sábado, 29 de agosto de 2026

Relator da CCJ do Senado vota a favor da PEC do fim da escala 6x1


O senador Omar Aziz (PSD-AM) apresentou, na quinta-feira (27), o relatório da PEC 221/2019, que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada máxima de trabalho para 40 horas semanais no Brasil.


Como o próprio parlamenta já havia anunciado anteriormente, ele manteve integralmente o texto aprovado pela Câmara dos Deputados e rejeitou as 12 emendas apresentadas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

O texto será apreciado pelo colegiado na próxima semana, durante o último esforço concentrado do Congresso Nacional para a votação de matérias legislativas antes das eleições, no dia 4 de outubro.

Veja o que prevê o texto da PEC:

Dois dias de repouso semanal remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos
Salário não poderá ser reduzido por causa diminuição da jornada
Dois meses após a promulgação da PEC, a jornada máxima passa das atuais 44 para 42 horas semanais.
Um ano depois do fim desse primeiro período, cai definitivamente para 40 horas.

A manutenção do texto como veio da Câmara evita que eventuais alterações da proposta pelos senadores obrigassem o retorno da matéria para uma última análise dos deputados.

A tramitação da matéria, aprovada no fim de maio na Câmara, só foi destravada há pouco mais de 10 dias, após uma reaproximação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Já nesta última quarta-feira (26), um almoço entre Lula, Alcolumbre e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), selou a pauta de votação para o esforço concentrado da próxima semana.

Apesar de garantir a votação da PEC do fim da escala na CCJ, o presidente do Senado foi cauteloso e não prometeu que o texto possa ser votado em Plenário.

Na Câmara, a PEC do fim da escala, que tem forte apelo popular, foi aprovada em dois turnos por amplas margens de votação: 472 a 22 no primeiro turno e 461 a 19 no segundo.

A previsão é que a CCJ do Senado vote o texto na próxima quarta-feira (2). Se a comissão aprovar o parecer, a PEC ainda precisará passar pelo Plenário do Senado em dois turnos, com o mínimo de 49 votos favoráveis em cada votação.
Argumentos do relator


Um dos principais argumentos apresentados por Omar Aziz para manter o parecer favorável à PEC é o de que as jornadas superiores a 40 horas atingem principalmente trabalhadores de menor renda e escolaridade.

O parlamentar usou estatísticas de uma nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), baseada em informações da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2023, que apontam que 80% dos vínculos com jornada superior a 40 horas têm salário contratual de até dois salários mínimos, enquanto 90% recebem até três salários mínimos.

Também sustentou que mais de 83% dos vínculos de trabalhadores com ensino médio completo ou menos cumprem jornada superior a 40 horas semanais, proporção que cai para 53% entre os de ensino superior completo.

"A jornada prolongada não é, portanto, fenômeno neutramente distribuído na estrutura produtiva: recai de modo desproporcional sobre os trabalhadores de menor renda e menor escolaridade. Reduzi-la é, nessa exata medida, providência de justiça distributiva, e não apenas de política laboral", argumentou.

Aziz também defende a mudança como forma de reduzir os efeitos negativos de jornadas extensas. O parecer afirma que períodos maiores de descanso contribuem para a recuperação física e mental, além de reduzir a exposição a situações de adoecimento e acidentes de trabalho.

O relator rejeitou todas as emendas apresentadas, incluindo aquelas que buscavam manter a jornada de 44 horas semanais, permitir jornadas superiores às 40 horas por meio de negociação coletiva, alongar o período de transição para a nova jornada ou adiar a entrada em vigor dos dois dias de repouso semanal.

Fonte: PORTAL EBC

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Capes abre 4.143 vagas de mestrado para professores/as da rede pública


O Ministério da Educação (MEC) fechou uma parceria com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) para oferecer 4.143 vagas de mestrado presencial para professores/as da rede pública em exercício. As oportunidades incluem formação em letras, filosofia, matemática, biologia, computação e educação tecnológica, além de artes e educação digital.

A iniciativa faz parte do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu para Qualificação de Professores da Rede Pública de Educação Básica (ProEB). Informações sobre as oportunidades estão disponíveis no Portal de Formação Mais Professores.

Para a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), projetos como esse são fundamentais e precisam integrar uma política permanente e abrangente de valorização dos/as profissionais da educação.

“Defendemos a formação continuada como um direito profissional e como dimensão indissociável da valorização, ao lado de carreira, remuneração digna e condições adequadas de trabalho. Ampliar o acesso dos/as trabalhadores/as da educação à pós-graduação e a outros processos formativos fortalece a autonomia profissional, qualifica as práticas pedagógicas e contribui diretamente para a melhoria da qualidade da educação pública”, disse o secretário-geral da CNTE, Fábio de Moraes.

Como acessar

No site do Mais Professores, é necessário clicar em “Oportunidades” para conferir os mestrados e data limite de inscrição. Interessados/as podem filtrar as vagas por localização, área de conhecimento e entidade de ensino.

Em cada oportunidade de formação, o botão “Acessar site” redireciona o/a usuário/a até o site da instituição.

Vagas

Eis a lista de oportunidades disponíveis:919 para mestrado em letras;
324 para mestrado em filosofia;
1.848 para mestrado em matemática;
572 para mestrado em biologia;
340 para mestrado em computação;
130 para mestrado em educação tecnológica.

Também são ofertadas vagas para professores de artes e de educação digital, ainda sem número definido de vagas. Segundo o MEC, em breve, serão divulgadas oportunidades em sociologia, educação física, história, educação inclusiva, física, geografia e ciências ambientais.

Além disso, o portal reúne formações complementares em temas estratégicos para a atuação educacional, como estatística, equidade, relações étnico-raciais, saúde mental no contexto escolar, recursos educacionais digitais, inclusão e práticas pedagógicas inovadoras.



Com informações do Ministério da Educação

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Manifestação cultural representativa do Nordeste, Repente tem como marcas a rima e o improviso sobre situações do cotidiano


A rima e o improviso são as marcas do Repente, manifestação popular que faz parte da identidade da região Nordeste. No diálogo poético, dois artistas se revezam cantando estrofes improvisadas sobre situações do dia a dia.

Devido a sua importância cultural e social, o bem imaterial foi registrado como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em novembro de 2021.

O reconhecimento valoriza o trabalho de cantadores, produtores e apreciadores dessa tradição, presente atualmente em diferentes regiões do país.

Com a conquista, o Repente passou a figurar no Livro de Registro das Formas de Expressão, no qual também estão a Roda de Capoeira e Choro. O título possibilita a adoção de ações e políticas públicas voltadas à salvaguarda da expressão cultural.

O pedido de registro foi apresentado ao Iphan em 2013 pela Associação dos Cantadores Repentistas e Escritores Populares do Distrito Federal (Acrespo). A partir daí, o Instituto iniciou o processo de pesquisa e documentação da manifestação.

O trabalho resultou em um dossiê técnico elaborado em parceria com a Universidade de Brasília (UnB). O estudo reuniu informações sobre a história, as características e a importância cultural do Repente.

Cantorias

As apresentações de repentistas costumam ser feitas em espaços como casas, feiras, praças públicas e grandes festivais. Nelas, dois poetas, acompanhados de violas, improvisam estrofes alternadas, a partir de temas sugeridos pelo público ou instigados por eles próprios. Cada cantador é desafiado a criar versos inéditos, que encantam pela rapidez do raciocínio e pela riqueza de conteúdo.

O Repente é composto por três elementos fundamentais: a métrica precisa dos versos, a qualidade das rimas e o sentido das mensagens transmitidas pelos poetas. A habilidade para o improviso, que surpreende os ouvintes pela espontaneidade, é considerada como um dom.

A expressão cultural mantém vínculos históricos com as narrativas orais e encontra-se em estreita relação com outras poéticas vocais, como a literatura de cordel.

História

Há registros da prática do Repente desde meados do século 19 em Pernambuco e na Paraíba. As mais antigas têm origem na Serra do Teixeira (PB). No início do século 20, a manifestação cultural contribuiu para a difusão do rádio na região. Na época, a maior parte dos repentistas tinha origem rural, vivendo no interior e cantando para plateias camponesas.

A partir da década de 1950, os cantadores passaram a residir nas cidades em busca de meios de divulgação de seu trabalho, entre eles o rádio e o correio.

Nos anos 1980 e 1990 vieram as gravações de discos e a realização de festivais. Com a evolução tecnológica, a internet se tornou mais uma ferramenta para divulgação de cantorias e eventos voltados ao Repente.

Plataforma

Com um acervo de mais de 2 mil itens, entre vídeos, documentos e fotos, a plataforma digital Bem Brasileiro, do Iphan, reúne os bens registrados como Patrimônio Cultural do Brasil ao longo dos últimos 25 anos.

O site reúne desde pedidos de registro e pareceres técnicos até ações de monitoramento e salvaguarda realizadas pelo Instituto. Também disponibiliza parte do acervo separando materiais por cada estado da federação.

Exposição da artista maranhense Marlene Barros é destaque na programação cultural do CCBB São Paulo


O Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo recebe a exposição Marlene Barros: Tecitura do Feminino, primeira mostra individual da artista maranhense na instituição. Com curadoria de Betânia Pinheiro, a exposição reúne 15 trabalhos produzidos em diferentes momentos da trajetória de Marlene Barros, entre esculturas, bordados, crochês, instalações e objetos, que transformam técnicas tradicionalmente associadas ao ambiente doméstico em linguagem artística para discutir questões relacionadas ao corpo feminino, à memória, ao cuidado e às estruturas históricas que invisibilizaram a produção das mulheres.

Com mais de quatro décadas de atuação, Marlene Barros construiu uma pesquisa artística que tem o universo feminino como eixo central de sua produção. Em suas obras, linha, tecido, bordado e crochê deixam de ocupar o lugar do fazer utilitário para se afirmarem como instrumentos de elaboração estética, crítica e política.

Inspirada em uma pesquisa iniciada durante seu mestrado em Arte Contemporânea na Universidade de Aveiro, em Portugal, a artista parte da ideia da costura como gesto de reparação simbólica. O projeto nasceu a partir da proposta de intervir em uma casa em ruínas localizada no campus da universidade, experiência que levou Marlene a estabelecer relações entre arquitetura, memória e corpo.

Na exposição, costurar torna-se um gesto de reconstrução, enquanto o entrelaçamento das linhas remete às relações familiares, aos afetos, às heranças culturais e às marcas deixadas pelo tempo. Ao mesmo tempo, a mostra evidencia como atividades historicamente desempenhadas por mulheres foram sistematicamente desvalorizadas e afastadas do reconhecimento institucional no campo das artes.

"Essa exposição nasceu de uma pesquisa muito íntima sobre a condição da mulher, os saberes transmitidos entre gerações, o trabalho invisibilizado, os afetos, as cicatrizes e as resistências que atravessam nossas vidas. Ver esse trabalho ganhar novos sentidos a partir do olhar de cada visitante foi um dos maiores presentes que eu poderia receber. Esse é, para mim, o verdadeiro sentido da arte." comenta Marlene Barros

Reunindo obras produzidas em diferentes períodos da trajetória da artista, Marlene Barros: tecitura do feminino apresenta um percurso que atravessa temas como maternidade, identidade, sexualidade, violência, pertencimento e memória. Sem seguir uma ordem cronológica, a mostra propõe um percurso livre, aproximando trabalhos que dialogam entre si por meio da materialidade dos tecidos, dos bordados e das esculturas.

Entre os destaques está "Eu tenho a tua cara", instalação composta por 49 rostos femininos que tensiona as relações entre identidade, alteridade e construção social do indivíduo. Em “Caixa Preta", fotografias, colagens, intervenções têxteis e escritos formam um autorretrato expandido, atravessado por memórias pessoais e afetivas.

Já “Coso porque está roto” utiliza um casaco bordado para estabelecer relações entre corpo, cura e reparação simbólica, enquanto “Entre nós" propõe uma imersão em peças confeccionadas em crochê que revisitam práticas tradicionalmente atribuídas às mulheres. Em “Quem pariu, que embale”, Marlene Barros questiona a naturalização do cuidado como responsabilidade exclusivamente feminina.

Durante o período expositivo, a programação educativa reúne atividades voltadas a públicos de diferentes idades, como visitas mediadas, oficinas, palestras e experiências de criação coletiva relacionadas aos processos de bordado, costura e crochê. As ações ampliam o diálogo com a exposição e convidam o público a experimentar essas técnicas como formas de expressão, elaboração da memória e compartilhamento de experiências.

"Iniciamos essa conversa em São Luís, ampliamos esse percurso em Belo Horizonte e agora esperamos que o público de São Paulo entre nessa ciranda para dar continuidade a esse diálogo. É uma conversa que não se encerra nas obras, mas se amplia nas experiências compartilhadas entre muitas pessoas. Espero que sigamos refletindo sobre o feminino como uma construção histórica, social e cultural, honrando as ancestrais que abriram os caminhos para que hoje possamos compartilhar experiências, memórias e narrativas de mulheres." comenta a curadora Betânia Pinheiro.

Para Gabriela Azevedo, gerente geral do CCBB São Paulo, “receber esta exposição, que transforma práticas têxteis em expressões poéticas e políticas, é reafirmar a diversidade das expressões femininas na arte brasileira. São esculturas, instalações, objetos que representam práticas e memórias historicamente marginalizadas e realizá-la no CCBB é fortalecer o compromisso com a escuta, a reflexão e ampliação de perspectivas sobre o feminino na contemporaneidade”.

SOBRE AS AÇÕES EDUCATIVAS

Para a exposição Tecitura do Feminino, o programa CCBB Educativo – Arte e Cultura preparou uma série de atividades gratuitas, para toda a família. O público poderá interagir com o Sensorial Estúdio “Tornar-se Pele”, criado como um símbolo de uma travessia por todas as peles que nos vestiram. A programação traz ainda duas ações cênico-musicais. Em Som em Cena: “Tear-te” o trabalho manual se transforma em ritmo, entendendo o gesto repetitivo como composição. Já no InsPIRAção: “COMfiar”, a equipe educativa enreda significados das obras com os visitantes passantes usando fios, nós e tramas.

Aos sábados e domingos, o projeto Tardes Brincantes traz atividades livres e com hora marcada para que, fio a fio, visitante a visitante, sejam tecidas as experiências. O público poderá participar da oficina Primeiro Brincar: “trAvessos”, que convida os pequenos a descobrir o avesso do corpo e adentrar nesses órgãos. Já na Oficininha: “Eu tenho sua máscara”, as crianças são convidadas a criar uma nova face para Cazumbá, personagem do Bumba Meu Boi da Baixada Maranhense.


Outra opção é a FaBrincando: “Tramas em Retalhos”, em que as crianças experimentam o bordado em diferentes suportes, como papel, pedra e madeira. Para os fãs de histórias e leituras, a contação Conto um Conto “De Ponto em Ponto’” traz uma seleção da tradição oral, enquanto o projeto “Que Livro é Esse?” terá como opções as obras Meninas podem ser tudo, Meninos podem ser tudo, O quintal das irmãs, A menina que bordava bilhetes, A tecelã dos sonhos e Este não é um livro de princesas.

Durante o período da exposição é possível conferir ainda a Oficina Integrada: Linha Em fusão, com senhas distribuídas 15 minutos antes de cada sessão. Esta prática de ateliê traz como inspiração a matéria-prima da artista Marlene Barros, ensinando aos participantes o ofício de fiar.

A programação ainda inclui visitas mediadas com a curadora Betânia Pinheiro, workshop sobre curadoria, mediação e acessibilidade, a oficina “Arpilleras de si”, conduzida pela própria artista, além de performances e práticas de ateliê abertas ao público. As atividades contemplam diferentes perfis, entre educadores, artistas, estudantes, produtores culturais e público em geral, criando espaços de troca, experimentação e reflexão a partir dos temas presentes na exposição.

SOBRE A ARTISTA

Natural de Bacurituba (MA), Marlene Barros é artista visual, pesquisadora e produtora cultural. Com mais de quarenta anos de trajetória, desenvolve trabalhos em escultura, crochê, pintura, performance, instalação e intervenção artística, tendo o universo feminino como principal eixo de investigação.

É coordenadora do Ateliê Marlene Barros e do Ponto de Cultura Coletivo ZBM, espaços dedicados à formação artística e ao fortalecimento da produção cultural maranhense. É bacharel em Desenho Industrial pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), especialista em Artes Visuais: Cultura e Criação pelo Senac e mestre em Arte Contemporânea pela Universidade de Aveiro, em Portugal.

SERVIÇO

Marlene Barros: Tecitura do Feminino
Período: 26 de agosto de 2026 a 25 de janeiro de 2027
Local: Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo
Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro Histórico – São Paulo (SP)
Entrada gratuita

Ações Formativas

Visita mediada da exposição*
Data: 29 de agosto (sábado)
Horário: 10h
Com: Betânia Pinheiro, curadora
Público: 
público em geral

Workshop “Tecendo Experiências: Curadoria, 
Mediação e Acessibilidade”*
Data: 24 de outubro (sábado)
Horário: 15h às 17h30
Com: Betânia Pinheiro, curadora
Público: educadores, mediadores culturais, artistas, estudantes, produtores culturais e demais interessados

Oficina “Arpilleras de si"
Data: 12 a 15 de novembro
Horários: quinta e sexta, das 15h às 18h; sábado e domingo, das 10h às 13h
Com: Marlene Barros
Público: mulheres cis e trans, pessoas não binárias, artesãs e artistas maiores de 18 anos

Prática de ateliê

A partir de 04 de setembro
Datas: sextas, sábados e domingos
Horários: 12h30 às 14h e 18h30 às 20h
Público: público em geral

Funcionamento

Aberto todos os dias, das 9h às 20h, exceto às terças-feiras.

Informações
Telefone: (11) 4297-0600

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Fafá de Belém, o Musical estreia em São Luís com casa lotada, emoção e uma celebração grandiosa da cultura brasileira


Espetáculo que celebra os 50 anos de carreira de Fafá de Belém emocionou o público maranhense e abriu temporada com sucesso absoluto no Teatro Arthur Azevedo

A espera terminou em grande estilo. “Fafá de Belém, o Musical” estreou na quinta-feira, 20 de agosto, em São Luís, diante de uma casa completamente lotada, em uma noite marcada pela emoção, pela música e pela grandiosidade de uma produção que celebra cinco décadas de uma das trajetórias mais importantes da música brasileira.

Apresentado pelo Ministério da Cultura e pela Petrobras e realizado pela Charge Produções, o espetáculo chegou ao Teatro Arthur Azevedo trazendo para o palco uma história que vai muito além de uma biografia musical. É uma viagem pela memória, pela Amazônia, pela cultura popular, pela família, pela política, pela identidade e, principalmente, pela força de uma artista que transformou sua voz em símbolo da cultura brasileira.

Desde os primeiros momentos, o público foi envolvido pela beleza da montagem. Cenografia, iluminação, música, dança, interpretação e elementos da cultura amazônica se encontram em uma produção grandiosa, criando uma experiência visual e emocional que conquistou a plateia.

Um dos grandes momentos da noite foi a atuação de Lucinha Lins, que interpreta Fafá de Belém em sua fase mais madura. Aos 73 anos, a atriz empresta sua experiência e sensibilidade à personagem, dando vida a uma mulher de personalidade forte, intensa e profundamente conectada às suas raízes.

A história também apresenta diferentes fases da vida da cantora. Laura Saab e Clarah Passos interpretam Fafá na infância, enquanto Helga Nemetik e Lucinha Lins representam outras fases de sua trajetória, construindo no palco uma narrativa que atravessa décadas.

E, claro, a música ocupa um lugar especial nessa história. Canções como “Foi Assim”, “Amazônia”, “Bom Dia Belém”, “Coração do Agreste”, “Nuvens de Lágrimas” e “Vermelho” ajudam a conduzir o público por momentos marcantes da carreira da cantora e transformam o teatro em um grande encontro com a memória afetiva brasileira.

Mais do que contar a história de Fafá de Belém, o espetáculo celebra a própria Amazônia e sua importância para a identidade cultural do país. É uma homenagem às raízes, à diversidade, à música e às histórias que atravessam gerações.

A estreia em São Luís confirmou a força dessa produção. Casa lotada, aplausos, emoção e uma plateia entregue do início ao fim marcaram a primeira noite da temporada maranhense.

Mas a festa está apenas começando.

“Fafá de Belém, o Musical” segue em cartaz no Teatro Arthur Azevedo até o dia 30 de agosto, com novas oportunidades para o público maranhense viver essa experiência.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Clarice Lispector: cartas revelam rede de afetos e obra da escritora desde a primeira correspondência


O ensaísta, escritor e professor Evando Nascimento abordará as correspondências de Clarice Lispector que aparecem no livro Todas as cartas, na quarta conferência do ciclo “Cartas na mesa” na terça-feira, 22 de setembro, às 16h. Evando falará sobre duas vertentes: a primeira se dedica à rede de afetos constituída ao longo da correspondência de Clarice Lispector em relação à família e às amizades, e também em questões profissionais.

A segunda, também em matéria de rede de afetos, falará sobre as relações entre a vida e a obra da escritora, desde a primeira carta preservada na década de 40 até os anos 70, quando morre. A ênfase recairá sobre as cartas trocadas com escritores como Lucio Cardoso, João Cabral de Melo Neto e Rubem Braga.

“A hipótese é que o correio entre a escritora e seus pares serve como um laboratório de reflexão sobre a literatura em geral e sobre sua obra em particular. Exatamente por isso, pretendo desenvolver a ideia de que as cartas de escritores/escritoras e artistas não têm apenas um destinatário específico, mas se destinam à posteridade. Ou seja, estão também endereçadas a nós leitores e leitoras do porvir”, explica Evando.

Com coordenação do Acadêmico Godofredo de Oliveira Neto, a conferência tem entrada franca e as inscrições podem ser feitas pelo link: https://www.even3.com.br/clarice-lispector-772556

A palestra também será transmitida pelo canal de Youtube da ABL: https://www.youtube.com/live/PORgWSWBopY?si=yiHc0JcP9qVMbHxD

Na próxima e última conferência do ciclo de setembro, o professor da USP e pesquisador Thiago Mio Salla falará sobre as correspondências de Graciliano Ramos.

Sobre Evando Nascimento

Evando Nascimento é ensaísta, escritor, professor universitário e artista visual. Autor do livro Clarice Lispector: uma literatura pensante (ed. Civilização Brasileira, 2012), e dos prefácios à edição especial de Perto do coração selvagem (2023) e da reedição de Todas as cartas (2025), ambos pela editora Rocco. Atualmente, conclui um novo livro sobre a autora, reunindo ensaios e conferências realizados nos últimos anos.

Fonte: ABL

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Brasileiros se destacam em festivais internacionais de cinema


O Festival de Locarno, na Suíça, premiou o filme pernambucano “A Margem do Rio” com o Prêmio Especial do Júri, no último sábado (15/8). Dirigido por Matheus Farias e Enock Carvalho, o longa-metragem foi o único título brasileiro no festival.

“A Margem do Rio” conta a história de romance entre dois homens, Izaquiel, um auxiliar de serviços gerais, e Jeremias, um pescador. Ambientado em Recife e estrelado por Caique Copque e Ítalo Martins, o título conta ainda com Robério Diógenes, Carlos Francisco, Renna Costa, Enio Cavalcanti, Artia e Isis Broken no elenco.

Outros destaques brasileiros

Dois anos após o prêmio de Melhor Roteiro de “Ainda Estou Aqui” no Festival de Veneza, na Itália, o Brasil volta a ser reconhecido com a seleção do longa “Retorno a Buenos Aires”, de Marco Bechis. O 83º Festival Internacional de Cinema de Veneza será realizado entre os dias 2 e 12 de setembro.

A coprodução com a Itália conta a história de Mariano Guerra, interpretado por Adriano Giannini, que precisa retornar à capital argentina depois de 33 anos morando na Itália para ser testemunha no julgamento de militares que o sequestraram e torturaram durante a ditadura no país. No elenco, estão os brasileiros Paula Cohen e Eduardo Hoy.

Outro destaque é a coprodução Brasil, França e Portugal, “A professora de francês”, filme de Ricardo Alves Jr, que foi selecionado para a mostra competitiva Horizontes Latinos do Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, na Espanha. O festival ocorre de 18 a 26 de setembro.

Filmado em Belo Horizonte (MG), o longa-metragem é estrelado por Grace Passô e Pedro Goifman e acompanha Graça, uma mulher que vive com a namorada francesa, Clara, e dá aulas particulares de francês. Ante um problema de saúde do pai, a professora volta a morar na casa onde cresceu e descobre que os vizinhos organizaram uma seita. Elisa Lucinda, Bárbara Cohen, Rômulo Braga, Eduardo Moreira e Italo Laureano também estrelam a produção.