segunda-feira, 4 de maio de 2026

URGENTE! Novo boletim da CNTE analisa redução de escolas públicas e expansão do setor privado


A CNTE acaba de publicar a segunda edição do boletim “Estatísticas para Fortalecer a Ação Sindical na Educação”. O documento traz análises e dados estatísticos voltados à defesa da educação pública e dos direitos dos profissionais da área. Desta vez, o informativo se debruça sobre a transformação da quantidade de unidades de ensino e o perfil dessas escolas, inclusive na contratação do corpo docente.

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Três eixos principais dividem a análise da edição: a redução do número de escolas públicas, sobretudo em áreas rurais; a expansão da participação do setor privado na oferta educacional; e a fragilização dos vínculos de trabalho docente, expressa na diminuição do percentual de professores efetivos e nas desigualdades observadas nas remunerações iniciais.

“O boletim integra o nosso compromisso permanente com a produção e a socialização de conhecimentos qualificados sobre a educação básica brasileira. Em um cenário de mudanças perceptíveis na organização das redes de ensino e nas condições de trabalho docente, reafirmamos a importância de fundamentar a luta sindical em evidências empíricas produzidas por meio de dados oficiais”, disse a presidenta do CNTE, Fátima Silva.

A presidenta apresentou os estudos do “Estatísticas para Fortalecer a Ação Sindical na Educação” no último Conselho Nacional de Entidades (CNE), em 16 de abril.

Nesta edição, foi utilizado principalmente o Censo Escolar, formulado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). O informativo subsidia a organização sindical com dados atualizados e sugestões de estratégias para enfrentamento dos problemas levantados na análise.

Rede escolar

A seção “Reconfiguração da Rede Escolar no Brasil” busca observar a evolução do número de escolas em atividade, considerando a adaptação do sistema às necessidades da população. Além de demonstrar gráficos, o texto se propõe a explicar possíveis razões para as mudanças. Foi registrado um total de 180.540 escolas no país em 2025, comparado com as 217.412 unidades no ano 2000.

O Brasil é marcado por desigualdades de renda e recursos ao longo do território, e os dados mostram que no período de 2000 a 2025 houve uma redução acumulada de 36.872 escolas, o que corresponde a uma queda de 17,0% no número de unidades em funcionamento. Os maiores declínios aconteceram na zona rural e nas regiões Norte e Nordeste, que possuem maior vulnerabilidade educacional.

Privatização

Os números mostram a expansão das instituições administradas pelo setor privado, que apresentam movimentos de ascensão em três dos quatro momentos analisados: de 2000 a 2005 (+ 5.153 unidades); 2005 a 2010 (+ 5.401 unidades); 2020 (+ 1.277 unidades) e 2025 (+ 691 unidades). Foi registrada uma queda de - 430 escolas privadas entre 2010 e 2015.

Em contraste, as redes públicas registraram redução contínua em todos os intervalos analisados. O boletim faz a leitura de que a diminuição do número total de escolas no Brasil é fortemente determinada pelo fechamento de unidades públicas, o que reconfigurou a oferta educacional.

A seção “Participação do Setor Privado no Ensino Médio: Análise por Estados” nicha o nível escolar para melhor compreender os impactos das instituições privadas nos últimos anos da educação básica, descrito pelo boletim como “responsabilidade prioritária dos estados, conforme estabelece a Constituição Federal de 1988”.

Vínculos Docentes

O último eixo de análise centra-se na “Valorização Docente: Vínculos e Remunerações Iniciais”. São examinados o percentual de professores efetivos e a remuneração inicial dos profissionais nas redes públicas.

As pesquisas mostram redução no número de docentes efetivos, tanto na instância estadual quanto municipal, sendo que na rede municipal o percentual é superior. Observa-se a fragilização dos vínculos docentes nas redes públicas de ensino, não limitadas a uma esfera administrativa específica.

Quanto à remuneração, percebe-se que não há margem para valorização muito acima do piso do magistério, em 2025 fechado em R$ 4.867,77. O boletim faz uma análise integrada da associação entre a remuneração inicial e o percentual de efetivos nas redes.

Divulgação

A versão digital do boletim “Estatísticas para Fortalecer a Ação Sindical na Educação” pode ser encontrada na aba “Outras Publicações”, na seção de Comunicação do site da CNTE. Você pode acessar a página diretamente clicando neste link.

O informativo será impresso e distribuído às entidades filiadas à CNTE em todo o Brasil.

Divulgação/CNTE

Lula: Desenrola Brasil ajudará população a "tirar corda do pescoço"


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira (4) que o novo Desenrola Brasil pretende ajudar a população a “tirar a corda do pescoço” e recuperar acesso ao crédito.

Ele ponderou, durante a cerimônia de lançamento do programa em Brasília, que dívidas só podem trazer benefícios, quando ocorrem de forma responsável e compatível com a renda de cada pessoa.

A iniciativa é voltada à população que ganha até cinco salários mínimos, hoje R$ 8.105. Será possível negociar débitos do cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.


“As pessoas não deveriam gastar mais do que podem pagar. Pode ser bom para a pessoa se endividar para comprar uma coisa para casa, ou para trocar de carro; comprar um terno novo ou um brinquedo para o filho. Mas é também importante que as pessoas façam suas dívidas sem perder de vista a sua condição de pagamento.”


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Nome limpo na praça

Segundo o presidente, o governo pretende, com as medidas anunciadas, permitir às pessoas “tirar a corda do pescoço” e respirar com mais tranquilidade, ao voltar a ter o nome limpo na praça.


“Não é correto a pessoa estar com o nome sujo no Serasa por causa de uma dívida de R$ 100 ou R$ 200. Isso não tem lógica. Aí, o mercado transforma esse cidadão em um clandestino, porque ele não pode mais comprar nada a crédito, nem ter conta em banco.”

De acordo com o presidente, esse tipo de restrição acaba excluindo o cidadão do sistema financeiro formal, impedindo o acesso ao crédito e até a serviços bancários.

“Ou seja, ele vira um freguês da bandidagem, da agiotagem, pagando um juro ainda mais escorchante”, acrescentou ao explicar que um fundo garantidor ajudará as pessoas nas negociações das dívidas com instituições financeiras, mas que, para isso ocorrer, a população endividada não poderá fazer apostas online pelo prazo de um ano.

“A pessoa não pode continuar jogando em bets. Estamos proibindo que, durante um ano, as pessoas gastem seus recursos com jogos.

MCTI reforça ações de prevenção ao assédio e à discriminação no ambiente de trabalho


O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) intensificou, em 2026, suas ações de prevenção e enfrentamento ao assédio e à discriminação no ambiente de trabalho. As iniciativas fazem parte da adesão do órgão ao Programa de Enfrentamento e Prevenção ao Assédio e à Discriminação (Ecoa), política estruturante do Governo do Brasil para a promoção de ambientes mais seguros, respeitosos e inclusivos.

No âmbito do MCTI, a agenda inclui campanhas internas de conscientização, capacitações periódicas para servidores e colaboradores, além do fortalecimento dos canais de escuta e acolhimento. As ações buscam não apenas informar sobre o que caracteriza o assédio moral, sexual e outras formas de intimidação, mas também orientar sobre prevenção e caminhos disponíveis para denúncia.

Entre as medidas adotadas, o ministério estruturou fluxos internos para atendimento de casos, com atuação integrada de áreas como ouvidoria, corregedoria e gestão de pessoas. O objetivo é garantir tratamento adequado às denúncias, com proteção à vítima e a garantia dos princípios de confidencialidade e imparcialidade.

Outro eixo importante é o investimento em ações educativas. O MCTI tem promovido atividades e distribuído materiais informativos que reforçam valores como respeito, ética e responsabilidade no serviço público. A campanha mais recente contou com peças visuais com frases como O Assédio Reflete em Você e Respeitar as Mulheres Não é Favor, é um Dever de Cidadania espalhadas pela sede do ministério. A estratégia acompanha as diretrizes do Ecoa, que orienta os órgãos federais a atuarem de forma preventiva, com foco na mudança de cultura organizacional.

As iniciativas do ministério também dialogam com a política de integridade pública, fortalecendo mecanismos de governança e transparência. Ao integrar prevenção, acolhimento e responsabilização, o MCTI busca consolidar práticas institucionais alinhadas aos princípios da administração pública e às demandas contemporâneas por ambientes de trabalho mais justos.

Com a ampliação dessas ações, o ministério reafirma seu compromisso com a valorização das pessoas e com a promoção de um ambiente institucional baseado no respeito e na dignidade.

Servidores capacitados em prevenção e enfrentamento ao assédio

Como parte do Plano Setorial de Prevenção e Enfrentamento do Assédio e da Discriminação, servidores do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) participaram do curso on-line Prevenção e Enfrentamento do Assédio Sexual e Moral, da Escola Virtual de Governo.

“Melhorar o ambiente de trabalho e capacitar os servidores para lidar com o tema do assédio e da discriminação é essencial para garantir relações profissionais respeitosas, seguras e saudáveis, bem como para promover a dignidade humana e proteger a saúde física e mental das pessoas”, reforça o chefe da Assessoria Especial de Controle Interno (AECI) do ministério, Fernando Roriz.

O curso tem carga horária de seis horas e deve ser feito por toda a força de trabalho do ministério, servidores e colaboradores. A capacitação está disponível para qualquer interessado, mesmo que não seja servidor. Basta se cadastrar na plataforma.

“Juntos promoveremos a transformação da cultura organizacional do MCTI, fortalecendo práticas institucionais que valorizem a diversidade, a igualdade e a integridade no serviço público, fortalecendo o desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação no nosso País”, afirma a ministra Luciana Santos

sábado, 2 de maio de 2026

CIÊNCIA E INOVAÇÃO Terras raras ganham impulso estratégico com participação do MCTI na atualização de estudo


O avanço de tecnologias presentes no cotidiano — como celulares, equipamentos médicos, carros elétricos e fontes de energia limpa — depende de insumos estratégicos que ainda são pouco conhecidos pela população. Entre eles estão as terras raras, minerais fundamentais para a indústria moderna e para a transição energética. Com potencial relevante nesse setor, o Brasil busca ampliar sua capacidade de produção e inovação, tema que esteve no centro de workshop do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), com participação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

O encontro integrou a atualização do estudo sobre terras raras no País, com horizonte até 2040. Representando o MCTI, o diretor do Departamento de Programas de Inovação (Depin), Osório Coelho, participou das discussões ao lado de especialistas, pesquisadores e representantes de instituições estratégicas. O objetivo foi revisar cenários, identificar desafios e apontar caminhos para o fortalecimento da cadeia produtiva nacional.

Para Osório Coelho, a atualização do estudo acompanha a evolução recente do tema no País e no mundo. “Já havia alguns anos que o estudo tinha sido feito e, com o avanço da agenda de minerais estratégicos no Brasil, entendemos que era o momento de atualizar essa agenda. Estamos falando de um tema cada vez mais relevante, diretamente ligado à transição energética e à soberania tecnológica dos países”, afirmou.

Ele destacou ainda que o desafio vai além da exploração mineral. “Mais importante do que extrair é avançar nas etapas seguintes da cadeia, que concentram maior valor agregado, como refino, separação e desenvolvimento de produtos com maior complexidade tecnológica. O estudo é fundamental para orientar políticas mais integradas”, completou.

A iniciativa dá continuidade a uma agenda construída ao longo da última década. Em 2013, o CGEE elaborou, a partir de demanda do MCTI, um estudo voltado à estruturação de políticas para o setor, incluindo análise de cenários globais e definição de prioridades industriais. A atualização considera mudanças no contexto internacional, marcado por disputas por recursos críticos e pela aceleração da transição energética.

Durante o workshop, foram debatidos temas como o cenário internacional, prioridades nacionais e a construção de um novo plano estratégico para o período de 2026 a 2040. A programação também abordou etapas críticas da cadeia produtiva, que vão da mineração ao desenvolvimento de aplicações industriais, além de aspectos ligados à sustentabilidade e à economia circular.

Para o presidente do CGEE, Anderson Gomes, o trabalho coletivo é essencial para orientar decisões públicas. “Esse esforço de articulação não é pontual. Ele se insere na missão do CGEE de conectar produção científica e análise estratégica para tomada de decisão pública. Ao reunir pesquisadores, centros de pesquisa e atores institucionais, o centro contribui para consolidar uma base de evidências capaz de orientar políticas públicas mais robustas e coordenadas. Entregaremos os resultados à ministra Luciana Santos [MCTI]”, disse.

A atualização do estudo busca integrar políticas mineral, industrial, energética e de defesa, diante do papel cada vez mais estratégico desses insumos para o desenvolvimento do País. A previsão é de que, nas próximas semanas, o grupo de trabalho dê continuidade às discussões com a elaboração de uma minuta inicial do novo documento.

Terras raras: o que são e por que importam

As chamadas terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos com propriedades únicas, especialmente magnéticas, ópticas e eletrônicas. Apesar do nome, não são exatamente raras na natureza, mas são difíceis de extrair e processar, o que as torna estratégicas.

Esses elementos estão na base de tecnologias que fazem parte do cotidiano e da transição energética. São essenciais, por exemplo, na fabricação de ímãs de alta potência, baterias, semicondutores e catalisadores, além de não terem substitutos com o mesmo desempenho.

Ascom/MCTI

Sobre o estudo

Publicado pelo CGEE em 2013, o estudo Usos e Aplicações de Terras Raras no Brasil: 2012-2030 traçou um diagnóstico das cadeias produtivas desses minerais estratégicos e indicou caminhos para políticas públicas em ciência, tecnologia e inovação. À época, o levantamento apontava forte concentração global da produção — cerca de 97% sob domínio da China —, cenário que reforçou a importância de diversificar fornecedores e ampliar a capacidade nacional.

O documento identificou aplicações industriais em áreas como ímãs permanentes, catalisadores, ligas metálicas e materiais para polimento, todos essenciais para tecnologias de alto desempenho. O levantamento também destacou o potencial do Brasil para avançar nesses segmentos, desde que amplie o mapeamento de reservas, invista em pesquisa e fortaleça etapas de maior valor agregado da cadeia produtiva.

Com base em análises de cenários, dados científicos e registros de patentes, a publicação apontou desafios estruturais e oportunidades para o País. Entre as recomendações estão o desenvolvimento de infraestrutura tecnológica, a formação de especialistas e a integração entre mineração, indústria e inovação. A perspectiva traçada à época aponta para a inserção competitiva do Brasil no mercado internacional, com maior autonomia na produção e uso de terras raras.

Leia o estudo na íntegra.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Especial: 1º de Maio na edição histórica da revista Debate Sindical de 1986


Por: Portal Grabois

Nesta sexta-feira, 1º de maio, completam-se 140 anos dessa data histórica para a luta dos trabalhadores e trabalhadoras de todo o mundo. Para lembrar o espírito combativo desse episódio, originado da luta pela redução da jornada de trabalho, o Portal Grabois resgata a publicação, em 1986, da primeira edição da revista Debate Sindical.O periódico, dedicado ao tema do sindicalismo, homenageou o centenário do Dia do Trabalhador com texto sobre a história da greve de operários dos Estados Unidos (1886), que resultou na morte, em Chicago, de 38 trabalhadores e na condenação injusta e na execução de líderes grevistas — episódio que está na origem do 1º de maio (ver artigo no final da matéria).

A edição também destacou a Convenção 87 da OIT, a Constituinte, o papel da imprensa sindical e as lutas dos metroviários paulistas. Nas páginas da Debate Sindical nº 1 ainda é possível ler entrevista com dirigentes da recém-criada CGT e matéria sobre a violência no campo, com trechos inéditos de documento oficial do governo federal que expunha o avanço da repressão e dos assassinatos promovidos pelo latifúndio.

+ Acesse o acervo da Debate Sindical

A luta dos comunistas no Brasil esteve integrada à pauta dos direitos dos trabalhadores ao longo de toda sua história, e essa edição inaugural da revista, há 40 anos, marca o retorno da atuação do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) à legalidade, após um longo período de 36 anos na clandestinidade, sendo a maior parte na luta contra a ditadura militar (1964-1985).

Em 23 de maio de 1985, o dirigente comunista João Amazonas apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o pedido de registro do PCdoB. A derrubada do regime militar teve como um componente importante o movimento grevista que eclodiu no ABC paulista, e o PCdoB, mais uma vez, buscou contribuir com essas lutas, que só cresceram com o final da ditadura. Com o fim do regime autoritário, o partido retomou a publicação do jornal A Classe Operária e teve participação ativa na criação do Centro de Estudos Sindicais (CES), em abril de 1985, responsável pela criação da Debate Sindical, de publicação trimestral.

“Seu objetivo principal, conforme está expresso na Carta de Princípios do CES, será o de ajudar a construir um sindicalismo forte, democrático, unitário, enraizado nos locais de trabalho. Um sindicalismo que se coloque à frente de todas as lutas dos trabalhadores, contribuindo para organizá-los no rumo de sua emancipação completa. A própria data do seu lançamento, 1º de Maio, reflete este nosso objetivo maior”, destacaram os editores na edição de lançamento da revista.

A luta de massas no país se intensificava e ganhou expressão em organizações populares representativas dos trabalhadores. Em março de 1986, o II Congresso das Classes Trabalhadoras, realizado em Praia Grande (SP), criou a Central Geral dos Trabalhadores (CGT). Também foram realizados naquele ano o IV Congresso da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag); o 1º Congresso da Mulher Trabalhadora e o III Congresso Nacional das Associações de Moradores.

Nesse cenário, o PCdoB se preparava para atuar na Constituinte, cuja eleição seria realizada em novembro. “A batalha pela Constituinte será uma excelente oportunidade para fazermos avançar a luta do povo. Isto na medida em que o movimento sindical e popular, compreendendo a sua significação, procure participar ativamente dela. Pois dependerá enormemente do perfil social que vier a ter a futura Constituinte para que a nova Constituição consagre em seus termos as reivindicações básicas que movem hoje o sindicalismo e o povo brasileiro em suas lutas”, destacou Ronald Freitas no artigo Os sindicatos e a mobilização pela Constituinte, publicado naquela edição.


João Amazonas discursa na manifestação do 1º de maio de 1989 (Foto: CDM / Grabois)

Em novembro de 1986, o PCdoB elegeu uma representativa bancada comunista na Constituinte: Aldo Arantes (GO), Eduardo Bomfim (AL), Edmilson Valentim (RJ), Haroldo Lima (BA) e Lídice da Mata (BA). Uma importante conquista dos comunistas foi a redução da jornada de trabalho. Embora a luta fosse por 40 horas semanais, bandeira já levantada pelos comunistas na Constituinte de 1946, a conquista possível naquele momento foi a redução de 48 para 44 horas semanais. Neste 1º de maio de 2026, a luta pelas 40 horas semanais se renova, assim como pelo fim da escala 6×1.

Leia abaixo a reprodução do texto escrito pelos jornalistas José Carlos Ruy e Altamiro Borges para a edição histórica da revista Debate Sindical.
Centenário da heróica luta do 1° de Maio

A comemoração do 1º de maio como Dia Internacional do Trabalho lembra um episódio sangrento ocorrido no século passado, na luta pela conquista da jornada de 8 horas diárias. Essa era a grande luta que mobilizava operários americanos e europeus há muitas décadas, contra a exploração crua a que estavam submetidos, que forçavaos normalmente a trabalhar de 14 a 16 horas por dia. Já em 1827 ocorreu a primeira greve nos Estados Unidos pela redução da jornada de trabalho, a dos carpinteiros da Filadélfia. Pouco depois, em 1832, os trabalhadores de Boston iniciavam um poderoso movimento paredista que não teve consequências imediatas, mas alertou a burguesia. O resultado dessas primeiras batalhas é que o governo norteamericano, em 1840, reduziria a jornada de trabalho dos funcionários públicos. A partir daí a luta ganha forte impulso. Em 1850 surgem em todo país as famosas Ligas das Oito Horas, intensificando a campanha.

Em 1884, a Federação dos Grêmios e Uniões Organizadas dos ‘Estados Unidos e Canadá (que depois se transformaria na Federação Norte-americana do Trabalho) aprovaria a proposta da greve geral. para conquistar a redução da jornada para todos os assalariados, “sem distinção de sexo, ofício ou idade”. A data escolhida foi de 1º de Maio de 1886 – isto porque no 1º de Maio a maioria das categorias operárias dos EUA renovam seus contratos I coletivos de I trabalho com as empresas.

O chamamento da central sindical americana foi atendido pela maioria do operariado. Nesta data ocorreram paralisações em todos os Estados americanos. Mais de 5 mil fábricas foram fechadas e cerca de 340 mil trabalhadores saíram as ruas para exigir a redução, segundo relata Camilo Taufic no livro Crônica do 1º de Maio. Os empresários sentiram a disposição de combate do proletariado e muitos cederam. No mesmo dia 1º, 125 mil assalariados obtiveram o direito reivindicado. No mês de maio, outros 200 mil foram beneficiados. E antes do término do ano de 1886, cerca de um milhão de trabalhadores já trabalhavam oito horas.

No entanto, a luta não foi tranquila. A burguesia formou milícias armadas, compostas por marginais e ex-presidiários, para agredir os grevistas. O bando dos “irmãos Pinkerton” tornou-se famoso pelos métodos selvagens utilizados. Além disso, o governo mobilizou o exército e a polícia. E a imprensa patronal atiçou a repressão. 0 jornal Chicago Tribune, por exemplo, conclamou num de seus editoriais: “0 chumbo é a melhor alimentação para os grevistas. A prisão e o trabalho forçado são a única solução possível para a questão social. E de esperar que seu uso se estenda”.
Patrões formam suas milícias para atacar grevistas

Em Chicago, segunda cidade americana em importância, os choques dos grevistas com a polícia e os grupos para-militares foram mais agudos e sangrentos. A greve se iniciou no dia lº de Maio atingindo quase a totalidade das fábricas da região. Mas, como os patrões não cederam, ela se desdobrou nos dias seguintes. No dia 4, durante uma manifestação dos grevistas na praça Haymarket, uma bomba explode, matando um policial e deflagrando um grande conflito. No total, 38 operários foram mortos e 115 ficaram feridos.

Não se esclareceu a origem da bomba. Apesar disso, o governo implantou o clima de terror na cidade. Decretou o Estado de Sítio; estabeleceu o toque de recolher; e ocupou militarmente os bairros
operários. Inúmeros sindicatos foram fechados e cerca de 300 lideranças grevistas foram presas e torturadas no interrogatório. No final, os principais líderes operários de Chicago foram detidos e
levados a julgamento. Foram eles: o anarquista Hessois Auguste Spies, diretor do Diário dos Trabalhadores, e os sindicalistas Michael Schwab, Adolph Fisher, Albert R. Parsons, Oscar Neebe, Louis Lingg, Samuel Fielden e George Engel – que passaram à história como “Os Oito de Chicago”. O processo contra eles caracterizou-se”por um pré-julgamento. Não se tratava de saber se algum
dos detidos era responsável pela bomba e pela morte do policial. O objetivo era condenar o anarquismo, e o juiz Joseph E. Gary nomeado para dirigir o julgamento, empenha-se em provar que
a bomba fazia parte de um complô anarquista de amplas proporções.

A partir dai, depoimentos e testemunhas são manipulados para que os oito sejam condenados” (Tapajós, Lais, “Os Oito de Chicago”, in: Movimento, 25 de abril de 1977). O julgamento no Tribunal Especial, iniciado no dia 17 de maio, foi uma grande farsa. Os 12 jurados foram escolhidos a dedo entre os 981 candidatos. Os operários que se apresentaram foram rejeitados pelo ministério público e só os que afirmavam ser contra as greves e os sindicatos foram selecionados como jurados. As testemunhas também foram escolhidas criteriosamente. Três dirigentes anarquistas (Sellinger, Waller e Scharader) foram comprados pelo governo e acabaram fazendo seu jogo sujo. Posteriormente, a própria irmã de Waller demonstraria que este recebera dinheiro para trair a causa dos trabalhadores.
“Vítimas inocentes de um erro judicial”

No dia 20 de agosto, com o tribunal lotado, foi lido o veredicto: Spies, Parsons, Fielden, Schwab, Fisher, Lingg e Engel são condenados à morte e Neebe a 15 anos de prisão. Pouco depois, a pena de
Schwab, Fielden e Lingg é transformada em prisão perpétua. No dia 11 de novembro de 1887, Spies, Parsons, Fisher e Engel são enforcados na cadeia de Chicago. Um dia antes, Lingg morre na prisão, em circunstâncias misteriosas, apesar da polícia dizer que se suicidara. Mo mesmo dia 11 os cinco “Mártires de Chicago” foram enterrados, num cortejo que reuniu mais de 25 mil operários. Durante várias semanas as casas proletáriasda cidade exibiram flores vermelhas como forma de luto e de protesto.

Seis anos depois, o próprio governador de Illinóis, John Altgeld, mandaria reabrir o processo. Num outro clima politico, o juiz concluiria que os enforcados não tinham cometido nenhum crime,
“haviam sido vítimas inocentes de um erro judicial”. Fielden, Neebe e Schwab são colocados em liberdade. Mas a heróica luta dos trabalhadores americanos e o enforcamento de seus líderes não foram em vão. Em 1º de Maio de 1890, o Congresso dos EUA dobrou-se à exigência operária e regulamentou a jornada de oito horas diárias em todo o país. Em homenagem a seus heróis, a Federação Norte Americana do Trabalho, em seu congresso de dezemb de 1890, transformou o 1º de Maio num dia de luta e protesto. Congressos operários e sindicais na França, Alemanha e Espanha seguiram o exemplo.

Em 1891, a Segunda Internacional dos Trabalhadores, organizada em 1889, decidiu em seu congresso de Bruxelas que “no dia 1º de Maio haverá uma demonstração única para os trabalhadores de todos os países, com caráter de afirmação da luta de classes e reivindicação das oito horas de trabalho”. Esse congresso teve a assistência de 367 delegados, representando partidos
e organizações operárias de mais de vinte países. A partir daí o Dia Internacional dos Trabalhadores passou a ser comemorado em todo o mundo, muitas vezes enfrentando a feroz repressão da
burguesia.

A dura luta para festejar a data num Brasil reacionário

O cumprimento da convocação feita em Bruxelas não foi fácil no Brasil. Em 1894, um grupo de nove operários italianos e alguns brasileiros reuniu-se na rua Líbero Badaró, em São Paulo, para combinar a comemoração do 1º de Maio. Entretanto, bastou uma denúncia (atribuída ao consul italiano) para aparecer a polícia e botá-los na cadeia, onde permaneceram oito meses (Dias Everaldo, História das Lutas Sociais no Brasil, Alfa-Omega, 1977). O 1ºde Maio foi festejado pela primeira vez no Brasil em Santos, em 1895. A solenidade foi realizada em recinto fechado, como todas as outras manifestações operárias que ocorreram até 1906. “Até aí, quando se comemorava, era sob pretexto de um festival de salão e outras vezes era algum patrão folião que promovia uma festa para seus operários”, conta Everardo Dias no mesmo livro. Apresentavam-se espetáculos teatrais, normalmente seguidos de conferências, palestras ou bailes. Aí formavam-se os futuros líderes do movimento operário.
Manifestações do 1º de Maio ocorrem após 1906


As primeiras manifestações em praça pública ocorreram em 1906. No Rio de Janeiro, na época capital da República, uma grande passeata desfilou pelas suas ruas centrais; em São Paulo houve um
comício na praça da Sé; e em Porto Alegre, uma passeata. Neste mesmo ano, realizou-se no Rio de Janeiro o 1º Congresso Operário Brasileiro, que decidiu fundar a COB (Confederação Operária do
Brasil) e passar a comemorar com ações de protesto e luta a data internacional da solidariedade proletária. Segundo resolução, “no 1º de Maio de 1907 o operariado do Brasil declara- se vigorante em todo o território nacional pelas 8 horas de trabalho diário”.

Para defender a reivindicação, o congresso apelou para a greve. A convocação foi imediatamente aceita por várias categorias profissionais no Rio de Janeiro e em São Paulo em maio de 1907, quando ficou claro que os patrões não cederiam. Ainda em 1907, houve uma comemoração da data em Recife, com discursos inflamados e concertos musicais no Teatro Santa Isabel, sob um enorme retrato de Karl Marx, fundador do socialismo científico.

Outros primeiros de maio marcantes neste período foram os de 1912, onde a palavra de ordem era contra a carestia e pela livre organização sindical; em 1913, contra a lei Adolfo Gordo, que determinava a expulsão dos trabalhadores estrangeiros – uma lei antioperária, já que muitos importantes líderes sindicais eram imigrantes; em 1914, contra a carestia; em 1915 e 1917, contra a I Guerra Mundial; e em 1918, em homenagem à vitoriosa revolução proletária russa.

Nesse ano, os trabalhadores converteram a data de protesto numa festa de solidariedade e confraternização com a primeira república operária. No Rio, o “governo proibiu o acesso às ruas, por causa do Estado de Sítio, mas os operários cercaram e acorreram ao Maison Moderne, na praça Tiradentes, e ali realizaram uma assembléia”. Nela aprovaram sob aplausos uma moção onde manifestaram “sua profunda simpatia ao povo russo, neste momento em luta heróica contra o capital e o Estado”. Em seguida, burlando a polícia, saíram em passeata até a Estação Central, com bandeiras vermelhas, cantando a Internacional e dando vivas à Rússia (Bandeira Moniz e outros, Ano Vermelho – A revolução Russa e seus reflexos no Brasil, Brasiliense, 1980).

Fonte: Fundação Maurício Grabois Revista Debate Sindical

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Presidente do SINPROESEMMA Raimundo Oliveira reforça convocação para esta Quinta Feira (30) de Ato em alusão ao Dia do Trabalho em São Luís

Presidente do SINPROESEMMA Professor Raimundo Oliveira

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Maranhão (Sinproesemma), professor Raimundo Oliveira, reforça convocação  a  trabalhadores e trabalhadoras da educação, outras categorias, além da sociedade em geral, para participarem das mobilizações alusivas ao Dia do Trabalho que acontecem nesta quinta-feira (30), às 15:30, na Praça João Lisboa, em São Luís.

O Ato reúne também diversas centrais sindicais, sindicatos e movimentos sociais  com o objetivo de  fortalecer a luta por direitos, democracia e soberania nacional. A mobilização também busca ampliar o diálogo com a população sobre pautas estruturantes para o mundo do trabalho no Brasil.

Entre os principais pontos defendidos está o fim da escala de trabalho 6x1, modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos para apenas um de descanso, jornada considerada  prejudicial à saúde e à qualidade de vida dos  trabalhadores e trabalhadoras.


Além disso, o movimento destaca a importância da valorização do trabalho, da ampliação de direitos e do fortalecimento das instituições democráticas. Outro eixo central do ato é o apoio a um novo projeto nacional de desenvolvimento que priorize a defesa da democracia e da soberania nacional.

Durante a convocação, Raimundo Oliveira também ressaltou a necessidade de organização política da classe trabalhadora, incluindo a eleição de representantes comprometidos com reformas estruturais no Congresso Nacional. Segundo ele, esse processo é fundamental para garantir avanços sociais e consolidar políticas públicas necessárias para um governo alinhado aos interesses nacionais.

"A mobilização do 1º de Maio em São Luís integra uma agenda nacional de lutas e deve reunir trabalhadores e trabalhadoras de diferentes categorias, sindicatos e organizações sociais em defesa de um país mais justo, democrático e soberano  Estão todos convidados..", destaca e convoca o Presidente do SINPROESEMMA Raimundo Oliveira. 

quarta-feira, 29 de abril de 2026

CTB Maranhão e sindicatos convocam trabalhadores e trabalhadoras para Ato do Dia do Trabalho nessa Quinta Feira 30 em São Luís


A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) no Maranhão ao lado de entidades sindicais convocam trabalhadores e trabalhadoras para participarem das mobilizações alusivas ao Dia Internacional do Trabalhador, celebrado em 1º de maio. 

Em São Luís, as atividades ocorrerão nessa Quinta-Feira 30 de abril em Ato marcado para a Praça João Lisboa, no Centro da capital, com início previsto para as 15h30.
 
A mobilização deve reunir diversas categorias em defesa de direitos trabalhistas e melhores condições de vida. 

De acordo com a CTB, entre as principais pautas estão o combate à precarização do trabalho, a defesa de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da economia e a garantia de direitos básicos para a população trabalhadora.

Outro ponto destacado pela entidade é a mobilização pelo fim da escala 6x1, modelo de jornada que, segundo a central, compromete a qualidade de vida dos trabalhadores. A proposta de mudança tem ganhado adesão em diferentes categorias no país.

O presidente da CTB Maranhão, Fábio Orlan, reforça a importância da participação popular no Ato. Segundo ele, "a mobilização é fundamental para fortalecer a luta coletiva por direitos, valorização do trabalho, democracia, soberania e justiça social.".