terça-feira, 11 de agosto de 2026

Às margens do Lago Tefé (AM), biblioteca reúne 28 mil obras científicas sobre a Amazônia


Mais do que reunir livros, a Biblioteca Henry Walter Bates, às margens do Lago Tefé (AM), é uma guardiã da memória científica da Amazônia. Inaugurada em 1994 nas dependências do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, ela conta com mais de 28 mil títulos catalogados e tem um dos mais importantes acervos especializados em ciência e pesquisa sobre a Amazônia.

O acervo conta com obras sobre conservação da biodiversidade, uso sustentável dos recursos naturais, estudos sobre populações ribeirinhas e diversidade socioambiental amazônica. São livros, coleções raras, periódicos científicos, produções técnico-científicas do instituto e obras de cronistas, escritores e pesquisadores que ajudaram a registrar, interpretar e compreender a Amazônia e, em especial, a região do Médio Solimões.

Ao longo de mais de três décadas, a biblioteca consolidou-se como uma fonte de consulta para pesquisadores, estudantes e profissionais de diversas áreas do conhecimento. Inserida em uma região cercada por áreas protegidas, é a única biblioteca com conteúdo científico em um raio de mais de 500 quilômetros.


A bibliotecária Graciete Rolim acompanha de perto a história do espaço desde os primeiros anos de funcionamento. Ela conta que o surgimento dele está diretamente ligado às pesquisas que deram início ao Projeto Mamirauá e, posteriormente, ao instituto. “A biblioteca recebeu o nome de Henry Walter Bates em homenagem ao naturalista inglês, cujos estudos sobre a Amazônia serviram de referência para José Márcio Ayres e para diversas pesquisas desenvolvidas na região”, explica.

José Márcio Ayres foi o idealizador da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. A biblioteca nasceu a partir das pesquisas do cientista. Em meados da década de 1980, ele se instalou na região para estudar o uacari-branco e reuniu um importante acervo bibliográfico. Anos depois, no início da década de 1990, com a estruturação do Projeto Mamirauá, Ayres disponibilizou grande parte desse material para compor a biblioteca, criada em 1994. Outros pesquisadores também passaram a doar livros, relatórios e publicações científicas e a contribuir para a formação do acervo inicial.

Guardiã da memória científica da Amazônia

Entre as milhares de obras que compõem o acervo, está toda a produção técnico-científica desenvolvida pelos pesquisadores que passaram pelo Instituto Mamirauá ao longo de décadas. O espaço também preserva mais de 400 títulos de periódicos científicos e informativos, além de coleções bibliográficas formadas a partir de doações de outros pesquisadores que marcaram a história da instituição, como Deborah de Magalhães Lima e Michael Goulding.


Um dos destaques é a Coleção de Obras Raras, com exemplares publicados nos séculos XIX e XX. Entre eles estão as primeiras edições de duas das obras mais antigas do acervo: A Narrative of Travels on the Amazon and Rio Negro, de Alfred Russel Wallace, publicado em 1853; e The Naturalist on the River Amazons, de Henry Walter Bates, lançado em 1863 e considerado um dos mais importantes registros sobre a história natural da Amazônia. Há ainda outros títulos históricos relacionados às primeiras expedições científicas na região.

O acervo também reúne obras de autores contemporâneos da região Norte que contribuíram para a produção científica, histórica e literária sobre a Amazônia. Entre os títulos estão Memórias de Mamirauá, de Edna Ferreira Alencar; Mamirauá, de Thiago de Mello; e A Formação Histórica do Território Tefeense, de Kristian Oliveira de Queiroz; além de diversas outras publicações dedicadas à história, à cultura e aos territórios amazônicos.

Biblioteca Henry Walter Bates

Local: Estrada do Bexiga, nº 2.584, bairro Fonte Boa, em Tefé (AM)
Horário: de segunda a quinta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 18h; e às sextas-feiras, das 8h às 12h e das 13h às 17h
Entrada gratuita
Acervo: https://mamiraua.org.br/biblioteca-henry-walter-bates/

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