quarta-feira, 27 de maio de 2026

Produção maranhense “Mercado Central”, de Tássia Dhur, terá estreia nacional no festival Cine/PE, em Recife


SÃO LUÍS – Mais um grande momento para o cinema e o audiovisual produzidos no Maranhão. O curta-metragem maranhense “Mercado Central”, da diretora, roteirista, atriz e produtora Tássia Dhur, fará sua estreia nacional na 30ª Edição do Cine/PE Festival Audiovisual, em Recife.

Um dos destaques do festival pernambucano, que celebra seus 30 anos de história em 2026, o curta será exibido no próximo dia 02 de junho (terça-feira), às 19h, no Cinema do Teatro do Parque, como parte integrante da Mostra Competitiva de Curtas-Metragens Nacionais.

A produção retrata um cenário insalubre de um mercado no Centro da cidade, onde pessoas estão desaparecendo sem deixar rastros, envolto em um clima de mistério. A direção, o roteiro e a produção-executiva são assinados por Tássia Dhur (que também integra o elenco).

O curta-metragem foi produzido pela Jaguatirica Filmes e realizado com fomento da Lei Paulo Gustavo (LPG), por meio da Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão (SECMA), do Governo do Maranhão.

Para Tássia Dhur, “Mercado Central” surge da vontade de contar a “própria história”, misturando realidade com ficção – e, também, de destacar o protagonismo feminino, “mesmo em um ambiente muito masculino, como são os mercados antigos nas cidades brasileiras”, conta a diretora.


E acrescenta: “É um curta que surge da vontade de contar histórias que aconteceram no nosso próprio mercado central, em São Luís, na Avenida Guaxenduba, misturados com o peso da narrativa ficcional. Como eu frequentava bastante esse mercado, tenho memórias desde a infância dentro desse ambiente. Sempre escutei histórias, sempre com uma escuta bastante frequente nessas situações, seja dos transeuntes, dos vendedores e de todos que circulavam ali”.

Após o Cine/PE Festival Audiovisual, o curta “Mercado Central” já tem nova data de exibição: será um dos destaques da programação da 49ª edição do Festival Guarnicê de Cinema, que acontece de 20 a 26 de agosto de 2026, em São Luís e em formato híbrido.

Mercado Central

Estrelado por Tássia Dhur, Lauande Aires, Quimera, Renata Figueiredo e Antônio Garcia, o curta-metragem “Mercado Central” conta a história de Léia, que entre açougues, sangue e corredores abafados pelo calor e pela decadência, carrega uma ligação quase sobrenatural com aquele lugar: ela nasceu ali, em um parto improvisado no meio das carnes e vísceras do mercado.

Décadas depois, já adulta, continua trabalhando no mesmo açougue onde veio ao mundo, presa a uma rotina dura ao lado de Vana e dos trabalhadores excêntricos que habitam o local. Pessoas desaparecem sem explicação, histórias se cruzam entre corredores úmidos e becos, e o Mercado Central passa a ser visto como um espaço carregado por tensão, desejo e violência, com Léia transitando silenciosamente, marcada pela solidão e por impulsos difíceis de controlar.

Assim é a trama central de “Mercado Central”, que conta com produção de Helen Maria e Carol Ferreira, direção de fotografia por Danilo Rosa, direção de arte de Neila Albertina, assistência de direção de Jéssica Lauane, som direto e mixagem de Cahhi Silva, edição de som por Gabi Portela e montagem de Lucas Sá.

Além disso, o curta conta com Murilo Santos, Lúcia Reis, Andressa Sodré, Dandara Ferreira e Nebraska no elenco de apoio. O teaser oficial está disponível no YouTube, no link: https://youtu.be/HlG3Ekhv5mY.


Tássia Dhur

Diretora, roteirista, atriz e produtora, Tássia Dhur nasceu em São Luís (MA) e é também fundadora da Jaguatirica Filmes. Foi a atriz homenageada do 48º Festival Guarnicê de Cinema, em 2025. Recentemente, estreou novamente na Netflix com a personagem “Luana”, na segunda temporada da série “DNA do Crime”.

É a idealizadora e realizadora do “Lacine -Laboratório de Audiovisual”, evento de formação e ambiente de mercado que ajuda a fomentar o cinema no Maranhão. Recentemente, escreveu, dirigiu e atuou no longa-metragem “Mercado dos Ratos” gravado no primeiro semestre de 2026, que tem previsão de estreia para 2027 e conta com Carol Castro, Erom Cordeiro, Buda Lira, entre outros, no elenco.

Também dirigiu, escreveu e atuou no curta-metragem “Desejo”, que estreou no Lift-Off Global Network - First Time Film Session, em 2022, e ganhou o prêmio de Melhor Atriz e Melhor Diretora no Maranhão na Tela, em 2023. Em 2020, ganhou o prêmio de Melhor Diretora pelo South Film and Arts Academy Festival, no Chile, com o curta “Diana”, em que escreveu, dirigiu e atuou. Também com a produção, ganhou prêmio de melhor atriz no Festival Maranhão na Tela (2019) e, também, melhor fotografia.

Mais informações sobre a carreira completa de Tássia Dhur estão disponíveis no Instagram oficial da artista, no link: https://www.instagram.com/tassia_dhur.

Serviço

O quê: estreia nacional do curta-metragem maranhense “Mercado Central” na 30ª edição do Cine/PE Festival Audiovisual, em Recife;

Onde: no Cinema do Teatro do Parque (Rua do Hospício, 81, Boa Vista);

Quando: no dia 2 de junho, às 19h, na Mostra Competitiva de Curtas-Metragens Nacionais;

Mais informações: nos perfis do Instagram de Tássia Dhur (https://www.instagram.com/tassia_dhur) e Jaguatirica Filmes (https://www.instagram.com/jaguatiricafilmes);

Ação da Fundação Casa de Rui Barbosa contribui para prisão de um dos maiores ladrões de livros raros do país


A Fundação Casa de Rui Barbosa, instituição vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), colaborou diretamente com as investigações que resultaram na prisão de Laéssio Rodrigues de Oliveira, conhecido nacionalmente por furtos de obras raras, livros históricos e documentos de alto valor patrimonial em instituições culturais brasileiras.

O caso envolvendo a Fundação ocorreu após a identificação de uma tentativa de cooptação de um profissional de segurança da instituição para substituir uma obra original do acervo por uma réplica, mediante oferta de vantagem indevida. A partir da abordagem, a Fundação registrou notícia-crime, acionou imediatamente a Polícia Federal e os órgãos competentes e colaborou diretamente com as investigações conduzidas pelas autoridades.

“A agilidade da Fundação Casa de Rui Barbosa em formalizar a denúncia foi decisiva para as investigações que levaram à prisão de Laéssio. Esse desfecho também evidencia a importância da atuação articulada entre as instituições. O Sistema MinC, através do IBRAM e FBN, e a Polícia Federal através da Delegacia de Crimes contra o Patrimônio e o Meio Ambientes, foram fundamentais para o êxito dessa importante ação em defesa do patrimônio cultural brasileiro”, destacou o presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa, Alexandre Santini.

Conhecido por utilizar a identidade de pesquisador para acessar acervos raros, Laéssio teve seu nome associado a furtos e desaparecimentos em instituições como a Biblioteca Nacional, o Museu Nacional de Belas Artes, o Arquivo Nacional e a Fundação Oswaldo Cruz, além de bibliotecas universitárias e coleções privadas em diferentes estados do país.

A atuação da Fundação Casa de Rui Barbosa reafirma a importância das políticas públicas de preservação, segurança institucional e salvaguarda da memória nacional, consolidando a instituição como referência na proteção do patrimônio bibliográfico, arquivístico e museológico brasileiro.

A Fundação Casa de Rui Barbosa destaca que o episódio evidencia a necessidade permanente de fortalecimento das políticas de preservação e segurança dos acervos públicos brasileiros, especialmente diante da relevância histórica, científica e cultural desses patrimônios.

Cerâmica ancestral renasce pelas mãos de mulheres da Amazônia


Uma história viva. É assim que a coordenadora do Grupo de Agricultores Orgânicos da Missão, Bernardete Araújo, descreve a japuna, um tipo de forno de origem indígena. Hoje, essa e tantas outras peças há tempos esquecidas voltam a ganhar vida pelas mãos de mulheres agricultoras e ceramistas da comunidade que fica em Tefé (AM), graças ao projeto Cadeias Operatórias das Japuna no Médio Solimões.

“A japuna, para mim, significa a história viva, um museu vivo. Eu via, desde pequena, minha mãe produzindo e usando essa peça para torrar farinha, café, cacau, milho e castanha. Estamos resgatando o conhecimento tradicional das nossas mães, avós e bisavós”, conta a coordenadora. Outro ponto positivo de voltar a adotar a técnica ancestral é a possibilidade de gerar renda com a venda de vasos, fogareiros, fruteiras e panelas.


A iniciativa reuniu as mulheres da associação Clube de Mães para atuar em todas as etapas do processo, chamada pelos arqueólogos de cadeia operatória das japuna. Esse processo vai desde a coleta do barro na própria comunidade, passando pela modelagem e pela queima natural do material, até a finalização das peças, práticas aprendidas com suas antepassadas.

O projeto conta com três eixos de pesquisa: o primeiro com base em escavações na região; o segundo, de caráter etno-histórico, fundamentado em relatos de livros históricos e na memória das mulheres; e o terceiro, etnográfico, baseado na observação das técnicas das ceramistas da comunidade. A iniciativa é uma parceria entre o grupo e o Instituto Mamirauá, organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).


Segundo a arqueóloga do Mamirauá e uma liderança da iniciativa, Geórgea Holanda, há anos a produção das japuna estava adormecida, com risco de ser extinta. “Mas elas estavam presentes na mente das ceramistas. Então, por meio do projeto, foi possível colocar em prática esse conhecimento. Que foi repassado de geração para geração pelas suas antepassadas”, conta.

“Voltar a fazer as japuna é como o resgate do conhecimento tradicional dos nossos pais. A gente tem que manter viva essa tradição, esse conhecimento e a continuidade dessa história da nossa ancestralidade”, diz Bernardete.

De acordo com Geórgea, a relação entre o instituto e a comunidade acontece de forma participativa, sempre respeitando as decisões das pessoas da comunidade. “Esse trabalho só foi possível porque elas aceitaram e passaram esse rico conhecimento para nós”, finaliza a arqueóloga.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Enem 2026: inscrições começam nesta segunda; prazo vai até 5 de junho


Estudantes de todo o país podem se inscrever para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, a partir desta segunda-feira (25), no site do Enem. O prazo vai até 5 de junho.

A taxa de inscrição é R$ 85 e o pagamento deve ser feito até 10 de junho. As provas serão aplicadas nos dias 8 e 15 de novembro.
Inscrição automática

Uma das novidades deste ano prevê que os alunos concluintes do ensino médio da rede pública terão inscrição automática no exame. Os estudantes do 3º ano serão inscritos a partir de dados encaminhados pelas redes de ensino.

O aluno terá apenas que confirmar a participação no exame e escolher o idioma da prova de língua estrangeira que deseja fazer, informar o município onde quer fazer a prova, além de solicitar recursos de acessibilidade, se necessário.

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Mais locais de prova

Para este ano, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pela aplicação do certame, estima aumentar para cerca de 10 mil o número de locais de prova em todo o país.

Estima-se, conforme o ministério, que 80% dos alunos da rede pública façam as provas na própria escola em que estudam.

O ministério informou que já estuda apoio de transporte e deslocamento para aqueles estudantes que precisarem fazer o exame em outras cidades.

Com essas medidas, o MEC espera, pelo menos, que 70% dos concluintes das escolas públicas participem do Enem em 2026, consolidando o exame como parte importante da avaliação da educação básica.
Enem

O Enem avalia o desempenho escolar dos estudantes ao término da educação básica. A prova é considerada a principal forma de entrada na educação superior, por meio de programas federais como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

As instituições de ensino públicas e privadas usam os resultados destas provas para selecionar estudantes.

Desde o ano passado, o Enem voltou a ser aceito para certificação do ensino médio, no caso dos candidatos com 18 anos completos que alcancem a pontuação mínima em cada área do conhecimento e na redação.

Cronograma

Pagamento da taxa de inscrição: de 25 de maio a 10 de junho
Solicitação de tratamento por nome social: de 25 de maio a 5 de junho
Solicitação de atendimento especializado: de 25 de maio a 5 de junho
Resultado do atendimento especializado: 19 de junho
Recurso do atendimento especializado: de 22 a 26 de junho
Resultado do recurso: 3 de julho
Aplicação das provas: 8 e 15 de novembro

Fonte: EBC

domingo, 24 de maio de 2026

Curtas latino-americanos premiados na Teia Nacional celebram memória, território e saberes comunitários


O curta “Quischcambal”, dirigido por Heidy Helena Mejiá Sánchez, da Colômbia, foi o grande vencedor do Concurso Internacional IberCultura Viva, premiado na manhã do sábado (23), durante a programação da 6° Teia Nacional dos Pontos de Cultura, em Aracruz (ES). A programação integrou a agenda audiovisual da Teia e reconheceu produções latino-americanas voltadas à memória, aos territórios, aos saberes comunitários e às formas de vida de diferentes povos.

Também foram premiados “Jilaqatas Awkis e Taykas, Ciclo Aymara”, de Gaby Cárdenas e Carlos Ilich Apucusi, do Peru, em 2º lugar; “Raízes de Ibicoara – Ancestralidade não é mercadoria”, de Sandra Maciel e Clara Sofia Catania, do Brasil, em 3º lugar; “Ellas Curan – Elas Curam”, de Miguel Minor Serrano, do México, em 4º lugar; e “Kuntur Ayllukanchik – Condor, nossa comunidade”, de Raymi Guatemal e Kuyllur Escola Chacalo, do Equador, em 5º lugar. Selecionados entre 75 filmes inscritos por realizadores de oito países, os curtas abordam práticas comunitárias, espiritualidades, culturas populares e formas de transmissão de conhecimentos entre gerações.

Durante a premiação, a secretária Nacional do Audiovisual do Ministério da Cultura (MinC), Joelma Gonzaga, destacou a importância de ampliar a presença de diferentes narrativas nas telas. “ O mundo precisa de mais histórias de todos os corpos e territórios. Esse encontro celebra a força da Cultura Viva, por meio de suas imagens e belezas, permitindo contar identidades”, afirmou.

Após a entrega dos prêmios, representantes dos filmes vencedores agradeceram o reconhecimento e reforçaram a importância de ampliar oportunidades para que produções comunitárias latino-americanas circulem em novos espaços. A atividade também apontou para a continuidade de ações, editais e mostras voltadas à diversidade cultural da América Latina.

Foto: Julia Fuè
Filmes premiados

O 1º lugar, “Quischcambal”, acompanha a vida rural, o trabalho coletivo e a transmissão de saberes entre gerações, com participação ativa de crianças e jovens.



Em 2º lugar, “Jilaqatas Awkis e Taykas, Ciclo Aymara” registra o ciclo ritual e agrícola de autoridades originárias aymaras nas comunidades de Pomata, no sul do Peru, em diálogo com o cuidado das terras comunais e a relação com a Pachamama.

O documentário brasileiro “Raízes de Ibicoara – Ancestralidade não é mercadoria”, premiado em 3º lugar, reúne parteiras, raizeiras, benzedeiras e representantes da cultura camponesa, reafirmando o conhecimento tradicional como patrimônio vivo.

O 4º lugar ficou com “Ellas Curan – Elas Curam”, que acompanha mulheres no sul de Tlaxcala, no México, em torno de práticas de cura, cozinha e memória. Já o 5º lugar, “Kuntur Ayllukanchik – Condor, nossa comunidade”, combina documentário e animação para registrar a elaboração de flautas de carrizo no povo Kichwa Karanki, no Equador.


Cine Teia exibiu 22 curtas em sua programação

Antes da premiação, o público acompanhou a mostra “IberCultura Viva - Tesouros Vivos, Memória e Territórios”, dedicada aos filmes de menção honrosa. A sessão reuniu produções do Brasil, Colômbia, Equador e Argentina, em linguagens como documentário, animação, videodança e manifesto audiovisual. As obras apresentaram ao público diferentes formas de narrar comunidades, ancestralidades e futuros possíveis, valorizando pessoas e coletivos que mantêm vivas memórias, práticas culturais e vínculos com seus territórios.

Foram exibidos os curtas “De mão em mão: Tia Ana Pankararu – Cura e cuidado”, dirigido por Raquel Messias de Camargo; “O fio que sustenta”, de Maria Raimunda Esteves Santos, Jaquielly Gomes de Sousa e Maria Geralda Leite Ribeiro; “Memoria de un danzante: el legado de danzantes de males”, de Lizeth Chaguezac, Óscar Chapuel Cueltan e Adonias Culchac; “Refugiar el gesto: la danza de la tablitera”, de Javier Serpa; “Tsank cosmovisión Shua”, de Angelica Mas Y Rubi e Jessica Calle; e “Manifiesto Kawsay”, de Luciana Quispe e Kuntur Vargas.

Após a exibição dos curtas , a secretária Técnica do Programa IberCultura Viva, Flor Minici, ressaltou a importância do concurso como estratégia de circulação da produção audiovisual comunitária na América Latina. “O IberCultura Viva, este concurso, foi uma convocatória maravilhosa, que nos deixou maravilhados com o alcance desta política. Cada país pôde fazer uma seleção de seus curtas, trazendo representação de suas culturas”, completou.

Ao todo, o Cine Teia exibiu 22 curtas entre os dias 21, 22 e 23 de maio durante o evento. A programação deu visibilidade a pessoas, coletivos e comunidades que usam o audiovisual como ferramenta de registro, circulação cultural e afirmação de suas próprias histórias e identidades.

Teia Nacional

A 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura reúne agentes culturais, coletivos, mestres e mestras das culturas populares, povos tradicionais, representantes da sociedade civil e gestores públicos de todas as regiões do Brasil.

O evento é uma realização do Ministério da Cultura, do Governo do Estado do Espírito Santo, da Prefeitura de Aracruz e da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura (CNPdC), em parceria com o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), o Sesc, Unesco e o programa IberCultura Viva.

Enem 2026: inscrições começam na segunda; provas serão em novembro


O Ministério da Educação (MEC) publicou na sexta-feira (22) o edital do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026. As inscrições começam na próxima segunda-feira (25) e seguem até 5 de junho, exclusivamente pela internet, no site do Enem.

As provas serão aplicadas nos dias 8 e 15 de novembro. Para este ano, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pela aplicação do certame, estima aumentar para cerca de 10 mil o número de locais de prova em todo o país.

A taxa de inscrição continua no valor de R$ 85 e o pagamento deve ser feito até 10 de junho.
Inscrição automática

Uma das novidades deste ano é que os alunos concluintes do ensino médio da rede pública terão inscrição automática no exame. Os estudantes do 3º ano serão inscritos a partir de dados encaminhados pelas redes de ensino.

O aluno terá apenas que confirmar a participação no exame e escolher o idioma da prova de língua estrangeira que deseja fazer, informar o município onde quer fazer a prova, além de solicitar recursos de acessibilidade, se necessário.

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Enem

O Enem avalia o desempenho escolar dos estudantes ao término da educação básica. A prova é considerada a principal forma de entrada na educação superior, por meio de programas federais como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

As instituições de ensino públicas e privadas usam os resultados destas provas para selecionar estudantes.

Desde o ano passado, o Enem voltou a ser aceito para certificação do ensino médio, no caso dos candidatos com 18 anos completos que alcancem a pontuação mínima em cada área do conhecimento e na redação.
Cronograma

Confira o cronograma previsto no edital:Inscrições: de 25 de maio a 5 de junho
Pagamento da taxa de inscrição: de 25 de maio a 10 de junho
Solicitação de tratamento por nome social: de 25 de maio a 5 de junho
Solicitação de atendimento especializado: de 25 de maio a 5 de junho
Resultado do atendimento especializado: 19 de junho
Aplicação das provas: 8 e 15 de novembro

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Carolina Maria de Jesus ecoa em Cannes e leva ao mundo a voz que o Brasil nunca deveria ter silenciado


Há histórias que atravessam o tempo. Outras, atravessam oceanos. E há aquelas raras que fazem as duas coisas ao mesmo tempo.

A trajetória de Carolina Maria de Jesus, mulher negra, escritora, catadora de papel, mãe solo e autora de uma das obras mais contundentes da literatura brasileira, acaba de conquistar mais um capítulo histórico: o longa-metragem inspirado em sua vida foi premiado no Marché du Film, durante o Festival de Cannes, um dos principais espaços de mercado do audiovisual mundial.

Ainda em fase de pós-produção, o reconhecimento internacional consagra uma obra que já nasce carregada de memória, urgência e potência simbólica. Coproduzido pela Globo Filmes, com direção de Jeferson De, roteiro de Maíra Oliveira, protagonizado por Maria Gal e produção de Clélia Bessa, da Raccord Produções, o filme conta com apoio da Lei Paulo Gustavo, política pública do Ministério da Cultura que vem fortalecendo a retomada do setor audiovisual brasileiro.

Mais do que um prêmio, a conquista sinaliza que a voz de Carolina segue viva — e necessária.

Para Maria Gal, atriz que interpreta a escritora e também integra a produção do longa, o reconhecimento chega como confirmação de algo que sempre esteve ali: a força universal da obra de Carolina.

“Receber esse prêmio tem um significado muito profundo para toda a equipe. Mostra que essa história já está atravessando fronteiras e despertando conexão internacional antes mesmo do lançamento oficial. Carolina escreveu sobre o Brasil, mas falava sobre humanidade, fome, dignidade, maternidade, sobrevivência e sonho — temas universais que atravessam culturas, idiomas e fronteiras”, celebra.

Interpretar Carolina exigiu de Maria Gal um processo de preparação intenso, físico e emocional, construído ao longo de quase um ano com profissionais do Brasil e dos Estados Unidos. Houve estudo rigoroso da obra, imersões urbanas, releituras, vídeos, pesquisa de contexto e transformação corporal.

“Caminhei pelas ruas de São Paulo e do Rio como Carolina fazia, observando silêncios, olhares e invisibilidades. Foi uma experiência profundamente impactante e humana”, conta.

Mas, para além da reconstrução histórica, o mergulho revelou uma dimensão que muitas vezes escapa às leituras superficiais sobre a escritora: “O que mais me atravessou foi a potência intelectual, emocional e espiritual dela. Carolina sonhava, desejava, amava e observava o mundo de maneira extremamente sofisticada. Mesmo vivendo em condições tão difíceis, nunca abriu mão da própria voz”.

Essa dimensão humana também guiou o trabalho da roteirista Maíra Oliveira, que integra o projeto há cerca de seis anos e mergulhou na obra Quarto de Despejo para construir uma narrativa cinematográfica inspirada na escritora.

“Carolina é infinita. O filme é um recorte inspirador, mas não encerra sua fabulação. Existem muitas Carolinas ainda por serem contadas", enfatiza. Segundo ela, um dos principais desafios foi encontrar um recorte possível dentro da grandeza da personagem.

A roteirista destaca que a adaptação buscou enfatizar justamente uma Carolina para além da fome e da escassez.

“Era fundamental mostrar uma mulher extremamente criativa e inventiva, que usava a imaginação como sobrevivência. Uma intelectual com visão de mundo muito à frente do seu tempo”, explica.

O Brasil que se vê no espelho

Para Maíra, o prêmio em Cannes tem um significado que vai além do êxito artístico. Ele reafirma a centralidade das políticas públicas no fortalecimento do cinema nacional.

“Mais do que olhar para o prêmio internacional, é preciso enaltecer o fomento público que tornou possível que essa história fosse contada com autonomia criativa e financeira. Sem isso, não teríamos como contar a história da maior escritora brasileira”, afirma.

O longa também recebeu apoio à internacionalização por meio da Spcine. A presidente da empresa pública, Anna Paula Montini, destaca que garantir a presença de produções brasileiras em mercados estratégicos é parte central da política de desenvolvimento econômico do audiovisual.

“A indústria não investe naquilo que não conhece. Viabilizar a participação internacional de projetos como Carolina Maria de Jesus é um passo estratégico para fortalecer nossa indústria e reafirmar, em escala mundial, a potência e a diversidade das histórias do audiovisual brasileiro”, destaca.

Para ela, o reconhecimento em um espaço como Cannes evidencia a maturidade criativa do cinema nacional: “Essa premiação ressalta o caráter universal das nossas histórias, capazes de emocionar pessoas de diferentes partes do mundo. Narrativas como a de Carolina consolidam o Brasil como um polo criativo de vanguarda”.

Foto: Divulgação

Fomento que projeta histórias brasileiras para o mundo

A conquista de Carolina Maria de Jesus em Cannes também revela a potência das políticas públicas de incentivo que vêm fortalecendo o audiovisual nacional e ampliando a presença brasileira nos principais circuitos internacionais.

O longa conta com apoio da Lei Paulo Gustavo, política pública coordenada pelo Ministério da Cultura que impulsiona a retomada e o fortalecimento do setor cultural em todo o país, estimulando a produção de narrativas brasileiras diversas e socialmente relevantes.

Registrado junto à Agência Nacional do Cinema (Ancine), o projeto já captou R$ 6.361.955,00 por meio de mecanismos de incentivo fiscal e está em fase de contratação de R$ 4 milhões em recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) para sua produção.

Os investimentos reforçam o papel estratégico do fomento público na consolidação de obras autorais capazes de dialogar com o mercado internacional sem abrir mão de sua identidade criativa e de seu compromisso com a memória cultural brasileira.

No caso de Carolina Maria de Jesus, esse apoio tem sido decisivo para transformar em linguagem cinematográfica a trajetória de uma das maiores escritoras do país, permitindo que sua história alcance novos públicos e reafirme, no cenário global, a força simbólica da cultura brasileira.

Como destaca a roteirista Maíra Oliveira, o reconhecimento internacional é também resultado direto desse modelo de fortalecimento do setor: “Mais do que olhar para o prêmio internacional, é preciso enaltecer o fomento público que fez possível que histórias autorais fossem realizadas com autonomia criativa e financeira. Sem isso, não poderíamos contar a história da maior escritora brasileira”.

Quando uma mulher negra se move

Há mais de uma década, o projeto vem sendo construído por uma articulação coletiva que reuniu produtoras, roteiristas, artistas e instituições públicas e privadas em torno de um mesmo propósito: fazer com que Carolina voltasse a falar para o mundo.

Para Maíra Oliveira, há um simbolismo incontornável nisso:

“Quando uma mulher negra se movimenta, mexe-se toda a estrutura”.

A frase de Angela Davis, evocada pela roteirista, parece encontrar eco exato neste momento.

A escritora que transformou a fome em literatura e a exclusão em documento histórico agora ganha as telas do cinema mundial. E talvez seja essa a maior vitória: Carolina continua escrevendo o Brasil — agora, projetada em luz sobre o mundo.

Fonte: EBC