domingo, 8 de março de 2026

Protestos contra a violência de gênero tomam conta do Brasil neste 8 de março

Mulheres em São Luís, Maranhão

Mulheres de todo o Brasil foram às ruas neste domingo (08) em protestos pelo Dia Internacional da Mulher. Manifestantes ocuparam a Avenida Atlântica, em Copacabana, no Rio de Janeiro e também a Avenida Paulista, em São Paulo. Já em Brasília, o ato percorreu da Funarte ao Palácio do Buriti.

Em Belo Horizonte (MG), 160 cruzes foram colocadas na Praça da Liberdade, no Centro, representando as mulheres que foram vítimas de feminicídio no estado de Minas Gerais em 2025 e 2026. A última vítima foi morta a facadas, na cidade de Santa Luzia, em pleno Dia Internacional da Mulher.

"Cada cruz simboliza uma história interrompida, uma família marcada pela violência e uma falha coletiva na proteção dessas vidas. A proposta é que o 8 de março seja também um dia de denúncia e mobilização, lembrando que não há o que celebrar enquanto mulheres continuam sendo assassinadas pelo simples fato de serem mulheres", declarou o coletivo Casa das Marias, responsável pela instalação.

O Centro da capital mineira também recebeu uma marcha contra a violência de gênero. Diversas participantes levaram cartazes com frases como "criança não é esposa” em protesto contra a decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que inocentou um homem de 35 anos acusado de violentar uma menina de 12 anos. Os desembargadores justificaram que ambos viviam um relacionamento amoroso. A decisão foi reformada, após grande mobilização popular.

Mulheres em Porto Alegre, Rio Grande do Sul

Uma performance artística também marcou a manifestação em Porto Alegre (RS). Integrantes de um grupo teatral marcharam segurando sapatos femininos manchados com um líquido que simulava sangue. Os calçados simbolizaram as vítimas de feminicídio do estado, e as integrantes do grupo também gritaram seus nomes, enquanto caminhavam.

Em Salvador (BA), o protesto foi convocado com o mote: “Mulheres vivas, em luta e sem medo: por democracia com soberania, pelo Bem Viver, fim do feminicídio e da escala 6×1”. As manifestantes se concentraram no Morro do Cristo e caminharam até o Farol da Barra, empunhando cartazes e gritando palavras de ordem.

Uma manifestação também foi realizada em Belém (PA), reunindo centenas de mulheres, principalmente integrantes de coletivos feministas. O protesto saiu da Escadinha da Estação das Docas e percorreu diversas ruas do Centro da capital paraense.

“Historicamente, 8 de março é dia de luta, de reflexão, de ir às ruas protestar e pedir por políticas públicas. Nós queremos igualdade de gênero, combater a violência contra a mulher, o feminicídio, a violência vicária e tantas outras violências que acometem nós mulheres”, declarou Vanessa Albuquerque, presidenta da Rede de Mulheres da Amazônia.

Fonte: PORTAL EBC

Vídeo: Presidente Lula fala ao País em rede nacional e celebra conquistas e lutas das mulheres


 

Imagem do Dia: Mulheres na luta por direitos e pelo Brasil

A atividade se concentro na Praça da Igreja da Sé,
centro de São Luís 

O Blog destaca na Imagem do Dia, mulheres ocupando praças e ruas de São Luís neste 8 de Março, Dia Internacional da Mulher.

Mulheres e homens ao lado de muitas organizações e entidades do movimento social de São Luís uma vez mais reafirmaram a luta contra a violência que atinge a mulher e também defenderam direitos além de se posicionarem em defesa da democracia e da soberania nacional do Brasil.

sábado, 7 de março de 2026

SINPROESEMMA reúne educadoras para conscientização e prevenção do câncer no março lilás e reforça apoio à luta das mulheres


A atividade realizada nesta sexta-feira (06/03) integra a Semana da Mulher da Secretaria da Mulher Trabalhadora e reforçou a importância do diagnóstico precoce e da união da categoria.

Priorizando a saúde e o bem-estar das educadoras, o Sinproesemma realizou a palestra ‘Março Lilás: Combate ao Câncer de Colo de Útero’. O encontro, que integrou a programação especial da Semana da Mulher da Secretaria da Mulher Trabalhadora do Sinproesemma, ocorreu na sexta-feira (06/03), no auditório da CDL, no Centro Histórico de São Luís.


O evento, que foi realizado em parceria entre o Sinproesemma e a Fundação Antonio Dino, gestora do Hospital Aldenora Bello, reuniu a categoria, convidados e a comunidade para debater este tema tão importante.


O diálogo foi conduzido por uma mesa composta pelo presidente do Sinproesemma, Raimundo Oliveira; pelo vice-presidente da Fundação Antonio Dino, Antonio Dino; pela enfermeira Bruna Caroline; mediada pela secretária de Assuntos Educacionais do Sinproesemma, Régina Galeno. Juntos, eles ressaltaram que a prevenção ao câncer de colo do útero não é apenas um exame médico, mas um gesto de amor próprio e resistência.



Compromisso com a saúde da população

Representando a Fundação, Antonio Dino contou sobre a história do Hospital Aldenora Bello e lembrou que o câncer não tem preconceito e não escolhe idade, e por isso, a informação precisa chegar a todos os lugares. “Estamos aqui para somar. O hospital e a fundação existem para servir, e parcerias como essa com o Sinproesemma são vitais para que o cuidado chegue a quem precisa”, afirmou.

Importância da prevenção e da informação

Com sensibilidade, a enfermeira Bruna Caroline fez uma grande exposição sobre a prevenção, cuidados, tratamento e sobre a vacinação contra o vírus HPV, que gera o câncer do colo do útero. Ela demonstrou, com dados, a incidência do aumento de casos no Brasil, especialmente no Maranhão. A enfermeira destacou, ainda, que o combate a todas as variedades de câncer é um trabalho diário, feito de informação e solidariedade. “É um trabalho de formiguinha, mas essencial. Eu espero muito que vocês levem essa bandeira da prevenção para as escolas, para as famílias, para a vida”, pediu Bruna.



Defesa da saúde pública e valorização da vida

Durante o encontro, o presidente do Sinproesemma, Raimundo Oliveira, destacou a importância do Hospital Aldenora Bello como referência no tratamento oncológico no Maranhão e ressaltou o papel da Fundação Antônio Jorge Dino. Ele também reforçou a necessidade de ampliar a conscientização sobre a prevenção e de mobilizar gestores públicos e parlamentares para garantir recursos que fortaleçam o tratamento de câncer e um bom atendimento no Maranhão.

“Que bom que podemos contar com uma instituição como o Hospital Aldenora Bello, que presta um serviço essencial à população maranhense. Precisamos mobilizar a classe política para que os recursos públicos cheguem onde realmente são necessários: na saúde do nosso povo, nessa especificidade de tratamento do câncer através de um hospital de referência como o Aldenora Bello”, declarou Oliveira.



Ao final de sua fala, reafirmou o compromisso do Sinproesemma em apoiar iniciativas de conscientização e em fortalecer parcerias que contribuam para o cuidado com a vida.

Após a palestra, as pessoas presentes também contribuíram com falas e reflexões importantes sobre os direitos das mulheres e a necessidade de ampliar a prevenção dos diversos tipos de câncer que atingem homens e mulheres, com destaque para o câncer do colo do útero, que afeta principalmente a população feminina.

Veja, abaixo, as fotos do evento:


Fonte: ASCOM - SINPROESEMMA

Funarte 50 Anos em Movimento celebra trajetória histórica e projeta fortalecimento das políticas para as artes


Brasília foi palco, nesta quarta-feira (4), de um momento histórico para a cultura brasileira. Integrando o marco dos 50 anos da Fundação Nacional das Artes (Funarte), o ato Memória e Futuro da Dança Brasileira: políticas públicas que atravessam o tempo reuniu artistas, gestores e autoridades no Teatro Nacional Claudio Santoro para celebrar a trajetória da instituição e reafirmar seu papel estratégico na consolidação das políticas públicas para as artes no país.

A solenidade contou com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes; da presidenta da Funarte, Maria Marighella; e do secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares, além de representantes do Governo do Distrito Federal e da classe artística.

Em sua fala, a titular da Cultura destacou o momento de transformação vivido pelo setor cultural e relacionou o cinquentenário da Funarte ao processo de ampliação das políticas culturais em todo o território brasileiro. “Nesse momento nós estamos fazendo essa transformação, essa ampliação das políticas culturais em todo o território brasileiro, e assim também vem a Funarte se renascendo”, declarou.

A ministra ressaltou ainda o fortalecimento das linguagens artísticas, com diretorias próprias para dança, música, teatro e circo, como parte de um processo de renovação institucional. “Continua sendo um presente esse trabalho que Maria Marighella e a equipe da Funarte fizeram nesse renascimento, nessa Funarte retomada”, celebrou.

Encerrando sua participação, Margareth Menezes desejou longa trajetória à instituição. “Desejo mais cinquenta e mais cinquenta e eternamente a Funarte nas nossas vidas, fazendo a política das artes para todo o Brasil”.

Maria Marighella destacou o significado do cinquentenário da Fundação, lembrando que a Funarte antecede o próprio Ministério da Cultura em uma década. “São 50 anos dessa instituição cinquentona, que antecede o Ministério da Cultura em 10 anos”, afirmou.

Ela recordou que a decisão de criação da Funarte foi tomada em 16 de dezembro de 1975, ainda durante a ditadura militar, como expressão do anseio de artistas e intelectuais pela abertura democrática. Em 16 de março de 1976, a instituição passou a vigorar no formato reconhecido atualmente.

“A Funarte nasce em plena ditadura militar, representando o anseio da intelectualidade brasileira, de artistas, das gentes da cultura e das artes que lutavam pela abertura do regime autoritário”, pontuou.

A presidenta da Fundação enfatizou o papel “radical e fundamental” da instituição no fomento às artes brasileiras, abrangendo teatro, circo, dança, artes visuais e música, com mecanismos de financiamento direto e indireto. Segundo ela, 70% dos projetos que tramitam na Lei Rouanet passam pelo Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac) da Funarte.

“Setenta por cento de tudo que transita e tramita pela Lei Rouanet passa pelo Pronac da Funarte”, complementou.

Maria também relembrou programas históricos que se tornaram referência nacional, como o Projeto Pixinguinha, e mencionou equipamentos culturais vinculados à Fundação, como os teatros Dulcina, Glauce e Cacilda Becker, os complexos culturais em São Paulo e Minas Gerais, o Teatro Dulcina, o Teatro Glauce Rocha, o Teatro Cacilda Becker e o Teatro Duse, além da Escola Nacional de Circo.

Entre os anúncios, destacou-se a previsão de reabertura do Centro de Documentação da Funarte, que deverá se tornar o Centro Nacional da Memória das Artes do Brasil, ampliando o compromisso da instituição com a preservação da história cultural do país.

A programação da noite teve início às 19 horas, com abertura institucional e exibição do vídeo comemorativo Funarte 50 Anos. Também discursaram o diretor do Centro de Dança da Funarte, Rui Moreira, e o secretário de Estado de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, Claudio Abrantes.

Após a solenidade, o público acompanhou o espetáculo A Escultura, de Yara de Cunto, mestra das artes reconhecida pelo Prêmio Funarte Mestras e Mestres das Artes, ao lado de Giselle Rodrigues, com direção de Adriano Guimarães.

Ao completar meio século, a Funarte reafirma seu papel como casa pública das artes brasileiras — celebrando a memória, projetando o futuro e fortalecendo as políticas que garantem o direito à arte em todo o país.Foto: Giba/MinC

Programação dos 50 anos da Funarte passou por Manaus com debates sobre memória do teatro brasileiro

Antes da solenidade em Brasília, a programação do marco dos 50 anos da Fundação Nacional das Artes também mobilizou a cena cultural em Manaus (AM). No sábado (28), o Centro Cultural Palácio da Justiça recebeu o encontro Grupos, Memória e Acervos do Teatro Brasileiro, reunindo artistas, pesquisadores e representantes de coletivos teatrais de diferentes regiões do país.

A abertura contou com a presença da presidenta da Funarte, Maria Marighella, e autoridades locais. A atividade incluiu a fala Criação de memória, territórios, memórias presentes e ausentes, apresentada por Márcio Braz, seguida de uma roda de conversa dedicada à preservação da memória do teatro brasileiro.

Participaram do debate representantes de grupos com trajetórias consolidadas na cena nacional, como Bando de Teatro Olodum (BA), Grupo Galpão (MG), Grupo Imbuaça (SE), Grupo Tá na Rua (RJ), Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz (RS), Teatro Experimental de Alta Floresta (MT), além das companhias amazonenses Cia Teatral A Rã Qi Ri e Cia Vitória Régia. A mediação foi da pesquisadora Annie Martins.

A programação também incluiu o lançamento do livro Por um Museu de Memórias da Cena: incursões da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz em acervos de grupos longevos do Teatro Brasileiro e da revista Cavalo Louco, publicações voltadas à preservação e reflexão sobre a memória das artes cênicas no país.

Encerrando as atividades do dia, o Teatro Amazonas recebeu o espetáculo Sebastião, do Grupo Ateliê 23 (AM), com entrada gratuita e participação do público local.

terça-feira, 3 de março de 2026

Prêmio Jovem Cientista incentiva o desenvolvimento de soluções concretas para questões do cotidiano


Beatriz Vitória da Silva, de 18 anos, aprendeu ainda no ensino médio que a ciência pode nascer do chão da própria comunidade. A estudante da Escola Técnica Estadual Professor Paulo Freire, em Pernambuco (PE), e bolsista do programa Mais Ciência na Escola conquistou o segundo lugar na categoria Ensino Médio do Prêmio Jovem Cientista. Ela, juntamente com colegas e orientação da ETE Professor Paulo Freire, desenvolveu uma solução sustentável para reduzir a poluição causada pela produção de farinha de mandioca e, com isso, transformou a realidade no local em que vive. Trajetórias como essa inspiram o próximo desafio lançado para a premiação: a 32ª edição terá como tema Inteligência Artificial para o Bem Comum. A ideia e convidar estudantes de todo o País a usar a tecnologia para gerar impacto social.

Na edição em que Beatriz Vitória participou, cujo tema foi Resposta às Mudanças Climáticas: Ciência, Tecnologia e Inovação como Aliadas, a competição incentivou estudantes e pesquisadores a desenvolverem soluções concretas para enfrentar um dos maiores desafios do século XXI. Os trabalhos apresentados reforçaram o papel estratégico da produção científica na redução de impactos ambientais, no enfrentamento de eventos extremos e na construção de estratégias de adaptação capazes de proteger populações, ecossistemas e atividades econômicas em todo o País.

A experiência de Beatriz Vitória é exemplo desse compromisso. Ao investigar os impactos da manipueira, resíduo líquido gerado na produção da farinha de mandioca, na comunidade quilombola onde nasceu, no município de Carnaíba (PE), a jovem identificou um problema ambiental e de saúde pública que atravessava gerações. Com apoio do professor orientador e da estrutura do programa Mais Ciência na Escola, ela desenvolveu o projeto FiltroPinha, um sistema de baixo custo produzido a partir das cascas da fruta-pinha, capaz de reduzir a toxicidade do resíduo descartado nas casas de farinha.

“O FiltroPinha foi desenvolvido por um grupo de quatro estudantes, dois de nós do próprio quilombo. Foi muito gratificante perceber que a gente podia criar uma solução par ajudar a nossa comunidade”, afirma a estudante. Para ela, o Prêmio Jovem Cientista reforça que a ciência pode dialogar com a realidade local. “A ciência pode nascer do simples. Essa é uma conquista do grupo e da nossa sociedade.”

Durante a cerimônia, a secretária de Políticas e Programas Estratégicos do MCTI, Andréa Latgé, destacou o caráter transformador da iniciativa do Governo do Brasil. “Vocês são liderança. Quem alcança esse prêmio se torna referência para os colegas e para a comunidade. É muito importante termos boas referências no nosso País”, afirmou.

A secretária também ressaltou a importância de aproximar ciência e política pública. “É fundamental que quem tem curiosidade científica também possa ajudar a formular políticas públicas que tragam mais gente para dentro da ciência”, disse. Para ela, ampliar o acesso à educação científica é um compromisso permanente.

O presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Ricardo Galvão, enfatizou o Prêmio Jovem Cientista na revelação de talentos. Segundo ele, além da visibilidade nacional, o reconhecimento fortalece algo essencial para a trajetória científica: a autoestima. “Esse reconhecimento é impulsionador das carreiras científicas. É algo que será necessário ao longo de toda a vida profissional”, destacou.

Na premiação de 2025, dez jovens talentos e duas instituições foram reconhecidos por seus trabalhos e pela capacidade de transformar conhecimento científico em impacto social.

Categoria Mestre e Doutor

1º lugar – Elizângela Aparecida dos Santos (UFVJM – MG)

2º lugar – Luíz Fernando Esser (UEM – PR)

3º lugar – Tauany Aparecida da Silva Santa Rosa Rodrigues (UFRJ – RJ)

Categoria Estudante do Ensino Superior

1º lugar – Manuelle Da Costa Pereira (IF Amapá)

2º lugar – Isac Diógenes Bezerra (IFCE)

3º lugar – Anna Giullia Toledo Hosken (Faculdade de Medicina de Petrópolis – RJ)

Categoria Estudante do Ensino Médio

1º lugar – Raul Victor Magalhães Souza (CE)

2º lugar – Beatriz Vitória da Silva (PE)

3º lugar – Gabriel da Silva Santos (PE)

Também foram concedidos prêmios nas categorias Mérito Científico e Mérito Institucional, reconhecendo o papel de pesquisadores e instituições na formação de novas gerações.

Prêmio Jovem Cientista

O 32º Prêmio Jovem Cientista convida estudantes e pesquisadores a refletirem sobre o tema Inteligência Artificial para o Bem Comum, incentivando a inscrição de projetos que explorem o uso responsável, inclusivo e inovador da IA. A iniciativa busca estimular soluções que contribuam para a melhoria da qualidade de vida, o fortalecimento de políticas públicas e a ampliação do acesso a direitos. Cada categoria contempla um público específico, desde estudantes do ensino médio até mestres e doutores, conforme critérios estabelecidos em regulamento.

O Prêmio Jovem Cientista é uma iniciativa do CNPq, agência de fomento do MCTI, em parceria com a Fundação Roberto Marinho, com apoio da Editora Globo e do Canal Futura e patrocínio da Shell. Há mais de 40 anos, a premiação revela talentos, impulsiona a pesquisa no país e investe em estudantes e jovens pesquisadores que buscam soluções inovadoras para os desafios da sociedade brasileira. Todas as informações estão disponíveis no site Prêmio Jovem Cientista.

Cultura reúne 5,9 milhões de trabalhadores e gera R$ 387,9 bilhões na economia, aponta IBGE


A cultura brasileira emprega hoje cerca de 5,9 milhões de pessoas e contribui com R$ 387,9 bilhões em valor adicionado à economia, o equivalente a algo próximo de 3% do PIB. Os dados foram apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na sexta-feira (27), durante a 5ª edição dos Diálogos SNIIC. O encontro marcou, em 2026, a retomada do ciclo de debates promovido pelo Ministério da Cultura (MinC).

A atividade apresentou resultados do Sistema de Informações e Indicadores Culturais (SIIC) 2013–2024, produzido pelo IBGE, reunindo evidências sobre emprego, empresas, renda, acesso e consumo cultural. A apresentação foi conduzida pelo pesquisador Leonardo Athias, coordenador do SIIC. O debate contou ainda com comentários da secretária de Economia Criativa do MinC, Cláudia Leitão; do diretor de Políticas para Trabalhadores da Cultura e da Economia Criativa, Deryk Vieira Santana; da coordenadora-geral de Avaliação de Políticas Públicas (SGE/MinC), Giuliana Kauark; e da chefe do Serviço de Sustentabilidade Econômica do Patrimônio (Iphan), Martina Ahlert.

Na abertura, a subsecretária de Gestão Estratégica do MinC, Letícia Schwarz, destacou que a proposta do ciclo é aproximar pesquisa e gestão, transformando informação em decisões mais qualificadas.“O objetivo é reunir um conjunto de dados que suscite o debate. Nosso principal objetivo é dialogar para entender como essas informações podem aprimorar nossas políticas, nossa atuação cotidiana e a qualidade das entregas. Queremos saber de que forma esses dados iluminam possíveis ajustes no rumo das políticas públicas”, afirmou.

Empresas formais

No primeiro bloco, Leonardo Athias apresentou o retrato do setor formal a partir do Cadastro Central de Empresas (Cempre/IBGE). Em 2022, o Brasil contabilizava 644,1 mil organizações culturais formalmente constituídas, que empregavam 2,6 milhões de pessoas, das quais 1,7 milhão eram assalariadas. A massa salarial do setor alcançou R$ 102,8 bilhões, com remuneração média mensal de R$ 4.658, valor superior à média nacional.

Segundo o pesquisador, o recorte adotado pelo SIIC não se limita às artes em sentido estrito.“Se o SIIC fosse criado hoje, provavelmente já nasceria incorporando explicitamente o conceito de economia criativa. O recorte vai além da visão restrita de cultura e inclui atividades diretas e indiretas, como fabricação de mídias, equipamentos audiovisuais e serviços associados.”

Com essa delimitação, a cultura representa 6,8% do total de empresas do país e 4,2% do pessoal ocupado formalmente, evidenciando a capilaridade do setor na economia brasileira.

A apresentação também trouxe dados das pesquisas estruturais do IBGE, que realizam coleta direta junto às empresas e permitem estimar receita e valor adicionado. Em 2023, as atividades culturais somaram R$ 910,6 bilhões em receita líquida e R$ 387,9 bilhões em valor adicionado à economia nacional, uma ordem de grandeza próxima de 3% do PIB, em estimativa aproximada.

Leonardo Athias destacou ainda mudanças estruturais na composição do setor ao longo da última década.“Há uma mudança estrutural. Ganham espaço atividades ligadas à internet, software e publicidade”.

Ao comentar os resultados, a secretária Cláudia Leitão ressaltou que a consolidação do SNIIC exige compromisso institucional e rigor conceitual. “Não é possível formular políticas públicas sem informações confiáveis que sustentem a tomada de decisão. Quanto mais dados, metodologias e indicadores conseguirmos desenvolver, melhor para todos”, disse.

Ela também alertou para o risco de naturalizar a dificuldade de mensuração da cultura.

“Há uma percepção recorrente de que o campo cultural é difícil de mensurar. Esse argumento se repete há décadas e pode virar conformismo. Não podemos nos conformar com isso”, enfatizou.

Trabalho, renda e informalidade

No segundo bloco, os dados da PNAD Contínua mostraram estabilidade na participação do setor cultural no mercado de trabalho ao longo da série histórica. Em 2024, a cultura reunia cerca de 5,9 milhões de pessoas ocupadas, o equivalente a 5,8% do total de trabalhadores do país. O ponto mais baixo ocorreu em 2021, durante a pandemia, quando a participação recuou para 5,5%, com recuperação nos anos seguintes.

Leonardo Athias destacou o contraste entre qualificação e informalidade. Em 2024, um total de 30,1% dos ocupados no setor tinham ensino superior completo, percentual superior ao observado no conjunto da economia (23,4%). Ainda assim, 44,6% estavam em ocupações informais e 43% trabalhavam por conta própria. “O setor cultural apresenta maior escolaridade e, ainda assim, maior informalidade. Esse é um contraste importante”.

As desigualdades regionais também são expressivas. Em 2024, as maiores participações do setor no total de ocupados foram registradas em São Paulo (7,6%), Rio de Janeiro (7,0%) e Ceará (7,0%). Na outra ponta, Acre (2,7%), Amapá (2,8%) e Rondônia (2,0%) apresentaram os menores índices. Entre as capitais, destacaram-se Florianópolis (10,7%), São Paulo (10,1%) e Manaus (9,4%).

Nos comentários, Deryk Vieira Santana enfatizou a fragilidade da proteção social no setor. “Dos cerca de 5,8 milhões de trabalhadores do setor, quase 2 milhões estão na informalidade, e a maioria desses trabalhadores informais é composta por microempreendedores individuais. Isso revela um sistema de proteção social extremamente frágil.”

Ele também apontou um padrão recorrente:“há uma feminização da precariedade. Em geral, ocupações com maior presença feminina apresentam maior informalidade”. Segundo o diretor, o desenho das políticas públicas precisa considerar esse cenário. E complementou: “grande parte dos recursos transferidos e executados acaba fomentando o trabalho informal. A pergunta central é como estruturar políticas públicas que contribuam para a formalização, e não para a ampliação da informalidade”, refletiu.

Preços, consumo e acesso digital

No terceiro bloco, Leonardo Athias apresentou o Índice de Preços da Cultura (IPECult), construído a partir de itens do IPCA relacionados ao consumo cultural. Entre 2020 e 2024, enquanto o índice geral de preços acumulou alta próxima de 6%, o IPECult registrou variação aproximada de 3%. “O índice funciona como uma medida indireta de acesso: variações menores de preço sugerem menor barreira econômica ao consumo cultural”, explicou.

A apresentação também trouxe dados sobre acesso digital. Cerca de 90% da população com 10 anos ou mais declarou ter utilizado a internet nos três meses anteriores à pesquisa, tendo o celular como principal dispositivo de conexão. Entre as atividades culturais online mais frequentes estão assistir a vídeos (88,5%), ouvir música ou podcasts (83,5%) e ler notícias ou livros digitais (68,8%). Os jogos eletrônicos aparecem com 30,3%, com maior concentração entre os mais jovens.

Como comentarista, Giuliana Kauark destacou a necessidade de leitura cuidadosa do indicador. “Chamou atenção o fato de a variação registrada ser relativamente baixa. Como o grupo com maior peso na cesta é o de serviços de internet e comunicação, é importante investigar em que medida isso influencia o resultado”. Ela também sugeriu analisar possíveis mudanças no padrão de consumo após a pandemia.

Patrimônio, turismo e sustentabilidade

No bloco final, o pesquisador abordou dados de turismo associados à cultura e à natureza. Em 2024, foram registradas cerca de 1,7 milhão de viagens motivadas principalmente por cultura e gastronomia e aproximadamente 1,5 milhão com foco em natureza, ecoturismo e aventura. “É um campo promissor, mas ainda carente de dados sistemáticos e integrados”.

A comentarista Martina Ahlert ressaltou que o patrimônio aparece de forma transversal nas estatísticas.“O patrimônio natural ou histórico-cultural está fortemente associado a parques e sítios arqueológicos. Já o patrimônio imaterial aparece de forma transversal, o que é relevante, mas dificulta a análise específica”, disse.

Martina também apresentou uma iniciativa em desenvolvimento para preencher parte dessa lacuna. Segundo ela, o Iphan vem estruturando, com o Observatório da Economia Criativa da Bahia (OBEC), uma pesquisa sobre sustentabilidade econômica do patrimônio. “A pesquisa selecionou doze bens reconhecidos como patrimônio mundial, materiais e imateriais, e já realizou campo em seis deles, como o Centro Histórico de Salvador, o Bumba-meu-boi do Maranhão e o Círio de Nazaré. O trabalho busca captar não só os detentores diretos, mas todo o ecossistema associado”, explicou.

O que é o SIIC

O Sistema de Informações e Indicadores Culturais (SIIC), do IBGE, reúne dados sobre o setor cultural brasileiro a partir de diferentes pesquisas e bases administrativas. Produzido desde o início dos anos 2000 em parceria com o Ministério da Cultura, o sistema organiza informações sobre empresas, trabalho, renda, acesso e consumo cultural, subsidiando políticas públicas e decisões estratégicas.

Sobre os Diálogos SNIIC

Os Diálogos SNIIC são encontros mensais dedicados à apresentação e ao debate de pesquisas sobre o setor cultural. O objetivo é fortalecer o uso de dados na formulação e no acompanhamento das políticas culturais, ampliando a capacidade de planejamento e gestão do Ministério da Cultura.