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| Professora e pré-candidata a Deputada Estadual Régina Galeno |
Notas sobre o Amor ao Maranhão
Por RÉGINA GALENO*
O amor ao Maranhão nos faz lembrar de ativistas históricos como Martin Luther King, pacifista cristão, que na luta antirracista no século XX, defendeu o amor como um compromisso ativo com a justiça, a empatia e o diálogo, mesmo diante de opressões.
Esse foi o sentimento que me guiou, desde minha iniciação no catolicismo, até minhas descobertas nas leituras de Marx, para quem o amor tem fundamento nas condições materiais e históricas, ou seja, no seu conceito de materialismo histórico e dialético. Portanto, no marxismo, o amor não é visto como um sentimento individualista ou abstrato, mas como uma construção social e política. Ou seja, o amor é revolucionário.
O amor na tradição marxista se manifesta na solidariedade de classe, que serve para criar os laços de pertencimento e responsabilidade coletiva empenhada em promover a emancipação humana e impulsiona a lutar pela soberania e bem-estar do coletivo
É desse amor revolucionário que me preencho ao falar do Maranhão, na luta por um estado de justiça e democracia; pela valorização da cultura; das raízes e do território; por suas comunidades e a sustentabilidade; pela escola e o desenvolvimento social para todas as pessoas.
Falo desse amor ativo, nascido na relação social concreta do nosso povo, histórico pela necessidade de sobrevivência, cujas desigualdades materiais inevitavelmente afetam a forma como as pessoas se relacionam, amam e constroem suas vidas.
A história de cada indivíduo, cidadão maranhense, é a história de sua ancestralidade, seus interesses, suas oportunidades, seu trabalho e, principalmente, sua classe social.
Conforme o Censo 2022, o Maranhão é 3º estado com maior população indígena do Nordeste, mais de 72% vivem dentro de territórios indígenas. Na cultura maranhense, o Bumba-Meu-Boi tornou-se o maior símbolo cultural do estado contendo elementos indígenas, africanos e ibéricos.
Mas, efetivamente, pouco ou nada temos feito em defesa da sobrevivência e da valorização do povo indígena no Maranhão. Essa apropriação simbólica de alguns elementos da cultura indígena e até mesmo das culturas negras e populares, não se reverte na possibilidade de uma inserção sócio-econômica das pessoas pobres e não-brancas. Como conclui o texto "O processo de formação de ‘identidade maranhense’ em meados do século XX", publicado pelo historiador Antonio Evaldo Almeida Barros na Revista Tomo do Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais da Universidade Federal de Sergipe (UFS), em 2010.
Pensar esse processo simbólico da cultural do nosso povo que foi lutando e se construindo, aparentemente, como resultado natural de sua própria existência, os inúmeros grupos folclóricos, muitas vezes até apadrinhados por político de ocasião, para benefício eleitoral próprio, nos leva a pensar sobre a construção histórica da pobreza do Maranhão.
As contradições do Maranhão se refletem na alegria, fé, hospitalidade e crenças de nossa gente, que segue a enfrentar os desafios de desigualdades e exclusão que marcam suas vidas.
Nesse sentido, pensar num Maranhão justo, democrático e de amor, é lutar por políticas públicas capazes de romper com as desigualdades e exclusões. É lutar por um sistema de lei capaz de ser corajoso e coerente com as pessoas expropriadas do poderio econômico que comanda a exploração da força do trabalho; que possa nos conduzir a um estado de desenvolvimento menos excludente e menos decepcionante para os que dele precisam.
E, principalmente, atravessar as dores desse Maranhão cheio de contradições; é superar qualquer imediatismo e, lutar pelo fortalecimento das formas de representação cultural, social e política portadoras da liberdade e da solidariedade de classe, com caráter transformador e coletivo, dar vida ao que já está socializado em até certo grau e que percorre todo o processo histórico, que seja, o protagonismos das forças progressistas torna-se condição imprescindível graças a sua natureza de ser a semente, que aparece para os trabalhadores como o poder que transcende ao processo de exploração do nosso povo. Precisamos agir buscando nosso próprio objetivo, antecipando o tempo e enfrentar a ruptura com a realidade atual.
*Pedagoga, servidora pública concursada há 30 anos; conselheira do Conselho Estadual de Educação, diretora do SINPROESEMMA e da CTB-MA. Filiada ao PCdoB desde 1988. Pré-candidata a deputada estadual.

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