sábado, 15 de agosto de 2026

Por que colecionar livros? Antonio Carlos Secchin e João Almino falam sobre poesia e apego a obras raras


Em conversa sobre colecionismo, biblioteca e valor cultural dos livros e acervos, os Acadêmicos Antonio Carlos Secchin e João Almino falaram sobre o que motiva o colecionador a garimpar livros, o processo de acumular obras raras, a importância da conservação de livros e como eles são formas expressivas de uma sociedade. Eles também abordaram o apego a peças e o saber do compartilhar, como o ato de fazer o livro circular através de doações, empréstimos ou em bibliotecas particulares e públicas que abrigam acervos valiosos.

Foram esses os assuntos trazidos na última mesa com participação da ABL na FLIN. O tempo chuvoso não impediu o público de comparecer à Arena FLIN, que contou com um público de diversas faixas etárias , ávido pelo conhecimento e pela curiosidade de entender quais são os critérios comuns a um colecionador e o que é levado em consideração na escolha de uma obra para agregar à coleção.

“Eu estou num movimento de “despossuir” livros. Fui acumulando livros. Tenho um acervo com mais de 8.000 livros. Já fiz uma doação de 1.300 obras para uma biblioteca pública. Conforme as minhas mudanças de casa durante a vida, que já ultrapassam oito, eu ia me desfazendo. Além de cópias físicas, passei a ler também cópias digitais em Kindle e às vezes livros que não são impressos, que só existem em pdf. E passei a incorporar isso ao meu celular e ao meu computador também”, afirmou João Almino.

Antonio Carlos Secchin confessou certa resistência em relação à cultura do ebook. Para ele, falta ao ebook o livro raro, o exemplar único, os livros diferenciados.

O acadêmico disse que o livro físico fascina. “O leitor comum se interessa pelos textos e pelas imagens, enquanto o bibliófilo, como é o meu caso, se interessa pelo suporte físico dos textos e das imagens.” Ele elencou alguns elementos que marcam essa fronteira extensa entre a sensação de ler um livro físico e um digital, especialmente para o bibliófilo.

“É o aparato o livro: as ilustrações, as erratas, o prefácio, a capa, e até o material do papel. São informações que chamamos de “peritextuais”, aquelas que estão no perímetro do livro. Isso também é informação da obra.



A forma também conta.” Secchin disse que sempre teve um grande interesse em conhecer os autores marginalizados do cânone da literatura brasileira:

“Sou uma pessoa que gosto simultaneamente da literatura e dos livros. Como começar a conhecer os autores desconhecidos? “No campo da poesia, o cânone abrange os poetas mais clássicos Gonçalves Dias, Fagundes Varella, Casimiro de Abreu, entre outros…”

Um instrumento ideal para esse desbravar de chegar a esses autores que não são populares seriam as antologias, pelas quais o poeta cultiva enorme apreço.

Por conta do ebook todos os livros estão condenados à eternidade. Secchin lembra que, antigamente, os livros eram extintos por conta dos seus suportes físicos. O bibliófilo teria, então, essa função de ir contra a maré do desaparecimento total da obra.

Para Secchin, há dois tipos de bibliofilia: a intransitiva, que está relacionada à posse de algo exclusivo, que o outro não tem, o prazer que reside nesse impedimento, e a bibliofilia transitiva: aquela categoria de bibliófilos que ocupam um lugar de guardião de um tesouro que pertence a todos - e deve e merece ser compartilhado.

Como curiosidade e depois de muita pesquisa, Secchin disse que o primeiro a utilizar o verso livre no Brasil foi Guerra Duval, no livro “Palavras que o vento leva”.

João Almino trouxe a ideia das múltipas interpretações que podem variar até mesmo de forma individual, conforme a passagem do tempo, novas experiências e perspectivas. “O livro vai se modificando à medida que nós vamos mudando“.

"Na minha experiência, quando eu volto a marcações feitas em um livro, vejo que elas não são tão mais importantes assim. O livro tem essa capacidade de ser um ente vivo”, destacou.



Por que possuir livros? Por que colecionar?

O bibliotecário e arquivista Carlos Juvêncio, formado pela UFF, falou que o ato de colecionar livros abrange dois estilos de pessoas, com comportamentos bem distintos: os hereges que não fazem marcações em livros, e os que grifam os trechos que mais chamaram atenção no livro, que são os com os quais ele mais se identifica.

“O livro colecionado é como um item de desejo. O ato de colecionar é um ato de memória, conservação e de se colocar naquela obra, de alguma forma. O livro tem múltiplas significações. O colecionismo move a gente”, afirmou.

Segundo o bibliotecário, a coleção só faz sentido para o colecionador e esse talvez seja o seu grande demérito.

“Quando a coleção é incorporada à outra ela pessoa ganha ressignificados”.

O arquivista também lembrou a importância de se ter políticas públicas sólidas e constantes para desenvolver as bibliotecas, que são esse espaço de troca de saberes, de arquivos preciosos, e de livros que precisam de um cuidado de conservação para que continuem em circulação.

Fo nte: ABL

Ministério da Saúde reforça vacinação de crianças e adolescentes contra sarampo, pneumonias e outras doenças


O Ministério da Saúde inicia a Campanha de Multivacinação 2026 para atualizar a caderneta de crianças e adolescentes menores de 15 anos e elevar as coberturas vacinais em todo o país. A mobilização segue até 1º de setembro, com Dia D nacional em 22 de agosto, e oferece 20 imunizantes do Calendário Nacional de Vacinação. A ação reforça a proteção contra doenças graves, como sarampo, pneumonias e meningites, e amplia a proteção coletiva por meio da vacinação.

“Estamos recuperando a cobertura vacinal, mas sempre temos que manter isso atualizado. Também estamos chamando a atenção para o reforço da vacina do sarampo. Outros países do mundo pararam de vacinar, tiveram explosão de casos de sarampo. Os Estados Unidos estão vivendo o maior surto de sarampo nos últimos 35 anos da história deles. E esses casos vêm para o Brasil, de forma importada”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que acompanhou, nesta sexta-feira (7), a distribuição de doses de vacinas no Almoxarifado Central de Guarulhos.

Para viabilizar a ação, 1,5 milhão de doses de vacinas foram distribuídas aos estados. Ao longo de 2026, o Ministério da Saúde já destinou mais de 177 milhões de doses aos estados e ao Distrito Federal, garantindo o abastecimento da rede e o apoio às estratégias de vacinação.

A vacinação é a principal forma de prevenção contra doenças imunopreveníveis. Manter altas coberturas é fundamental para proteger crianças e adolescentes, reduzir a circulação de vírus e bactérias e evitar o retorno ou a disseminação de doenças que podem causar complicações graves, sequelas e até mortes.

Entre as doenças que podem ser evitadas pela vacinação estão formas graves de tuberculose, hepatites A e B, difteria, tétano, coqueluche, poliomielite, infecções por rotavírus, pneumonias e meningites causadas por pneumococos e meningococos, influenza (gripe), covid-19, febre amarela, sarampo, caxumba, rubéola, varicela (catapora), infecções pelo papilomavírus humano (HPV) e dengue.

Esta é a primeira edição da multivacinação com a vacina pneumocócica 20-valente (Pneumo 20), incorporada neste ano ao Calendário Nacional de Vacinação. O imunizante amplia a proteção contra doenças causadas pelo pneumococo, incluindo pneumonias e meningites, e é indicado para crianças menores de 5 anos, conforme o esquema vacinal.

A mobilização também contempla atualizações recentes do calendário, como a oferta da vacina contra a dengue para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos e a vacinação contra a covid-19 para crianças, conforme as indicações específicas de cada imunizante.

A vacinação será seletiva. Os profissionais de saúde vão conferir a caderneta e aplicar somente as doses necessárias para iniciar ou completar o esquema previsto. Pais e responsáveis devem levar o documento aos serviços de vacinação.

Vacinas disponíveis

Durante a estratégia, poderão ser ofertadas, conforme idade, histórico vacinal e indicação: BCG;
Hepatite B;
Penta (DTP/Hib/HB);
Poliomielite (VIP);
Rotavírus humano;
Pneumocócica conjugada 10-valente e 20-valente;
Meningocócica C;
Influenza;
Covid-19;
Febre amarela;
Meningocócica ACWY;
Tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola);
Varicela;
DTP;
Hepatite A;
dT;
HPV4;
Dengue tetravalente.

Vacinação contra o sarampo

Como parte da mobilização, o Ministério da Saúde intensificará a vacinação contra o sarampo nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. Nesses três municípios, a orientação é ampliar a oferta da vacina para todas as pessoas de 6 meses a 59 anos, de forma indiscriminada, durante a estratégia.

“Nós estamos chamando pessoas até 59 anos para se vacinar contra o sarampo, para a gente ter garantia do bloqueio, não deixar acontecer no Brasil o que está acontecendo nos Estados Unidos hoje, e nem o que aconteceu em São Paulo em 2019, que chegou a 20 mil casos de sarampo. A campanha vai até o dia 1º de setembro. O Ministério da Saúde distribuiu quase 180 milhões de doses de vacinas para crianças e adolescentes em todo o país”, informou o ministro.

A medida foi adotada após o registro de casos de sarampo relacionados à importação do vírus e busca elevar a cobertura vacinal, ampliar a proteção da população e reduzir o risco de transmissão.

A vacina utilizada é a tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Para crianças de 6 a 11 meses, a chamada dose zero é uma dose adicional e não substitui as doses de rotina, que devem ser aplicadas aos 12 e aos 15 meses. A necessidade de vacinação das demais faixas etárias será verificada pelos profissionais de saúde de acordo com a idade e o histórico vacinal.

A atualização da caderneta durante a campanha também permite identificar e corrigir eventuais atrasos na vacinação contra outras doenças previstas no Calendário Nacional.

Abastecimento

Para a Campanha de Multivacinação, o Ministério da Saúde distribuiu 1,5 milhões de doses aos estados. Em 2026, o Ministério da Saúde já distribuiu mais de 177 milhões de doses de vacinas aos estados e ao Distrito Federal para garantir o abastecimento da rede e apoiar as estratégias de vacinação.

Na estratégia de intensificação contra o sarampo, mais de 7,2 milhões de doses da vacina tríplice viral já foram distribuídas em 2026 aos estados e municípios. Desse total, cerca de 2,9 milhões já foram aplicadas no país.

Em São Paulo, 3,2 milhões de doses da vacina tríplice viral foram destinadas ao reforço do abastecimento, garantindo a continuidade da vacinação contra o sarampo.

Até o momento, foram aplicadas mais de 94,8 milhões de doses das vacinas previstas no Calendário Nacional de Vacinação. Em 2025, foram administradas 170,8 milhões de doses em todo o país.

Durante a Campanha de Multivacinação de 2025, foram aplicadas mais de 7,5 milhões de doses em todo o país, sendo cerca de 1 milhão durante o Dia D.

Novo reforço contra a poliomielite

Desde 3 de agosto de 2026, o esquema de vacinação contra a poliomielite passou a incluir o segundo reforço da vacina poliomielite (VIP) aos 4 anos de idade.

A mudança complementa o esquema exclusivamente com VIP adotado pelo Brasil desde 2024 e reforça a proteção contra a poliomielite, doença que ainda não foi erradicada mundialmente.

O Brasil não registra casos de poliomielite há décadas e mantém a vacinação como principal medida para evitar a reintrodução do poliovírus. Por isso, é fundamental que as crianças recebam todas as doses previstas no Calendário Nacional de Vacinação.

Melhora na vacinação infantil

Dados divulgados em 14 de julho pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) apontam melhora na vacinação infantil no Brasil. O número de crianças que não receberam a primeira dose da vacina Penta (DTP/Hib/HepB) caiu de 360 mil, em 2023, para 50 mil, em 2025, redução de cerca de 90%.

De acordo com as Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional (WUENIC), o número de crianças zero-dose no Brasil caiu de 360 mil, em 2023, para 255 mil em 2024 e 50 mil em 2025. O resultado representa redução de aproximadamente 86% em relação ao ano anterior e de quase 90% na comparação com 2023.

Segundo as estimativas, o Brasil vem melhorando a cobertura vacinal e reduzindo o número de crianças zero-dose. O resultado reforça a importância da manutenção de altas coberturas e da busca ativa para garantir que crianças e adolescentes estejam protegidos com todas as vacinas previstas no Calendário Nacional.

Plano de Diretrizes e Metas do Audiovisual Brasileiro traz orientações para as políticas do setor até 2035


O Plano de Diretrizes e Metas (PDM) do Audiovisual Brasileiro 2026–2035 é um dos principais instrumentos estratégicos para o desenvolvimento do setor no país. Aprovado pelo Conselho Superior do Cinema (CSC), órgão colegiado integrante do Ministério da Cultura (MinC), em fevereiro deste ano, o documento define as orientações que irão guiar as políticas públicas para o audiovisual na próxima década.

O Plano reúne diretrizes, objetivos, metas, ações e indicadores para as políticas públicas do audiovisual, que tem em sua organização federal o tripé: Conselho Superior do Cinema (CSC); Secretaria do Audiovisual (SAV) do Ministério da Cultura e Agência Nacional do Cinema (Ancine).

Com vigência de dez anos, reúne diretrizes, objetivos e metas para as iniciativas estabelecidas por meio do trabalho da SAV e da Ancine. O foco é promover o fortalecimento integrado da cadeia produtiva do audiovisual, contemplando desde a formação de profissionais até a produção, distribuição, exibição e circulação de obras brasileiras no Brasil e no exterior.

Desenvolvimento

O PDM organiza ações voltadas ao desenvolvimento econômico do setor, ao aperfeiçoamento regulatório e à articulação entre agentes públicos e privados que compõem o ecossistema audiovisual. Também fundamenta ações entre diferentes ministérios, esferas de gestão e da sociedade civil.

O Plano está estruturado em sete princípios, nove diretrizes e oito eixos estratégicos, além de objetivos e metas específicas.

Princípios:

• Direito à arte, comunicação, informação, formação e cultura crítica no setor audiovisual;

• Direito à memória, patrimônio, preservação audiovisual;

• Garantia da liberdade de expressão, criação, direito de acesso e à fruição de conteúdo audiovisual brasileiro;

• Garantia do exercício dos direitos culturais, da participação e controle social nas políticas audiovisuais;

• Promoção do simbólico, da imaginação, da criatividade e da acessibilidade no audiovisual brasileiro;

• Respeito e valorização da diversidade e identidades culturais;

• Desenvolvimento econômico sustentável do ecossistema audiovisual brasileiro, com enfoque no adensamento produtivo, inovação e tecnologia, geração de empregos e competitividade.

Diretrizes:

• Diversificar a produção independente, estimulando a inovação da linguagem, dos formatos e dos modelos de negócio do audiovisual;

• Valorizar as diversidades étnica, racial, de gênero, territorial e regional assegurando o reconhecimento das interseccionalidades no setor audiovisual;

• Integrar os segmentos de mercado audiovisual, fortalecendo os diversos agentes econômicos;

• Promover a cooperação e complementaridade de ações entre os agentes públicos, privados e sociedade civil;

• Pactuar a gestão, as políticas e os recursos entre os entes federativos;

• Aprimorar, diversificar, desburocratizar e simplificar processos e mecanismos de financiamento da atividade audiovisual;

• Ampliar e aprimorar um ambiente regulatório caracterizado pela defesa da competição e dos consumidores, pelo fortalecimento das empresas brasileiras, da promoção e da circulação das obras brasileiras, em especial as independentes, garantida a participação aos grupos vulnerabilizados;

• Aumentar a competitividade e a inserção brasileira no mercado internacional de obras e serviços audiovisuais, através de governança interministerial;

• Consolidar o poder de influência (soft power) do audiovisual brasileiro.

Eixos:

• Gestão e Participação Social;

• Desenvolvimento Econômico e Regulação;

• Financiamento;

• Educação e Trabalho;

• Produção, Linguagens, Segmentos e Modos de Fazer;

• Difusão, Distribuição e Exibição;

• Patrimônio, Memória e Preservação Audiovisual;

• Internacionalização do Audiovisual.

O Plano beneficia diretamente profissionais, empresas, instituições e demais agentes da cadeia audiovisual. Ao fortalecer a produção e ampliar a circulação de conteúdos brasileiros, também contribui para garantir à população o acesso à cultura, conforme previsto na Constituição Federal.

Referência

Mais do que um instrumento de planejamento, o PDM servirá de referência para a formulação, execução e avaliação das políticas públicas para o audiovisual brasileiro e a criação de novos programas e projetos. O documento irá nortear a aplicação de recursos de mecanismos como o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), o Fundo Nacional de Cultura (FNC) e as leis de incentivo fiscal, além de subsidiar a criação de novos programas e iniciativas para o setor.

Busca também ampliar a previsibilidade das políticas públicas, fortalecer a governança e estabelecer metas e indicadores que permitam acompanhar os resultados das ações implementadas ao longo dos próximos dez anos.

Construção

A elaboração do Plano de Diretrizes e Metas foi resultado de um amplo processo de construção coletiva, que reuniu representantes do poder público e da sociedade civil.

O documento incorporou contribuições obtidas por meio de escutas públicas, análises de dados do mercado audiovisual, diretrizes da 4ª Conferência Nacional de Cultura e debates realizados durante o PDM Participativo, iniciativa que percorreu as cinco regiões do país, além do Seminário de Economia do Audiovisual e Interseccionalidades.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Ideb no Brasil: indicadores da educação avançam, mas CNTE cobra mais investimentos


O Ministério da Educação (MEC) divulgou na quarta-feira (5) os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para o ano de 2025. Os números apontam para uma melhoria na média nacional em todas as etapas de ensino.

A metodologia do Ideb combina os dados de aprovação escolar coletados pelo Censo Escolar e das médias de desempenho obtidas no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Ele varia de 0 a 10 e considera indicadores de fluxo escolar e de desempenho dos estudantes.

Para a A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), que vê sérias limitações no Ideb, pois o índice não capta as desigualdades entre as redes de ensino e as escolas, a influência das políticas de (des) valorização dos profissionais da educação, especialmente a substituição de profissionais concursados por temporários. Contudo, um

“Um dos dados mais sensíveis e injustos refere-se à evasão escolar, que não. Ela não integra a média do Ideb e muitas redes de ensino têm fechado escolas noturnas e do campo, por exemplo, para alavancar a média – um contrassenso”,avalia a Confederação..

Resultados

Seguindo a lógica limitada do Ideb, os dados agregam os resultados das redes pública (municipal e estadual) e privada. No ensino fundamental, os anos iniciais (do 1º ao 5º ano) chegaram a 6,3. Do 6º ao 9º ano, a média foi 5,3. O ensino médio alcançou a nota 4,5.

Esses resultados são os mais altos já registrados desde a criação do indicador, em 2005, mas as metas estabelecidas em 2021 para os anos finais do ensino fundamental e ensino médio — 5,5 e 5,2, respectivamente — não foram atingidas. Os números obtidos na avaliação anterior, em 2023, são: 6 nos anos iniciais do ensino fundamental, 5 nos anos finais e 4,3 no ensino médio.

Se considerarmos apenas a rede pública, os dados também apresentaram um crescimento. O ensino fundamental alcançou as notas 6,1 nos anos iniciais e 5.0 nos anos finais, comparadas aos 5,7 e 4,7 de 2023. A nota do ensino médio fechou em 4,3 nesta edição, enquanto a anterior registrou 4,1.

Confira os resultados no sistema de dados do Inep

Dedicação dos/as profissionais da educação

A CNTE reconhece a importância das políticas de avaliação educacional, mas elas precisam ser sistêmicas e democráticas, reconhecendo o protagonismo das escolas, dos profissionais e da comunidade. Por isso, a Confederação defende aprimorar o Ideb no contexto do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica – Sinaeb, ainda pendente de regulamentação.

“Comunidades mais vulneráveis têm mais dificuldades no desempenho dos estudantes, e isso precisa ser considerado”, disse o secretário-geral da CNTE, Fábio Moraes. Ele acredita que a oscilação positiva nos entes federados é consequência da dedicação dos profissionais da educação.

“Houve crescimento do Ideb porque a escola pública é boa, apesar de muitos ataques e projetos autoritários de gestores, além da plataformização que tem precarizado as instituições. São lugares que têm a professora e o professor, o funcionário e a funcionária, os/as supervisores/as e diretores/as que se empenham para melhorar a qualidade da educação diante de todos esses problemas.”

Análise por estados

O recorte por estados demonstra uma maior disparidade nos resultados. A maioria das unidades da federação não conseguiu alcançar a média nacional nas diferentes etapas de ensino.

Nos anos iniciais, por exemplo, 14 das 27 unidades da federação alcançaram notas abaixo de 6,3. Acre, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Piauí obtiveram resultados na média. O Paraná obteve a nota mais alta (7) e o Amapá a mais baixa (5,5).



Nos anos finais, a média é 5,3. Nove UFs obtiveram notas maiores e 18 atingiram notas menores que 5,3. Alagoas foi o único estado que ficou na média. O Paraná obteve a nota mais alta (5,9) e Roraima a mais baixa (4,4).


O ensino médio apresentou a média mais baixa das etapas da educação básica, de 4,5. Ceará e Santa Catarina obtiveram esse mesmo resultado. 16 unidades da federação registraram notas menores. O Paraná obteve a nota mais alta (5,1), enquanto Amapá e Roraima empataram no menor resultado (3,8).


Escola pública

Na escola pública, o recorte por estados não apresenta uma diferença tão grande nos resultados que compilam todas as redes. As unidades federativas aumentaram as notas nas diferentes etapas em comparação com o Ideb 2023 na maioria dos casos.

Só cinco UFs são exceção:Tocantins e Amapá apresentaram estabilidade no ensino médio em relação a 2023 (4,1 e 3,7, respectivamente).
Rondônia obteve a mesma nota em dois Idebs seguidos, tanto no ensino médio quanto nos anos finais do ensino fundamental (4 e 4,7, respectivamente).
O Distrito Federal foi a única UF que registrou queda no ensino médio, de 3,7 em 2023 para 3,6 em 2025.

Confira os resultados por UF na escola pública:

ACRE: Anos iniciais - 6,2; Anos finais - 4,8; Ensino médio - 4;

ALAGOAS: Anos iniciais - 6,3; Anos finais - 5,1; Ensino médio - 4,2;

AMAPÁ: Anos iniciais - 5,4; Anos finais - 4,4; Ensino médio - 3,7;

AMAZONAS: Anos iniciais - 5,9; Anos finais - 4,8; Ensino médio - 3,7;

BAHIA: Anos iniciais - 5,4; Anos finais - 4,2; Ensino médio - 3,8;

CEARÁ: Anos iniciais - 6,8; Anos finais - 5,6; Ensino médio - 4,5;

DISTRITO FEDERAL: Anos iniciais - 6; Anos finais - 4,7; Ensino médio - 3,6;

ESPÍRITO SANTO: Anos iniciais - 6,4; Anos finais - 5,2; Ensino médio - 4,9;

GOIÁS: Anos iniciais - 6,4; Anos finais - 5,6; Ensino médio - 4,9;

MARANHÃO: Anos iniciais - 5,5; Anos finais - 4,5; Ensino médio - 3,8;

MATO GROSSO: Anos iniciais - 6,1; Anos finais - 4,9; Ensino médio - 4,3;

MATO GROSSO DO SUL: Anos iniciais - 5,7; Anos finais - 4,8; Ensino médio - 4,2;

MINAS GERAIS: Anos iniciais - 6,4; Anos finais - 5,3; Ensino médio - 4,5;

PARÁ: Anos iniciais - 5,5; Anos finais - 4,7; Ensino médio - 4,4;

PARAÍBA: Anos iniciais - 5,9; Anos finais - 4,7; Ensino médio - 4,1;

PARANÁ: Anos iniciais - 6,9; Anos finais - 5,8; Ensino médio - 5,1;

PERNAMBUCO: Anos iniciais - 5,8; Anos finais - 4,9; Ensino médio - 4,7;

PIAUÍ: Anos iniciais - 6,1; Anos finais - 5,2; Ensino médio - 4,9;

RIO DE JANEIRO: Anos iniciais - 5,8; Anos finais - 4,7; Ensino médio - 3,7;

RIO GRANDE DO NORTE: Anos iniciais - 5,2; Anos finais - 4,2; Ensino médio - 3,9;

RIO GRANDE DO SUL: Anos iniciais - 6,1; Anos finais - 5,2; Ensino médio - 4,7;

RONDÔNIA: Anos iniciais - 6; Anos finais - 4,7; Ensino médio - 4;

RORAIMA: Anos iniciais - 5,7; Anos finais - 4,2; Ensino médio - 3,7;

SANTA CATARINA: Anos iniciais - 6,5; Anos finais - 5,2; Ensino médio - 4,3;

SÃO PAULO: Anos iniciais - 6,5; Anos finais - 5,2; Ensino médio - 4,3;

SERGIPE: Anos iniciais - 5,4; Anos finais - 4,4; Ensino médio - 4,1;

TOCANTINS: Anos iniciais - 5,8; Anos finais - 4,7; Ensino médio - 4,1;



Investimento é necessário

Para a diretora executiva adjunta Odisséia Pinto de Carvalho, que assumiu as atividades da Secretaria de Assuntos Educacionais da CNTE, é preciso ter cautela com os dados do Ideb, porque eles não refletem a realidade de precarização nas escolas e a desvalorização dos profissionais da educação.

“O debate sobre a qualidade da educação pública não pode ser reduzido a um número. Uma escola de qualidade se constrói com investimento, valorização dos profissionais, condições dignas de trabalho, inclusão efetiva, segurança e garantia do direito à aprendizagem”, disse Odisséia.

Ela entende que é legítimo questionar se o crescimento do Ideb representa uma melhoria na aprendizagem ou se reflete mecanismos administrativos que favorecem a elevação artificial dos indicadores.

“Esse índice é inflado por políticas que flexibilizam a reprovação, deslocando o foco da aprendizagem para o cumprimento de metas administrativas. No Rio de Janeiro, por exemplo, é permitido que estudantes avancem de série mesmo acumulando reprovações em até seis disciplinas”, explicou.

“Enquanto gestores comemoram resultados, professores e funcionários convivem com salários defasados, desvalorização profissional, sobrecarga de trabalho, falta de pessoal, escolas sem estrutura adequada e uma rotina marcada pela violência, que interrompe aulas e ameaça diariamente estudantes e trabalhadores. Soma-se a isso a suposta inclusão de estudantes com deficiência e neurodivergentes, frequentemente abandonados em turmas superlotadas e sem o atendimento educacional especializado assegurado pela legislação.”

Com informações do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep)
#ideb

Patrimônio Cultural do Brasil, Circo de Tradição Familiar mantém vivos os saberes e modos de vida da atividade


Presente em todas as regiões do país, o Circo de Tradição Familiar reúne grupos de pessoas que, há gerações, transmitem conhecimentos, técnicas e modos de vida ligados à arte itinerante encenada no picadeiro debaixo de uma lona. Bem cultural de natureza imaterial, foi reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil em março de 2026.

A decisão foi aprovada pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, órgão colegiado de decisão máxima do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e resultou na inscrição do bem no Livro de Registro das Formas de Expressão. Os bens imateriais ainda podem figurar nos livros de Saberes, Celebrações e Lugares. O título reforça a importância do circo para a memória, a identidade e a diversidade cultural do país.

O registro é fruto de um processo iniciado há 21 anos, que mobilizou famílias circenses, associações, pesquisadores e instituições públicas. A iniciativa incluiu a realização do Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC) e a elaboração de um dossiê técnico que reuniu informações sobre a história, os saberes e as práticas do Circo de Tradição Familiar.

Conhecimentos

Os circos de tradição familiar em atividade no Brasil preservam conhecimentos trazidos pelas primeiras companhias estrangeiras que chegaram ao país no século 19. Registros históricos, no entanto, apontam que apresentações circenses já aconteciam em território brasileiro desde 1727.

A principal característica dessa tradição é a organização em torno da família. Pais, mães, filhos, avós e netos compartilham o trabalho no picadeiro e fora dele, transmitindo oralmente técnicas, números artísticos e formas de convivência. Em muitos casos, a atividade já chega à oitava geração da mesma família.

Além das apresentações, o modo de vida envolve conhecimentos sobre montagem da lona, produção dos espetáculos, formação de artistas e gestão do cotidiano. Mesmo com a incorporação de novas técnicas e linguagens ao longo do tempo, o trabalho coletivo e a transmissão de saberes entre gerações permanecem como marcas do Circo de Tradição Familiar.

A Fundação Nacional de Artes (Funarte), instituição vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), é responsável pelas políticas públicas de fomento ao circo.

Itinerância

Além de seu valor artístico, o circo desempenha importante papel social. Por meio da itinerância, leva espetáculos e atividades culturais a municípios e comunidades que, muitas vezes, não contam com equipamentos culturais permanentes.

Ao promover o acesso à arte em diferentes regiões, o Circo de Tradição Familiar contribui para a formação de público, amplia o acesso à cultura e fortalece a diversidade das manifestações culturais brasileiras.

O Circo de Tradição Familiar vem se modificando e evoluindo com o passar dos anos a partir da incorporação de novos número e técnicas. No entanto, algumas características permanecem, como a organização em família, a transmissão de saberes e o trabalho coletivo, preservando esse patrimônio vivo da cultura nacional.

Identidade

Os bens culturais de natureza imaterial são práticas, conhecimentos, celebrações, formas de expressão e modos de fazer reconhecidos como referências da identidade e da memória dos diferentes grupos que compõem a sociedade brasileira.

A Constituição Federal de 1988 ampliou o conceito de patrimônio cultural ao reconhecer tanto os bens materiais quanto os imateriais, atribuindo ao Estado e à sociedade a responsabilidade compartilhada por sua preservação.

Propagado de geração em geração e constantemente recriado pelas comunidades, o patrimônio imaterial fortalece o sentimento de pertencimento e contribui para promover o respeito à diversidade cultural e à criatividade humana.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Às margens do Lago Tefé (AM), biblioteca reúne 28 mil obras científicas sobre a Amazônia


Mais do que reunir livros, a Biblioteca Henry Walter Bates, às margens do Lago Tefé (AM), é uma guardiã da memória científica da Amazônia. Inaugurada em 1994 nas dependências do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, ela conta com mais de 28 mil títulos catalogados e tem um dos mais importantes acervos especializados em ciência e pesquisa sobre a Amazônia.

O acervo conta com obras sobre conservação da biodiversidade, uso sustentável dos recursos naturais, estudos sobre populações ribeirinhas e diversidade socioambiental amazônica. São livros, coleções raras, periódicos científicos, produções técnico-científicas do instituto e obras de cronistas, escritores e pesquisadores que ajudaram a registrar, interpretar e compreender a Amazônia e, em especial, a região do Médio Solimões.

Ao longo de mais de três décadas, a biblioteca consolidou-se como uma fonte de consulta para pesquisadores, estudantes e profissionais de diversas áreas do conhecimento. Inserida em uma região cercada por áreas protegidas, é a única biblioteca com conteúdo científico em um raio de mais de 500 quilômetros.


A bibliotecária Graciete Rolim acompanha de perto a história do espaço desde os primeiros anos de funcionamento. Ela conta que o surgimento dele está diretamente ligado às pesquisas que deram início ao Projeto Mamirauá e, posteriormente, ao instituto. “A biblioteca recebeu o nome de Henry Walter Bates em homenagem ao naturalista inglês, cujos estudos sobre a Amazônia serviram de referência para José Márcio Ayres e para diversas pesquisas desenvolvidas na região”, explica.

José Márcio Ayres foi o idealizador da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. A biblioteca nasceu a partir das pesquisas do cientista. Em meados da década de 1980, ele se instalou na região para estudar o uacari-branco e reuniu um importante acervo bibliográfico. Anos depois, no início da década de 1990, com a estruturação do Projeto Mamirauá, Ayres disponibilizou grande parte desse material para compor a biblioteca, criada em 1994. Outros pesquisadores também passaram a doar livros, relatórios e publicações científicas e a contribuir para a formação do acervo inicial.

Guardiã da memória científica da Amazônia

Entre as milhares de obras que compõem o acervo, está toda a produção técnico-científica desenvolvida pelos pesquisadores que passaram pelo Instituto Mamirauá ao longo de décadas. O espaço também preserva mais de 400 títulos de periódicos científicos e informativos, além de coleções bibliográficas formadas a partir de doações de outros pesquisadores que marcaram a história da instituição, como Deborah de Magalhães Lima e Michael Goulding.


Um dos destaques é a Coleção de Obras Raras, com exemplares publicados nos séculos XIX e XX. Entre eles estão as primeiras edições de duas das obras mais antigas do acervo: A Narrative of Travels on the Amazon and Rio Negro, de Alfred Russel Wallace, publicado em 1853; e The Naturalist on the River Amazons, de Henry Walter Bates, lançado em 1863 e considerado um dos mais importantes registros sobre a história natural da Amazônia. Há ainda outros títulos históricos relacionados às primeiras expedições científicas na região.

O acervo também reúne obras de autores contemporâneos da região Norte que contribuíram para a produção científica, histórica e literária sobre a Amazônia. Entre os títulos estão Memórias de Mamirauá, de Edna Ferreira Alencar; Mamirauá, de Thiago de Mello; e A Formação Histórica do Território Tefeense, de Kristian Oliveira de Queiroz; além de diversas outras publicações dedicadas à história, à cultura e aos territórios amazônicos.

Biblioteca Henry Walter Bates

Local: Estrada do Bexiga, nº 2.584, bairro Fonte Boa, em Tefé (AM)
Horário: de segunda a quinta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 18h; e às sextas-feiras, das 8h às 12h e das 13h às 17h
Entrada gratuita
Acervo: https://mamiraua.org.br/biblioteca-henry-walter-bates/

Espetáculo inspirado em Ariano Suassuna chega a São Luís com entrada gratuita


“Romeu e Julieta, cordel de Ariano Suassuna” será apresentado nos dias 19, 20 e 21 de agosto, na UNINASSAU São Luís

São Luís recebe, pela primeira vez, o espetáculo “Romeu e Julieta, cordel de Ariano Suassuna”. A montagem será apresentada nos dias 19, 20 e 21 de agosto, na UNINASSAU São Luís, com entrada gratuita e classificação livre.

Inspirado no universo de Ariano Suassuna, o espetáculo transforma o clássico de William Shakespeare em uma narrativa de cordel, reunindo poesia, música, humor e elementos da cultura popular nordestina.

No palco, o ator Aramis Trindade conduz sozinho a história, construída a partir de 98 sextilhas. A apresentação também inclui uma aula-espetáculo sobre Shakespeare, o cordel e o Movimento Armorial, criado por Suassuna.

A montagem tem uma relação especial com o escritor. Aramis participou, em 1997, de uma adaptação de “Romeu e Julieta” dirigida por Suassuna e, anos depois, desenvolveu sua própria versão em cordel. O projeto foi acompanhado e supervisionado pelo próprio escritor.

A temporada em São Luís integra a circulação nacional do espetáculo às vésperas do centenário de nascimento de Ariano Suassuna, que será celebrado em 2027.

Além das apresentações, a programação contará com uma Oficina de Produção Teatral Independente, voltada para artistas, estudantes e interessados no setor cultural.

SERVIÇO

Espetáculo: Romeu e Julieta, cordel de Ariano Suassuna
Data: 19, 20 e 21 de agosto
Local: UNINASSAU São Luís
Entrada: Gratuita
Classificação: Livre

Fonte: PORTAL AGENDA ABERTA