O movimento social e sindical realizará a partir desta terça-feira (9) em Curitiba uma programação política e cultural em defesa dos direitos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na quarta-feira (10), Lula prestará depoimento ao juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos em primeira instância da Operação Lava Jato.
Por Railídia Carvalho
Vigílias, aulas públicas, assembleias e conferências fazem parte da programação, que deve se iniciar às 10h da manhã desta terça e prosseguirá até as 18h de quarta-feira.
O depoimento de Lula está programado para as 14h. A previsão da organização é que Lula participe do ato político de encerramento.
O depoimento do ex-presidente em Curitiba sobre o caso do tríplex no Guarujá deveria ter ocorrido no dia 3 de maio; no entanto, o juiz Moro alegou na ocasião que não havia condições de segurança para a realização do depoimento.
A Defensoria Pública do Paraná recorreu da decisão da juíza Diele Denardin Zydek, da 5ª Vara de Fazenda Pública. Alegando que a coletividade deve ter assegurado o direito de ir e vir, a Defensoria apresentou um habeas corpus à Justiça. Até o fechamento desta matéria não havia resposta sobre o habeas corpus.
Matéria publicada no portal da Central Única dos Trabalhadores (CUT) lembrou que a juíza Diele festejou em conta pessoal no Facebook a condução coercitiva de Lula, ordenada por Sergio Moro em março de 2016. A juiza teria escrito: “E hoje a casa caiu para o Lula...”, completando a frase com figuras de aplausos.
Denunciar manipulação
André Tokarski, secretário nacional de Movimentos Sociais do PCdoB, afirmou que a expectativa da Frente Brasil Popular é reunir 30 mil pessoas em Curitiba. “Diferente do que foi abordado no vídeo do juiz Sérgio Moro, o que se espera é uma manifestação pacífica que denuncie as tentativas de manipulação e politização do julgamento e que preste solidariedade ao ex-presidente.”
O dirigente afirmou que não se trata de uma absolvição sumária de Lula, mas de garantir o direito dele a um julgamento justo. “Sergio Moro já demonstrou que não tem condições de ser juiz de qualquer ação que se relacione com Lula”, enfatizou.
Estado de direito
“O que está em jogo é não aceitar medidas de exceção e que uma investigação que se coloque contra a corrupção e que é necessária não descambe para uma perseguição política”, opinou Boulos.
Nivaldo Santana, vice-presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) estará em Curitiba representando a central. Ele afirmou que a medida judicial acolhida contra o acampamento dos movimentos sociais “é consequência das graves limitações democráticas que o país vive”.
“As entidades que vão participar do ato em Curitiba pretendem exercer a liberdade de manifestação de forma pacífica e é preciso ter os espaços assegurados para isso. A decisão da justiça é uma limitação preocupante desse direito e é por isso que temos que procurar recorrer desse tipo de postura.”
O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), Alberto Broch, chamou de massacre político o processo contra o presidente Lula.
“Show”
Denis Denilton, presidente da União de Negros pela Igualdade de Curitiba (Unegro-PR), afirmou que a Unegro estará sempre solidária em atos em defesa dos direitos humanos. De acordo com ele, está se fazendo política manipulando o ordenamento jurídico.
“Esse show, a pirotecnica da Operação Lava Jato não é bom para o caráter investigativo e nem para garantir a demanda da democracia”, completou.

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