terça-feira, 13 de outubro de 2026

Patrimônio Cultural da Humanidade e Imaterial do Brasil, Círio de Nazaré leva cerca de 2,3 milhões de pessoas às ruas de Belém


A procissão do Círio de Nazaré, a maior celebração religiosa do Pará, levou um público estimado em 2,3 milhões de pessoas, entre fiéis, turistas e moradores, às ruas de Belém no domingo (11). A romaria percorreu 3,6 quilômetros em cerca de cinco horas, até a chegada da Berlinda com a imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré à Praça Santuário.

A programação começou com a tradicional missa na Catedral da Sé. No início do percurso, a corda, um dos principais símbolos da festividade, foi atrelada à Berlinda. Incorporada à procissão em 1855, obteve oficialização em 1868 e se tornou um dos elementos marcantes da manifestação religiosa.

Em sua 234ª edição, o Círio tem como tema Maria, Mãe Missionária que nos Dá Jesus. Ao todo, são 14 procissões programadas entre os dias 7 e 26 de outubro, que integram a celebração e mobilizam milhares de pessoas.

Reconhecimento

O Círio de Nazaré foi reconhecido, em 2004, como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), autarquia vinculada ao Ministério da Cultura (MinC). Em 2013, a festividade também recebeu o reconhecimento como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Tradição

A devoção a Nossa Senhora de Nazaré no Pará remonta ao século 18. Segundo a tradição, em 1700, o caboclo Plácido encontrou uma pequena imagem da santa às margens do Igarapé Murutucu.

A imagem teria sido levada para a casa de Plácido e para a capela do Palácio do Governo, mas, segundo o relato tradicional, desaparecia desses locais e reaparecia no ponto onde havia sido encontrada. A área corresponde hoje aos fundos da Basílica Santuário Nossa Senhora de Nazaré.

O primeiro Círio foi realizado em 1774, após a imagem retornar de Portugal, onde havia sido restaurada. Desde 1793, a procissão é realizada anualmente no segundo domingo de outubro, mantendo viva uma tradição que reúne fé, cultura e participação popular.

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