Todo mundo sabe que esse não é exatamente um governo voltado para os mais vulneráveis, mas a conta política começa a assustar os governistas que estão de olho nas eleições. Não por outra razão, a ala política, representada por Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Osmar Terra (Cidadania) entregou ao presidente Jair Bolsonaro sua proposta de reformulação do principal programa social do governo.
Querem botar mais R$ 16 bilhões no Bolsa Família — que já admitem reduzir para R$ 10 bi — e mudar seu nome, para que passe a ser uma marca eleitoral do governo Bolsonaro. Estão propondo mudanças perigosas, que podem desfigurar o programa, como a de condicionar o pagamento de um bônus a famílias de estudantes que tenham bom desempenho escolar — jogando nas costas de uma criança ou adolescente que vive em condições desfavoráveis a responsabilidade pela renda familiar.
No momento, porém, esse não é o maior dos problemas, que consiste na resistência da equipe econômica a dar mais do que parcos R$ 2 bilhões para recompor o orçamento do Bolsa Família. De fato, porque o super-hiper-megapower-blaster liberal Paulo Guedes daria mais dinheiro para a área social? Não foi convidado a ser Posto Ipiranga para isso, e nem Bolsonaro acha que foi eleito para governar para os pobres.
Só que, seguidamente, o presidente da República, mordido pela mosca azul da candidatura à reeleição, vem dando sinais de que vai, cada vez mais, chutar os cânones da ortodoxia econômica por razões eleitorais — sem falar nas ideológicas. Esquecendo-se, talvez, que o que lhe resta de apoio nas elites econômicas está estreitamente ligado à agenda de Guedes.
As apostas em Brasília são de que Bolsonaro vai obrigar Paulo Guedes a dar mais dinheiro para o Bolsa Família — com todas as consequências que esta queda-de-braço entre políticos e economistas liberais vai provocar.
Helena Chagas é jornalista
Fonte: Os Divergentes

Nenhum comentário:
Postar um comentário