalecer a capacidade científica e tecnológica do País. Entre as iniciativas estão a recomposição do quadro de servidores do Inpe, a aquisição do supercomputador Jaci e o apoio às infraestruturas de computação de alto desempenho para o processamento de grandes volumes de dados de observação da Terra.

O MCTI também avança em projetos estratégicos para ampliar a soberania tecnológica brasileira no monitoramento dos biomas. Entre eles estão o desenvolvimento do satélite Amazônia-1B e do CBERS-6, fruto da cooperação espacial entre Brasil e China. O novo equipamento contará com tecnologia de Radar de Abertura Sintética (SAR), capaz de gerar imagens mesmo em condições de cobertura de nuvens, ampliando a capacidade de monitoramento ambiental, territorial e de desastres naturais.

Ministério da Cultura aprova 240 projetos culturais na Lei Rouanet e autoriza R$ 295 milhões em incentivos fiscais


O Ministério da Cultura (MinC), por meio da Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura (Sefic), realizou, na quarta-feira (10), a 371ª reunião ordinária da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNC). Em formato virtual, o colegiado aprovou 240 projetos culturais submetidos à Lei Rouanet e autorizou a captação de R$ 295,5 milhões em incentivos fiscais.

Os recursos, resultados de renúncia fiscal, beneficiam empresas e pessoas físicas que investem em iniciativas culturais, além de impulsionar o desenvolvimento social e econômico do setor produtivo.

Entre as iniciativas aprovadas, estão a edição de 2026 do São João de Maracanaú, no Ceará, festa tradicional que conta com uma estrutura acessível de 80 mil metros quadrados para receber shows, teatro, circo e festivais de quadrilhas com programação gratuita. Nas áreas de Humanidades e Patrimônio Cultural, a comissão aprovou o Plano Bianual do Instituto Vini Jr, que prevê a distribuição em escolas públicas de cinco estados de um livro sobre a temática antirracista com base na cultura afro-brasileira e dos povos originários, além de oficinas para a comunidade escolar que utilizam a oralidade da pedagogia griô.

Em Conceição do Mato Dentro (MG), o Projeto Integrado de Educação Patrimonial e Formação Artística Cultural Quilombola, da Associação Comunitária de Três Barras, busca a salvaguarda do modo de vida tradicional e do patrimônio agroalimentar da região por meio de oficinas e de um inventário participativo.

O fomento à formação artística e à expressão comunitária define a seleção nos campos da Música e das Artes Visuais. O plano bianual da Escola de Música da Rocinha, no Rio de Janeiro, garante a manutenção da Orquestra de Câmara local e a oferta de oficinas gratuitas de instrumentos, canto coral e teoria musical para crianças e jovens da região. Na área de capacitação, a segunda edição do projeto Olhares Negros organiza oficinas de fotografia para jovens de periferias com o objetivo de registrar a identidade dos territórios periféricos, com encerramento em uma exposição pública e gratuita.

O secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, Thiago Rocha, ressaltou a importância da comissão na avaliação das propostas submetidas ao fomento federal. “Os recursos autorizados estimulam o setor cultural do país e asseguram o acesso de comunidades a ações de impacto social, além de fortalecer a identidade nacional e gerar novos postos de trabalho na cadeia produtiva”, afirmou.

Durante a reunião, também foi anunciado que o próximo encontro da comissão será realizado em julho em Campo Grande (MS) em caráter itinerante. A iniciativa visa promover a troca de experiências entre comissários e agentes culturais de diferentes regiões do país, além de aprimorar o uso do incentivo fiscal do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac).

Além disso, foi destacada a cerimônia de lançamento do programa Rouanet Centro-Oeste, na próxima segunda-feira (15), em Cuiabá (MT). Em parceria com o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Petrobras, Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG) e Transpetro, a iniciativa destinará R$ 29 milhões para apoiar e financiar projetos culturais em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal.

CNIC

A Lei Rouanet segue como um dos principais mecanismos de fomento à cultura no Brasil, garantindo que projetos culturais tenham o suporte necessário para impactar positivamente a sociedade.

Instituída pela Lei Rouanet e com a regulamentação atualizada pelo Decreto n.º 11.453/2023, a CNIC atua como uma consultoria qualificada e voluntária na gestão da Lei Rouanet. Tem como objetivo subsidiar, mediante parecer técnico fundamentado, as decisões do MinC quanto à aprovação dos projetos submetidos aos incentivos fiscais e ao enquadramento das propostas.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Artigo de José Medeiros da Silva: 'Darcy Ribeiro e Portinari: um encontro do povo chinês com a alma brasileira'


Darcy Ribeiro e Portinari aproximam Brasil e China em diálogo cultural sobre identidade, povo .

Por José Medeiros da Silva e J. Renato Peneluppi Jr.*

Em novembro de 2024, os presidentes Xi Jinping e Lula lançaram o Ano Cultural Brasil–China 2026, uma iniciativa que simboliza a convergência entre duas grandes civilizações do Sul Global e reafirma o intercâmbio cultural como ponte estratégica para um futuro comum de cooperação, respeito e aproximação entre os dois países. Hoje, os povos brasileiro e chinês já começam a colher os frutos dessa decisão por meio de uma intensa agenda de atividades, encontros e projetos de cooperação.

Entre as diversas iniciativas culturais brasileiras realizadas na China até o momento, duas nos parecem destinadas a deixar marcas duradouras na forma como o Brasil e os brasileiros serão percebidos e compreendidos pelo povo chinês, inaugurando, assim, uma nova etapa de aproximação entre os dois países.

A primeira foi a publicação, em chinês, de O Povo Brasileiro, de Darcy Ribeiro, pela Chaohua Publishing House (Blossom Press). A obra tem despertado grande interesse na comunidade acadêmica chinesa, especialmente entre aqueles que buscam conhecer o Brasil para além das imagens mais difundidas no exterior. Como observou a tradutora Yan Qiaorong, professora da Universidade de Comunicação da China, em entrevista ao Diário do Povo por ocasião do lançamento do livro em Beijing, em 9 de abril de 2026, “a obra permite que os leitores chineses ultrapassem a imagem superficial de samba e futebol para compreender a essência espiritual e intelectual do povo brasileiro”.


A segunda grande iniciativa cultural é, sem dúvida, a exposição O Brasil de Portinari, inaugurada em 9 de junho de 2026 no Museu Nacional da China, em Beijing, onde permanecerá aberta ao público até 10 de outubro. Reunindo 56 obras de diferentes fases da trajetória do artista, a mostra apresenta ao público chinês pinturas emblemáticas como Os Retirantes, O Mestiço, O Café, Meninos Soltando Pipas e Roda Infantil. Em sua versão chinesa, a exposição recebeu o sugestivo título A Alma do Brasil — Exposição de Arte de Portinari (巴西魂——波尔蒂纳里艺术展).

Nada resume melhor o impacto que essa exposição de Portinari tende a causar no coração do povo chinês do que as palavras de Luo Wenli, diretor do Museu Nacional da China, proferidas durante a cerimônia de inauguração: “No firmamento artístico do século XX, marcado por mestres brilhantes, Candido Portinari ergue-se, sem dúvida, como um dos mais singulares picos espirituais da arte mundial. Em suas obras, a terra vermelha é a cor de fundo, e os trabalhadores, a espinha dorsal: em suas pinceladas condensam-se a respiração da terra brasileira e o destino do seu povo”. E ainda: “Diante de suas pinturas, o público não apenas percebe a textura e o calor daquela terra, mas também se vê profundamente comovido pelo olhar que o artista lança ao horizonte espiritual comum da humanidade. Os monumentais murais Guerra e Paz, criados para a sede das Nações Unidas, há muito transcenderam fronteiras nacionais, tornando-se uma das mais profundas e sinceras aspirações da humanidade pela paz”.

Ao inaugurar a exposição em Beijing, João Candido Portinari, filho do pintor, resumiu com precisão o sentido mais profundo dessa aproximação entre brasileiros e chineses ao afirmar: “Através do olhar atemporal de Candido Portinari, o Brasil e a China se encontram no amor pela terra, no respeito pelos trabalhadores e na fé inabalável na alma humana”.

De certa forma, tanto Darcy, por meio das palavras, quanto Portinari, por meio de pinceladas magistrais, dedicaram suas vidas à compreensão de um mesmo drama, de um mesmo desafio e de uma mesma esperança: a construção de um Brasil mais justo, atento ao bem-estar de seu próprio povo, alegre, criativo e dotado de uma profunda vocação para a fraternidade, o acolhimento e a convivência com os demais povos do mundo.

Ambos integram uma linhagem de grandes intérpretes do Brasil que, com rara acuidade e sensibilidade, souberam tocar dimensões profundas da alma brasileira e captar nosso doloroso, mas também esperançoso, processo de consolidação de um país e de construção de uma identidade nacional.

Esse fazimento da brasilidade, teorizado por Darcy Ribeiro, tem corpo e cor nas telas de Portinari. Em suas pinceladas desfilam muitos dos homens e mulheres que ajudaram a construir o Brasil: os retirantes em busca de vida, marcados pela seca e pela pobreza, tão presentes também em clássicos da literatura brasileira como Vidas Secas, de Graciliano Ramos, e Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto; os trabalhadores que, com sua força e seu labor, produzem riqueza e sustentam a vida nacional, como em O Café; as brincadeiras de criança, que simbolizam a alegria, o afeto, a criatividade e a esperança — pilares que sustentam a epopeia civilizacional brasileira.

Tanto em Darcy quanto em Portinari, temos um olhar alicerçado em uma profunda consciência da condição humana e em um permanente compromisso com a paz, a dignidade e a justiça social. Trata-se, em última instância, da expressão de uma genuína alma humana que pulsa no Brasil.

Por tudo isso, acreditamos que o Ano Cultural Brasil–China 2026 deixará marcas duradouras na forma como o Brasil será percebido e compreendido na China. Ao oferecer ao público chinês novas chaves para compreender a formação histórica, a diversidade cultural e a experiência humana brasileira, esse amplo conjunto de iniciativas contribui para aproximar de maneira profunda e duradoura os nossos povos.

Afinal, quanto mais profundamente nos conhecemos, mais próximos nos tornamos — e é precisamente essa alma brasileira, pulsante nas palavras de Darcy e nas telas de Portinari, que hoje se oferece ao olhar e ao coração do povo chinês.

*J. Renato Peneluppi Jr. é Doutor em Administração Publica na China, advogado e diretor do Conselho de Cidadãos Brasileiros de Beijing.